Real Madrid e PSG iniciam ‘confronto do século’; veja razões para assistir

Luís Curro

Real Madrid x Paris Saint-Germain, nesta quarta-feira (14), em Madri. Paris Saint-Germain x Real Madrid, no dia 6 de março, uma terça-feira, em Paris.

Nos últimos dias, esse mata-mata pela Liga dos Campeões da Europa ganhou ares de “o confronto do século”, dado que é com sobras o duelo mais interessante e esperado das oitavas de final do badalado interclubes continental.

Um exagero, já que o século ainda está no seu primeiro quarto e haverá dezenas de “confrontos do século” a serem apresentados no futuro vindouro, até a virada para o século 22.

Mas, afinal, por que há tanta expectativa? Há algumas razões para isso, listadas a seguir.

Bale, Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos, do Real Madrid (Reprodução/Twitter do Real Madrid)
Bale, Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos, do Real Madrid (Reprodução/Twitter do Real Madrid)

Neymar x Cristiano Ronaldo

Para o treinador do Real Madrid, Zinédine Zidane, “não é Cristiano Ronaldo versus Neymar, é Real versus PSG”.

Discordo. É impossível não imaginar que a atuação dos dois craques nesse par de partidas seja decisiva para a classificação (ou eliminação) de suas respectivas equipes.

O atacante português, cinco vezes eleito o melhor jogador do mundo, sendo inclusive o atual detentor desse título – ganhou a última Bola de Ouro, da revista “France Football”, e o prêmio The Best, da Fifa –, é o artilheiro desta Champions League, com nove gols, três a mais que Neymar.

Jogador mais caro do mundo (custou € 222 milhões ao PSG em 2017), o brasileiro almeja o posto do CR7, quer ser o melhor entre os melhores, e deixou o Barcelona justamente para ser protagonista – lá vivia na sombra do argentino Messi, outro escolhido cinco vezes o melhor do planeta.

Tem conseguido. São 27 partidas (somando Liga dos Campeões, Campeonato Francês, Copa da França e Copa da Liga Francesa) e 27 gols – média de um por jogo –, além de 14 assistências (os passes que resultam em gol).

São 41 gols com a participação direta de Neymar. Não há nos principais centros europeus de futebol (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália) alguém com esse desempenho na temporada 2017/2018.

Melhor até que Messi, que, em 36 jogos pelo Barça, anotou 27 gols e deu 13 assistências.

Cristiano Ronaldo, em 28 partidas, soma 23 gols e 5 assistências.

Eliminar o Real significará, para Neymar, tirar de seu caminho um dos dois mais poderosos concorrentes para as láureas de melhor do mundo.

Por outro lado, ser eliminado praticamente ceifará sua chance de chegar ao olimpo individual neste ano.

Abismo entre os clubes

O Real Madrid, em termos de conquistas internacionais, é o maior clube do mundo. Faturou nada menos do que 12 Ligas dos Campeões da Europa, sendo três nos últimos quatro anos. Seu mais próximo perseguidor, o Milan, tem sete.

Faturou também três títulos do Mundial da Fifa (maior vencedor, ao lado do Barcelona) e outros três da Copa Intercontinental (maior vencedor, junto com Milan, Boca Juniors e os uruguaios Nacional e Peñarol).

Em 2017, ganhou quase tudo: Mundial de Clubes, Champions League, Espanhol, Supercopa da Europa e Supercopa da Espanha. Cinco conquistas, de seis possíveis. Faltou só a Copa do Rei.

O PSG, nessa comparação, fica parecendo um time pequeno.

Potência recente em seu país, onde ganhou quatro dos últimos cinco campeonatos nacionais (de 2013 a 2016), as últimas três Copas da França, as últimas quatro Copas da Liga Francesa e as últimas cinco Supercopas da França, amarga decepções na Liga dos Campeões da Europa.

Na Champions, seu melhor resultado foi a semifinal, em 1995. Seu craque e artilheiro à época era George Weah, hoje presidente da Libéria.

Sem contar a atual edição, a equipe parisiense esteve nas cinco mais recentes Ligas dos Campeões. Caiu nas quartas de final em quatro delas.

No ano passado, parou nas oitavas, com a histórica derrota por 6 a 1 para o Barcelona no Camp Nou – e com Neymar decisivo para o time catalão.

Assim, esta é uma oportunidade ímpar de o PSG mostrar que chegou a hora de mudar seu status. Eliminar o gigante dos gigantes pode ser um divisor de águas.

Zagueiros brasileiros

Marquinhos e Thiago Silva formam a dupla de zaga do PSG.

No ano passado, tiveram pela frente o trio MSN (Messi-Suárez-Neymar) no mata-mata de oitavas de final da Champions League contra o Barcelona.

No dia 8 de março, no jogo de volta, naufragaram no Camp Nou, com a defesa levando seis gols (entre os quais dois de Neymar, um de Messi, um de Suárez) e o PSG ficando fora da competição.

Há uma nova chance agora, contra um outro trio badalado, o BBC (Bale-Benzema-Cristiano Ronaldo).

Na minha análise, eles serão testados principalmente no jogo aéreo, e não apenas contra essa trinca (CR7 e Bale são muito bons cabeceadores), mas diante de outro perigo.

Em escanteios e faltas pelas laterais, cobrados com maestria pelo alemão Kroos ou pelo croata Modric, Sergio Ramos é mortífero pelo alto. O uruguaio Cavani, o centroavante do PSG, precisa ajudar os zagueiros brasucas, grudando no beque do Real.

Um desempenho convincente de Marquinhos e Thiago Silva, com entrosamento perfeito – não apenas neste mata-mata, mas nos próximos – pode convencer o treinador do Brasil, Tite, a escalá-los juntos também na Copa do Mundo da Rússia, em junho.

Atualmente, os zagueiros titulares da seleção são Marquinhos e Miranda (da Inter de Milão).

Em tempo: Real x PSG começa às 17h45 (horário de Brasília), com transmissão de Globo e Esporte Interativo.