Inédito ouro olímpico completa 1 ano; saiba que medalhistas têm chance de ir à Copa do Mundo

Há exatamente um ano, no dia 20 de agosto de 2016, a seleção brasileira de futebol obteve a única conquista importante que lhe faltava: a medalha de ouro olímpica.

Foi nos Jogos do Rio de Janeiro, e tive a oportunidade de estar no Maracanã lotado naquele sábado de tempo instável (lembro que choveu antes da partida nos arredores do estádio) e presenciar a vitória do Brasil sub-23 (reforçado por Weverton, Renato Augusto e Neymar, que extrapolavam, com anuência do regulamento, a idade-limite) sobre a Alemanha sub-23 (que também tinha seus três “veteranos”, os irmãos Bender e o atacante Petersen).

Uma vitória, para quem não lembra, sofrida, 5 a 4 nos pênaltis, depois do empate por 1 a 1 no tempo normal (gols de Neymar e Meyer) e uma prorrogação sem gols.

Um ano depois, como está cada um dos 18 medalhistas de ouro do Brasil? Neymar todo mundo sabe, pois trocou recentemente, na mais cara transação da história do futebol, o Barcelona pelo Paris Saint-Germain.

Mas e os demais jogadores que entraram para a história na capital fluminense? Estão por cima e no radar de Tite, com chance de ir ao Mundial da Rússia, no ano que vem, ou caíram no ostracismo?

E o treinador Rogério Micale? Continua prestigiado?

A seguir, “O Mundo é uma Bola” conta o paradeiro e a situação de momento de todos eles, começando pelos 11 titulares e encerrando com os sete reservas.

Weverton (goleiro, 29 anos) – Depois de levar só um gol em seis jogos na Rio-2016, continuou no Atlético-PR. Chegou à seleção principal, tendo sido convocado cinco vezes por Tite e atuado como titular em dois amistosos (vitória por 1 a 0 sobre a Colômbia e derrota pelo mesmo placar para a Argentina). Na mais recente lista do treinador, porém, ficou fora – os goleiros escolhidos foram Alisson (Roma), Cássio (Corinthians) e Ederson (Mancheter City). Chance de ir a Copa: razoável.

Zeca (lateral-direito, 23 anos) – Lateral-esquerdo, é destro e atuou pela direita na Olimpíada. Titular do Santos, passou por uma cirurgia no joelho (menisco) em abril e teve uma lesão muscular (panturrilha) em maio que o mantiveram afastado por várias semanas dos campos. Voltou a atuar no início deste mês. Jamais teve oportunidade na seleção principal. Chance de ir à Copa: irrisória.

O zagueiro Marquinhos vibra ao marcar um gol pelo PSG em partida do Campeonato Francês, em fevereiro (Bertrand Langlois – 26.fev.2017/AFP)

Marquinhos (zagueiro, 23 anos) – Depois do ouro, o ex-corintiano tornou-se titular absoluto do francês PSG e da seleção de Tite. É nome praticamente certo para a Copa do Mundo. Fez um gol na Rio-2016. Chance de ir à Copa: 100%.

Rodrigo Caio (zagueiro, 24 anos) – O beque, que luta para tentar afastar o São Paulo da zona do rebaixamento do Brasileiro, está na atual lista de convocados da seleção brasileira, ou seja, neste momento à frente de concorrentes como David Luiz e Gil. Sua polivalência (também pode atuar como volante e lateral-direito) é um diferencial. Chance de ir à Copa: razoável.

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Douglas Santos (lateral-esquerdo, 23 anos) – Deixou o Atlético-MG e migrou para a Alemanha após a Olimpíada. Sua temporada pelo Hamburgo não foi das melhores (o time correu sério risco de rebaixamento), e há rumores de que ele deve ser negociado com o PSV, da Holanda. Está muito longe de ser uma opção para a seleção principal. Chance de ir à Copa: 0%.

Walace (volante, 22 anos) – Essencial na marcação no meio-campo nos Jogos, transferiu-se em janeiro para o Hamburgo (mesmo time alemão em que já estava Douglas Santos), deixando o Grêmio. Ganhou aos poucos espaço na equipe e iniciou a Bundesliga 2016/2017 como titular. Foi lembrado por Tite uma única vez, para amistoso contra a Colômbia. Chance de ir à Copa: irrisória.

Renato Augusto (meia, 29 anos) – Se nada de excepcional acontecer, será titular do Brasil na Copa. O ex-corintiano, que defende desde o início do ano passado o Beijing Guoan (China), é homem de confiança de Tite no meio-campo da seleção. Chance de ir à Copa: 100%.

Luan (atacante, 24 anos) – Um dos (vários) destaques gremistas neste Brasileiro, foi chamado para as partidas das eliminatórias da Copa contra Equador (no próximo dia 31) e Colômbia (no dia 5 de setembro). Antes, sua única chance tinha sido diante dos colombianos, em amistoso em janeiro. Na Olimpíada, marcou três gols. Chance de ir à Copa: pequena.

Gabriel “Gabigol” (atacante, 20 anos) – É difícil acreditar, porém desde que se transferiu do Santos, onde era um dos artilheiros, para a Inter de Milão (desembarcou na Europa depois da Rio-2016), Gabigol começou jogando duas míseras partidas, uma um amistoso e uma pela Copa da Itália – não por estar contundido, mas por opção do técnico (primeiro Frank de Boer, depois Stefano Pioli). No intervalo de um ano, esteve em campo somente 500 minutos (tempo equivalente a seis jogos incompletos) e marcou só dois gols. A conferir se a troca de treinador (chegou Luciano Spalletti) lhe abre algum espaço. Obviamente, nunca foi chamado por Tite. Fez dois gols nos Jogos cariocas. Chance de ir à Copa: irrisória.

Gabriel Jesus (atacante, 20 anos) – Diferentemente de seu xará, o ex-palmeirense já reluz no velho continente. No Manchester City, é xodó do treinador Guardiola e agradou à torcida desde a chegada à Inglaterra, no início deste ano. Titular no clube, titular na seleção. Tite o prestigia desde que assumiu, na metade do ano passado. É por ora a maior esperança de gols para o Brasil na Rússia, juntamente com Neymar. Balançou três vezes as redes na Rio-2016. Chance de ir à Copa: 100%.

Gabriel Jesus e Neymar, lado a lado em jogo de torneio de futebol de 5 organizado pelo Instituto Neymar Jr., no litoral paulista  (MIguel Schincariol – 8.jul.2017/AFP)

Neymar (atacante, 25 anos) – Artilheiro da seleção nos Jogos do Rio (quatro gols), trocou neste mês Barcelona por Paris, para deixar de ser sombra de Messi e se tornar protagonista no PSG, onde teve ótima estreia no domingo passado (um gol e uma assistência). Seu intuito de ganhar a Bola de Ouro (mais tradicional prêmio de melhor do mundo) passa por uma temporada espetacular no novo clube (que inclui sucesso na Liga dos Campeões da Europa) e por brilhar na Copa de 2018 (preferencialmente com o Brasil campeão). Chance de ir à Copa: 100%.

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Uilson (goleiro, 23 anos) – Praticamente ninguém sabe, ninguém viu. Continua no Atlético-MG, na reserva de Victor. Chance de ir à Copa: 0%.

William (lateral-direito, 22 anos) – Depois dos Jogos, caiu com o Internacional para a Série B do Brasileiro. No fim do Campeonato Gaúcho deste ano, o clube o negociou com o Wolfsburg, que escapou por um triz do descenso na última Bundesliga. Terá de mostrar muito serviço para se firmar na equipe alemã. Chance de ir à Copa: 0%.

Luan (zagueiro, 24 anos) – Ajudou o Vasco a conseguir o acesso para a Série A no segundo semestre de 2016. Ainda disputou o Estadual do Rio pela equipe cruz-maltina, antes de ser contratado pelo Palmeiras, onde foi titular em 8 dos 20 jogos que o time realizou até agora no Brasileiro. Chance de ir à Copa: 0%.

Rodrigo Dourado – (volante, 23 anos). Como William, amargou a queda com o Inter no ano passado para a segunda divisão. Continua titular do time gaúcho. Chance de ir à Copa: 0%.

Thiago Maia (volante, 20 anos) – Figurinha fácil nas seleções de base do Brasil (sub-17, depois sub-20), é um dos bons talentos recentes lapidados pelo Santos. O Lille, da França, o contratou neste meio de ano. Nos dois primeiros jogos da Ligue 1, começou na reserva e entrou no decorrer deles. Chance de ir à Copa: irrisória.

Rafinha (meia-atacante, 24 anos) – Testado por Dunga na seleção principal em 2015, não teve oportunidade com Tite. O habilidoso atleta do Barcelona amargou problema de contusão (joelho) que limitou sua atuação na temporada 2016/2017. Chance de ir à Copa: irrisória.

Felipe Anderson (meia-atacante, 24 anos) – Para jogar a Olimpíada, declarou que peitaria a diretoria de seu clube, a Lazio, caso fosse impedido – havia indicação nesse sentido. Acabou liberado e realizou um sonho. No retorno, atuou como titular do time ao longo da temporada 2016/2017. Na de 2017/2018, a conferir, já que ficou na reserva há uma semana, no jogo em que a equipe ganhou de 3 a 2 da Juventus e faturou a Supercopa da Itália. Chance de ir à Copa: irrisória.

Rogério Micale acompanha no Mineirão a partida em que o Atlético-MG foi eliminado da Libertadores pelo Jorge Wilstermann, da Bolívia (Cristiane Mattos – 9.ago.2017/Reuters)

Micale (técnico, 48 anos) – Continuou na equipe de treinadores das categorias de base da Confederação Brasileira de Futebol até ser demitido em fevereiro por falhar na tentativa de classificar a seleção sub-20 ao Mundial. Passou alguns meses inativo até assumir o Atlético-MG, há quase um mês. Chance de ir à Copa: 0%.