Time argentino se notabiliza por entrar em campo com máscaras e fantasia

Por Luís Curro

Em tempos em que a seriedade tomou conta da ampla maioria de treinadores e jogadores, que tornam um jogo que deveria ser essencialmente lúdico uma tarefa árdua e estafante (“é vencer ou vencer, a qualquer custo, mesmo que por meio a zero”), há espaço para o bom humor no futebol.

Ele vem do Sacachispas, clube da terceira divisão argentina, sediado em Buenos Aires, que já entrou em campo com máscaras (e uma vez fantasiado), divertindo a torcida no estádio e o público em casa.

A mais recente performance ocorreu há duas semanas, na primeira partida da equipe depois que a Argentina obteve, com atuação esplendorosa de Lionel Messi, a classificação para a Copa do Mundo de 2018.

A fim de homenagear o craque, autor de três gols na vitória por 3 a 1 dos argentinos sobre o Equador em Quito, os atletas do Sacachispas posaram para a tradicional foto que precede cada partida com máscaras do atacante do Barcelona – o goleiro Acevedo foi exceção.

Se a ideia, além do tributo a Messi, era fazer com que os atletas jogassem por uma hora e meia como ele, não deu certo. O Comunicaciones ganhou por 1 a 0.

Também neste ano, houve pelos menos mais duas vezes em que os espirituosos jogadores do Sacachispas fizeram graça antes de um jogo.

Em maio, pela Copa da Argentina, o rival era o favorito Arsenal de Sarandí, que jogava em casa.

Ao posar para a fotografia, os jogadores do Sacachispas estavam com máscaras de super-heróis, entre eles o Homem Aranha, o Batman, o Homem de Ferro e o Capitão América. Houve quem preferisse a de um personagem-vilão: Darth Vader, de “Guerra nas Estrelas”.

Dessa vez, o Sacachispas deixou o campo vitorioso. Depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal, ganhou nos pênaltis.

Na partida seguinte da Copa da Argentina, em setembro, as máscaras deram lugar a uma fantasia.

Com espadas, escudos e elmos (tudo de plástico, diga-se), os jogadores se vestiram de guerreiros medievais antes de enfrentar, como visitantes, o Sarmiento.

Faltou, porém, a força necessária na batalha campal, e o Sacachispas foi eliminado ao perder por 3 a 1.

Conforme escreveu Brooks Peck no site da revista “Howler”, que publica história pitorescas da bola, “acho que super-heróis intimidam mais que gladiadores”.

Os jogadores do Sacachispas também têm criado a tradição de, sempre no momento da foto antes de cada partida, se perfilarem de modo diferente.

Geralmente, ficam seis jogadores atrás, em pé, e outros cinco à frente, agachados, diante dos fotógrafos. Só que o Sacachispas já posou em “V” e em “pirâmide”. Uma olhada no Twitter do clube traz outras formações heterodoxas.

Por fim, vale o registro da interpretação da “haka”, à la All Blacks, a seleção de rúgbi da Nova Zelândia, que executa essa dança típica diante dos adversários antes de cada confronto.

Nesse jogo, em junho, diante do JJ Urquiza, pela Terceirona, o Sacachispas ganhou de 3 a 1.

Desejo vida longa a esses raros instantes de divertimento no futebol.

Viva o humor do Sacachispas.

Em tempo: Os fundadores do Sacachispas, que existe desde 1948, se inspiraram para batizar o clube no filme “Pelota de Trapo”, do mesmo ano, dirigido por Leopoldo Torres Ríos e muito popular na Argentina, no qual Comeúñas, um garoto que sonha ser futebolista profissional, joga futebol juntos bom seus amigos com uma bola de pano, almejando um dia terem uma de couro. O time que eles formam chama-se Sacachispas. Não consegui descobrir o significado de sacachispas. Como “chispa” quer dizer “faísca” ou “fagulha” e “saca” possivelmente deriva do verbo “sacar” (tirar, puxar), talvez sacachispas seja, por aproximação, algo como “sai faíscas” – mas é puro chute.