Volante da Inter de Milão faz um dos mais sensacionais gols contra da história

Por Luís Curro

Surpreendente sempre, o gol contra no futebol é o mais vexatório momento que pode ser vivido por um jogador. Mais que perder um pênalti ou o chamado gol feito.

Ao passar por essa experiência, a do gol contra, o atleta fica, inicialmente, pasmo (assim como todo mundo). Depois, desconcertado e envergonhado.

Por segundos que parecem horas, um ar de desgraça se abate sobre ele, “condenado” por torcedores e companheiros pela escancarada inépcia.

É uma profunda sensação de desgosto.

Eu mesmo já a senti uma vez, quando, aos 16 ou 17 anos, em um torneio interclubes entre agremiações paulistanas, atuando improvisado na lateral esquerda, recuei sem olhar para o goleiro, que esperava um toque menos forte e em outra direção. Bola na rede, restaram desculpas e lamentos.

Há gols contra e gols contra, contudo. Pois até no gol contra há “escalas de dificuldade”.

Uns são engraçados, outros, bizarros, e outros, considerados golaços.

Kondogbia, volante francês da Inter de Milão, é o mais recente a passar por essa malfadada experiência, e com o agravante de ser em uma partida de nível internacional, televisionada para dezenas de países.

O francês Geoffrey Kondogbia, da Inter de Milão, depois de fazer gol contra na partida diante do Chelsea, em Cingapura (Reprodução de TV)

Neste sábado (29), no Estádio Nacional de Cingapura, a equipe italiana duelava com o inglês Chelsea pela International Champions Cup, torneio preparatório para a temporada 2017/2018.

A Inter vencia por 2 a 0 (gols de Jovetic, em um pênalti não existente, e Perisic), e o treinador Luciano Spalletti, entre as tantas substituições feitas para dar tempo de jogo ao elenco, colocou em campo o jogador de 24 anos, aos 13 minutos do segundo tempo.

Tudo ia bem até que, aos 28 minutos, Kondogbia recebeu um passe quase no meio de campo. Percebendo a chegada da marcação, e vendo que não havia ninguém no caminho entre ele e o goleiro Padelli, não hesitou. Recuou dali mesmo.

Só que “deu ruim”. O chute saiu forte, alto e encobriu o adiantado Padelli. Um dos mais belos gols contras já vistos no futebol.

Alguns sites esportivos consideraram que Kondogbia marcou “o gol do ano” e que ele deve concorrer ao Prêmio Puskás, entregue pela Fifa anualmente ao autor do gol mais bonito do período – após a escolha, em votação no site da entidade, dos internautas.

Um outro foi além e titulou “O melhor gol contra já visto? Kondogbia marca a 45 jardas de distância”. Fazendo a conversão, são 41 metros. No meu cálculo, mais que isso: perto de 50 metros.

Leia também: Levar gol do meio-campo é frango?

É impossível afirmar se foi “o melhor” gol contra já feito (essa avaliação é subjetiva), mas dá para competir com qualquer outro, sim, pelo “nível de dificuldade”.

Dê a bola para Kondogbia e peça a ele que repita o “feito” em um treinamento. Aposto que tentará seguidamente e não conseguirá fazer do jeito que fez. Se conseguir, é bom Spalletti se preocupar.

Menos mal para Kondogbia que seu golaço contra não afetou o resultado final: a Inter ganhou do Chelsea por 2 a 1.

Em tempo: No dia em que Kondogbia entrou para a história do futebol, houve quem se lembrasse do famoso gol que Oséas, atacante do Palmeiras, marcou, de cabeça, após escanteio cobrado por Marcelinho Carioca, abrindo o placar para o Corinthians. Foi no Campeonato Paulista de 1998. O jogo terminou 1 a 1.