Exagerar ao festejar gol pode ser prejudicial à saúde

Por Luís Curro

É recorrente ouvir os mais experientes dizerem que muito do que se faz em excesso não é bom. Que exageros podem causar danos à saúde (física e/ou mental).

Vale para comer demais, beber demais, se exercitar demais – até para dormir por mais tempo que o recomendado (sete a nove horas diárias).

Há outro sentido para o exagero ao fazer algo que também pode ser prejudicial. Não tem relação com a duração, mas com a intensidade.

Na atividade física, por exemplo, alguém que não está muito bem acostumado a fazer piruetas (como na ginástica artística), ou a saltar acrobaticamente (como nos saltos ornamentais), ou a erguer peso em excesso (como no halterofilismo), caso tente um desses movimentos, corre risco de se machucar.

No futebol, esporte que exige muito fisicamente dos praticantes, lesões são comuns, sejam as resultantes de contato com os oponentes ou as musculares.

Essas contusões estamos habituados a ver, jogo sim, jogo não, então não nos surpreendem.

Mas o que dizer sobre a contusão inesperada, ainda mais se ela for ocasionada em um momento de alegria?

Nicolai Müller, do Hamburgo, recebe atendimento médico depois de machucar o joelho em comemoração de gol na Bundesliga (Daniel Bockwoldt – 19.ago.2017/AFP)

Aconteceu no sábado (19), em Hamburgo 1 x 0 Aubsburg, na primeira rodada do Campeonato Alemão.

Aos 8 minutos do primeiro tempo, o meio-campista Nicolai Müller, de 29 anos, recebeu cruzamento do volante brasileiro Walace (campeão olímpico na Rio-2016) e mandou para a rede do goleiro Hitz.

A felicidade foi tanta que o jogador alemão saiu correndo desenfreadamente, dando rodopios, até em um dos giros pular e aterrissar de mau jeito – em cena bisonha, sobrou até para a bandeirinha.

Müller caiu e lá ficou, observado por atônitos companheiros.

Se joelho não aguentou: rompimento do ligamento cruzado anterior. A celebração efusiva, mesmo com treinamento prévio (“celebração-helicóptero”, segundo o próprio jogador), o afastará dos campos por aproximadamente sete meses.

O ocorrido com Müller – um futebolista se machucar na celebração de um gol – é raro, mas não inédito.

Salto mortal, chute em placa publicitária e a já tradicional comemoração “deslizando de joelhos”, entre outras desventuras, resultaram em lesões mais ou menos sérias.

Infelizmente, houve até um caso de morte.

Em outubro de 2014, o indiano Peter Biaksangzuala, do Bethlehem Vengthlang, decidiu dar piruetas ao fazer um gol, em uma liga regional de seu país. Bateu a cabeça no campo e teve uma séria lesão vertebral.

Hospitalizado, morreu cinco dias depois. Tinha 23 anos.

Em tempo: Sobre os exageros da vida, para um não há contraindicação: a filantropia. Quem pratica ou já praticou sabe o quanto é realizador. Por isso que sempre é digno de elogio ver atletas que enriqueceram devido ao futebol investir em instituições sociais, direcionadas aos menos favorecidos, com ênfase no esporte e na educação. A Fundação Gol de Letra, criada por Raí e Leonardo, e o Instituto Neymar Jr. são apenas dois dos exemplos. Que essas ações possam se multiplicar a cada ano mundo afora, nas mais diversas comunidades, para que o futebol seja visto não só como um fator de ascensão social para poucos mas também de inclusão social para muitos.