Maradona lembra que não uma, mas duas vezes, usou a mão para se dar bem na Copa do Mundo

Por Luís Curro

Diego Maradona tem o que o compatriota Lionel Messi não tem: o título de uma Copa do Mundo.

Para muita gente, esse diferencial é que faz do Pibe de Oro (Garoto de Ouro) o maior jogador da história do futebol argentino, e não o supercraque do Barcelona.

No México, em 1986, a Argentina capitaneada e liderada por Maradona ganhou sua segunda Copa (a primeira foi em 1978, como anfitriã) ao derrotar a Alemanha por 3 a 2 na final.

Nesse jogo, Maradona não balançou as redes, mas deu passe magistral para Burruchaga marcar o gol decisivo.

Capitão da Argentina, Maradona é carregado com a Taça Fifa no estádio Azteca, na Cidade do México, depois de a Argentina conquistar a Copa do Mundo de 1986 (Carlo Fumagalli – 29.jun.1986/Associated Press)

O lance mais marcante do camisa 10 na segunda Copa em solo mexicano, contudo, ocorreu uma semana antes da decisão, quando a Argentina ganhou por 2 a 1 da Inglaterra nas quartas de final.

Eram cinco minutos do segundo tempo quando Maradona pegou a bola e arrancou pelo meio da defesa inglesa, driblando um, dois, três.

Tocou para um companheiro, em busca de uma tabela, e correu para a área. Desviada de forma bisonha por um defensor do English Team, a bola acabou indo na direção de Maradona, pelo alto, na entrada da pequena área.

O goleiro Shilton saiu para dar um soco na bola, só que o astro argentino foi mais rápido e a desviou para as redes. Detalhe: com a mão. O juiz tunisiano Ali Bin Nasser não viu.

Sobre o lance, famosíssimo e eternizado, Maradona afirmou que marcou o gol com “a mão de Deus”.

Na malandragem, nota dez para Maradona. No fair play, nota zero.

Maradona usa a mão esquerda para superar o goleiro Shilton e fazer Argentina 1 x 0 Inglaterra no estádio Azteca, em jogo das quartas de final do Mundial de 1986 (22.jun.1986/Associated Press)

Faço esse relato porque nesta quarta (26) Maradona falou sobre a jogada ao comentar, em publicação no site da Fifa, o sistema de videoarbitragem (VAR), que vem sendo testado pela entidade máxima do futebol e deve ser usado na Copa de 2018, na Rússia.

“Certamente aquele gol não seria validado de ali houvesse a tecnologia. “E digo mais: na Copa de 1990 (na Itália), eu usei minha mão para impedir um gol da União Soviética. Tivemos sorte porque o juiz não viu. Você não podia recorrer à a tecnologia naquela época, mas hoje é outra história”, afirmou o ex-jogador, que disse apoiar a implantação do VAR.

A partida estava 0 a 0 quando Maradona mais uma vez ludibriou a arbitragem, dessa vez com a mão direita. Como a Argentina tinha perdido na estreia, para Camarões, nova derrota seria fatal. Os argentinos venceram por 2 a 0 – acabaram vice-campeões, levando o troco da Alemanha na final (1 a 0).

Maradona evita, com a mão direita, gol da URSS no estádio San Paolo, na Copa de 1990, na Itália (Reprodução YouTube)

Para os soviéticos, que caíram na primeira fase, a não marcação do pênalti foi algo escandaloso.

“Um cara (Maradona) deliberadamente tirou a bola da direção do gol com a mão. A bola não bateu na mão dele: houve um movimento da mão”, disse em depoimento ao jornal “The Guardian”, em 2009, o ex-jogador Igor Shalimov, titular naquela partida e atual treinador do Krasnodar, da Rússia. “Era impossível o juiz não ter visto.”

O jogo foi em Nápoles – Maradona era ídolo do Napoli, o time da cidade. O árbitro, o sueco Erik Frederiksson, estava muito bem posicionado, a dois metros de distância da jogada – e não foi capaz de marcar a penalidade máxima.

Possivelmente, apenas uma coincidência.

Leia também: Messi responde a Maradona com 3 gols em 19 minutos

X