Treinador do Vélez se demite depois de levar cusparada de torcedor

Por Luís Curro

A cusparada é um dos atos mais asquerosos e condenáveis que existem.

Não dói no corpo, como um tapa, um soco, um chute ou um pontapé, mas provoca nojo e atinge a alma com a força de um golpe nocauteante.

O agredido passa a sentir tremenda ojeriza pelo agressor. E este, que razão pode dar para atitude tão repugnante? Não tem. Nada justifica.

Há alguns casos de cusparadas no futebol, até bem recentes.

Bruno Henrique, do Santos, cuspiu no argentino Damián Díaz, do Barcelona de Guayaquil (Equador), na partida em que o time paulista foi eliminado da Libertadores, no dia 20 de setembro.

Kleber, do Coritiba, apelidado Gladiador, fez o mesmo com o zagueiro Edson, do Bahia, no Campeonato Brasileiro. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva o suspendeu por nove jogos pela agressão.

A cusparada mais marcante de que me lembro foi a de Neto, ídolo corintiano (hoje apresentador e comentarista de TV), no árbitro José Aparecido de Oliveira, que mostrara ao então camisa 10 o cartão vermelho, por falta violenta em César Sampaio, em um Corinthians x Palmeiras pelo Campeonato Paulista de 1991.

Neste ano, passadas quase três décadas do episódio, o ex-meia encontrou-se com o ex-juiz e reforçou o pedido de desculpas que já tinha sido feito pessoalmente em 2013 – e aceito por José Aparecido.

“Não tem justificativa. Fiz uma coisa horrível, nojenta. Eu cuspi no rosto de um ser humano. Se fosse hoje, era para eu estar preso pelo que fiz. Até hoje me arrependo”, declarou Neto.

É bom se arrepender, é bom ter o perdão de quem se agrediu. Melhor ainda é ter a consciência para não cometer um erro dessa magnitude.

E, se há quem suporte uma cusparada, caso de José Aparecido, há quem não.

Omar De Felippe, que se demitiu do Vélez, da Argentina, depois de levar uma cusparada de um tordedor do time (Reprodução/Site do Vélez Sarsfield)

Caso de Omar De Felippe, de 55 anos, treinador do Vélez Sarsfield. Ou melhor, ex-treinador. Pois ele pediu demissão nesta segunda (6), depois da derrota do time, em casa, por 2 a 0 para o Santa Fe no Campeonato Argentino.

O motivo: De Felippe levou uma cusparada de um torcedor da equipe, atual 18ª colocada na competição, 14 pontos atrás do líder, o Boca Juniors. Em oito jogos, o Vélez ganhou três, empatou um e perdeu quatro.

“Um fã cuspiu em mim. Isso eu não posso suportar. É melhor sair agora”, declarou à imprensa após a partida o técnico, campeão uma única vez na carreira em um torneio de elite – no Campeonato Equatoriano, à frente do Emelec, em 2015. “Não tem volta. Desejo o melhor para o clube.”

O Vélez deve anunciar o substituto de De Felippe, que ficou pouco mais de um ano na equipe, na próxima semana, já que no sábado (11) haverá eleição presidencial no clube.

Em tempo 1: Omar De Felippe integrou o Exército argentino e esteve na Guerra das Malvinas, em 1982, contra o Reino Unido. Segundo relatos, por pouco não morreu em combate.

Em tempo 2: Sediado em Buenos Aires, o Vélez é um clube médio na Argentina, com dez títulos do campeonato nacional. Seus maiores feitos foram ganhar a Libertadores (diante do São Paulo) e a Copa Intercontinental (conta o Milan), ambos em 1994.