Uma antevisão do sorteio dos grupos para a Copa da Rússia

Por Luís Curro

Com as classificações de Austrália (vitória por 3 a 1 sobre Honduras) e Peru (2 a 0 na Nova Zelândia), estão definidas as 32 seleções para a Copa do Mundo da Rússia.

Também já são conhecidos os quatro potes, com oito países cada um, do sorteio que definirá quem enfrentará quem na primeira fase do Mundial, que terá oito grupos (A a H) com quatro seleções em cada um deles, como tem acontecido desde 1998.

Já é possível, assim, especular qual será o grupo da morte (sempre há um eleito a cada Copa) a ser determinado pelo evento do dia 1º de dezembro, uma sexta-feira.

Há algumas combinações possíveis, como esta: Brasil, Espanha, Suécia e Nigéria.

Uma chave nada camarada para a equipe de Tite, com a campeã mundial de 2010 (Espanha, um dos melhores times do mundo), a seleção que eliminou a Itália nas eliminatórias europeias (Suécia, quase sempre uma fortaleza na defesa) e o país africano que primeiro se classificou para a Copa de 2018 (Nigéria, que há dois dias derrotou a Argentina por um contundente 4 a 2, de virada, em amistoso).

Há também outras possibilidades que empolgam já na leitura.

Que tal um grupo com Argentina, México, Dinamarca e Nigéria? Promete muito equilíbrio (caso Messi não desequilibre).

A Nigéria, de Ideye (21) e Iwobi, é junto com a Sérvia a seleção mais forte do pote 4 no sorteio dos grupos da Copa do Mundo, que será realizado no dia 1º de dezembro (Mladen Antonov – 14.nov.2017/AFP)

Ou então este: Alemanha, Uruguai, Costa Rica e Sérvia. Costa Rica? Para quem não se lembra, os costa-riquenhos avançaram para as oitavas de final na Copa do Brasil-2014, mesmo caindo em uma chave com Itália, Inglaterra e Uruguai – eram a zebra do eleito grupo da morte.

Se por um lado o sorteio pode propiciar a formação de grupos muito fortes, por outro pode determinar esta configuração: França, Peru, Irã e Panamá – na teoria, uma moleza para os franceses.

Ou a seguinte: Polônia, Colômbia, Suécia e Nigéria. Quem é o favorito? Não elejo nenhum.

E um grupo com Rússia, Suíça, Tunísia e Arábia Saudita? Fortíssimo candidato a campeão do desinteresse para a maioria esmagadora dos brasileiros que acompanharão a Copa pela TV.

O Peru, do meia são-paulino Cueva (em ação contra a Nova Zelândia), está no pote 2 devido à sua ótima posição no ranking da Fifa, no qual é o décimo colocado (Ernesto Benavides – 15.nov.2017/AFP)

Rússia, Bélgica e Polônia cabeças de chave (pote 1) e os campeões mundiais Espanha, Inglaterra e Uruguai não? Peru, que voltará a uma Copa depois de 36 anos, no pote 2? Sérvia e Nigéria no pote 4, o das seleções mais fracas?

Há explicação. Para este Mundial é o ranking da Fifa (liderado pela Alemanha, com o Brasil em segundo) que define quem vai para cada pote, e belgas e poloneses, no complicado sistema de cômputo de pontos, estão respectivamente em quinto e sexto lugares, à frente de espanhóis (em oitavo), ingleses (em 12º) e uruguaios (em 17º).

A Rússia, na nada honrosa 65ª posição na lista da Fifa, é cabeça de chave somente por ser o país-sede.

A seleção classificada para a Copa com pior ranking neste momento é justamente a Rússia, abaixo das outras duas “sessentonas”: Arábia Saudita (63ª colocação entre 211 países) e Coreia do Sul (62ª).

A seguir, cada pote e as posições de cada país no ranking de outubro da Fifa.

Pote 1: Rússia (65), Alemanha (1), Brasil (2), Portugal (3), Argentina (4), Bélgica (5), Polônia (6) e França (7).

Pote 2: Espanha (8), Peru (10), Suíca (11), Inglaterra (12), Colômbia (13), México (16), Uruguai (17) e Croácia (18).

Pote 3: Dinamarca (19), Islândia (21), Costa Rica (22), Suécia (25), Tunísia (28), Egito (30), Senegal (32) e Irã (34).

Pote 4: Sérvia (38), Nigéria (41), Austrália (43), Japão (44), Marrocos (48), Panamá (49), Coreia do Sul (62) e Arábia Saudita (63).

Em tempo: Não veremos um Brasil x Uruguai, um Brasil x Colômbia ou um Brasil x Peru na primeira fase do Mundial. As regras da Fifa não permitem que seleções da mesma confederação fiquem no mesmo grupo, então há um direcionamento no sorteio. Há exceção para a Europa – até duas seleções do continente podem figurar em uma mesma chave. Lembrete: a Austrália, apesar de estar geograficamente na Oceania, integra no futebol a confederação da Ásia.