Argentino marca 5 gols em jogo da Libertadores; saiba quem é o recordista

Por Luís Curro

O Brasil iniciou com oito clubes a primeira Taça Libertadores da América após o inchaço da competição, sendo o país com mais representantes na principal competição da América do Sul, que classifica o campeão para o Mundial de Clubes da Fifa.

Um a um, caíram Flamengo, Chapecoense, Atlético-MG, Atlético-PR, Palmeiras, Botafogo e Santos. Encerradas as quartas de final, sobrou o Grêmio, que buscará o tri (ganhou em 1983 e em 1995).

A equipe gaúcha se classificou ao derrotar por 1 a 0 na quarta (20), em Porto Alegre, o Botafogo. O autor do gol foi o paraguaio Lucas Barrios.

Com esse gol, Barrios chegou a seis na competição. Tendo estado em campo em dez partidas, é um bom número. Chegou à sua meia dúzia particular em um total de 668 minutos.

Pois bem. Em River Plate x Jorge Wilstermann, nesta quinta (21), que definia um dos semifinalistas do outro lado da chave, um jogador fez Barrios parecer “vagaroso”.

Em somente 49 minutos (ente os 9 do primeiro tempo e os 13 do segundo), Ignacio “Nacho” Scocco marcou cinco gols e se igualou aos seis de Barrios. Atingiu a meia dúzia dele em quatro jogos e 244 minutos em campo.

Scocco festeja um de sus cinco gols na goleada por 8 a 0 do River Plate no Jorge Wilstermann, pelas quartas de final da Libertadores (Agustin Marcarian – 21.set.2017/Reuters)

Ele jamais havia feito mais do que três gols em um jogo, informou o diário argentino “Olé” no texto em que classificou a noite do atacante como “de sonho”.

Seu desempenho foi vital para que o River Plate ganhasse por nada menos que 8 a 0 (4 a 0 no primeiro tempo, 4 a 0 no segundo tempo) no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, e revertesse a desvantagem de 3 a 0, placar a favor da equipe boliviana no jogo de ida, em Cochabamba.

Assim, Scocco, em menos de uma hora, se juntou a Barrios na perseguição a Chumacero, que acumulou oito gols nesta Libertadores pelo Strongest (Bolívia).

Mas a pergunta que fiz ao saber do feito do já trintão Scocco (tem 32, a mesma idade de Barrios) foi: cinco gols em uma partida de Libertadores é recorde?

Não.

“O Mundo é uma Bola” fez o levantamento de todos os principais artilheiros em um único jogo de Libertadores, campeonato disputado desde 1960.

O detentor da melhor marca é o argentino Juan Carlos Sánchez: seis gols.

Na Libertadores de 1985, o compatriota de Scocco (que também tem cidadania boliviana) fez meia dúzia no 8 a 0 do Blooming (Bolívia) no Deportivo Italia (Venezuela), em Santa Cruz de la Sierra. Sánchez jogou até 1992 e tem hoje 61 anos.

Além de Scocco (que teve passagem pelo Internacional em 2003), cinco jogadores balançaram as redes cinco vezes em partida de Libertadores: o equatoriano Enrique Raymondi, em Emelec (EQU) 7 x 2 Universidade Católica (CHI), em 1962; o também equatoriano Alberto Spencer, em Peñarol 9 x 1 Everest (EQU), em 1963; o argentino Raúl Castronovo, em Peñarol (URU) 9 x 0 The Strongest (BOL) , em 1971; o brasileiro Fernando Baiano, em Corinthians 8 x 2 Cerro Porteño (PAR), em 1998; e o argentino Alfredo Moreno, em Boca Juniors (ARG) 6 x 1 Blooming (BOL), em 2000.

Nesta Libertadores, Fred (o mesmo que foi titular do Brasil na Copa de 2014), marcou quatro gols na vitória do Atlético-MG sobre o Sport Boys, da Bolívia, no estádio Independência, pela fase de grupos.

Além dele, dois outros brasileiros fizeram quatro gols em um único jogo da competição: Jairzinho (o Furacão da Copa de 1970), pelo Cruzeiro, em 1976, e Guilherme, pelo Atlético-MG, em 2000.

Fred vibra ao fazer um gol pelo Atlético-MG diante do Sport Boys, em abril; o atacante marcou quatro nessa partida em Belo Horizonte (Douglas Magno – 13.abr.2017/AFP)

Em uma das semifinais da Libertadores, o River de Scocco duelará contra o também argentino Lanús, que eliminou nos pênaltis o também argentino San Lorenzo.

Na outra, o Grêmio encara o Barcelona, do Equador, que superou o Santos.

Em tempo 1: A goleada de 8 a 0 do River Plate não é a maior da história da Libertadores. Perde para Peñarol 11 x 2 Valencia (VEN), em 1970;  River Plate 9 x 0 Universitario de La Paz (BOL), também em 1970; o já citado Peñarol 9 x 0 The Strongest, em 1971; Santos 9 x 1 Cerro Porteño (PAR), em 1962; e o também já mencionado Peñarol 9 x 1 Everest, em 1963.

Em tempo 2: Na Liga dos Campeões da Europa, nunca um jogador fez seis gols em um mesmo jogo; 14 anotaram cinco, estando entre os mais famosos Messi e Gerd Müller. Os brasileiros Altafini (Mazzola) e Luiz Adriano também figuram nessa lista.