Regulamento esdrúxulo dá ao Arsenal título de torneio em Londres

Por Luís Curro

Arsenal e Sevilla entraram em campo neste domingo (30), no Emirates Stadium, em Londres, para duelar no segundo e último dia da Emirates Cup, competição de pré-temporada que leva o nome da companhia aérea que patrocina o clube inglês.

Na véspera, os dois times haviam vencido. O Arsenal goleara o português Benfica (5 a 2) e o Sevilla derrotara o alemão Leipzig (1 a 0).

Encerrada a partida, vitória por 2 a 1 dos visitantes, que estreavam no torneio disputado por quatro equipes e cuja primeira edição foi realizada em 2007.

Os jogadores do time espanhol se cumprimentam, celebram o bom desempenho no jogo, o aproveitamento de 100% nos confrontos e… olham os atletas do Arsenal serem consagrados campeões da Emirates Cup.

O capitão do Arsenal, o alemão Mertesacker, parece constrangido com o troféu da Emirates Cup, após a derrota para o Sevilla, que acabou o torneio com 100% de aproveitamento (Reprodução/Instagram do Arsenal)

Parece mentira, mas é apenas decorrência de um regulamento tão inovador quanto esdrúxulo.

Não somente o resultado de cada partida – houve ainda Leipzig 2 x 0 Benfica – era considerado para a pontuação mas também o número de gols marcados. Cada gol equivalia a um ponto.

Desse modo, o Arsenal somou nove pontos: três pela vitória sobre o Benfica mais seis pelos gols feitos contra o time português (5) e contra o Sevilla (1).

O Sevilla também terminou com nove pontos: seis pelas duas vitórias mais três pelos gols marcados diante do Leipzig (1) e do Arsenal (2).

Só que perdeu no critério de desempate: apenas três gols a favor, enquanto a equipe londrina anotou o dobro.

Não sei o que é pior, o regulamento absurdo ou os jogadores do Arsenal comemorando a conquista advinda desse regulamento. Deveriam se recusar a posar com o troféu e/ou entregá-lo ao Sevilla.

Sem mais a observar, transcrevo o comentário irônico do jornal “The Independent”, de Londres, que faz menção à filosofia do treinador francês Arsène Wenger, desde 1996 no comando dos Gunners:

“Wenger geralmente se refere à sua convicção de que resultados não traduzem toda a história referente a um time ou a um projeto. Finalmente, ele mostrou ter razão”.

Criticado intensamente pelo desempenho do Arsenal na temporada 2016/2017, na qual pela primeira vez em sua gestão o clube não obteve vaga na Liga dos Campeões da Europa, Wenger teve seu contrato renovado por mais dois anos.

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