Cristiano Ronaldo cita Neymar entre os que o fazem lutar para ser o melhor

Por Luís Curro

É raro o futebolista que afirma abertamente ter o objetivo de ser o melhor do mundo.

Na esmagadora maioria das vezes, prevalece o discurso da humildade e do espírito de grupo: o mais importante é ganhar títulos, e isso se consegue jogando em equipe, então os prêmios individuais ficam em segundo plano e blá-blá-blá.

Messi, do Barcelona, dono de cinco prêmios de melhor do mundo aos 30 anos, faz parte dessa turma, a que enaltece o jogo coletivo. O argentino é de poucas palavras, e entre essas poucas não estão as que fazem o enaltecimento dele próprio.

Para Messi, o prêmio parece ser uma consequência.

Mais do que brilhar individualmente, o camisa 10 almeja o sucesso da equipe. Com o Barça no topo, e ele sendo o astro maior do time, naturalmente terá feito mais gols, possivelmente terá dado mais assistências, e assim se tornará o melhor do mundo naquela temporada.

Muito diferente pensa Cristiano Ronaldo. Aos 32 anos, o português caminha para se igualar a Messi, neste ano, no número de vezes como o melhor do planeta.

Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo na cerimônia de premiação da Bola de Ouro da Fifa de 2015, no começo de 2016; Messi foi o vencedor do prêmio (Olivier Morin – 11.jan.2016/AFP)

Os títulos do Real Madrid no Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, e na Liga dos Campeões da Europa, em junho, o colocam como o virtual vencedor tanto do prêmio da Fifa (“The Best”), em outubro, como do da revista “France Football” (a tradicional Bola de Ouro, entregue desde 1956), em dezembro.

Nessas duas conquistas, o CR7 brilhou na reta final – e especialmente na decisão das duas competições. Não tem como perder.

Cristiano Ronaldo até tenta, às vezes, colocar os interesses do clube acima dos seus.

Quando diz isso, entretanto, é difícil acreditar piamente. Pois sabe-se que, narcisista que é, ele ama estar no centro das atenções e almeja quebrar seguidamente recordes e mais recordes individuais. Enfim, ser o melhor, sempre.

E, concordando ou não com esse estilo, há de respeitá-lo, afinal ele se sente bem sendo assim – e treina muito, talvez mais que todos, para chegar a seus objetivos.

Quem ao seu redor não estiver satisfeito que se afaste. Vale o velho ditado: “Os incomodados que se mudem”.

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Porém Cristiano Ronaldo não vive em uma ilha, apesar de ter nascido em uma ilha (a Ilha da Madeira).

Ele tem a ciência de que precisa dos seus companheiros para torná-lo o melhor do mundo – afinal, a bola precisa chegar até ele, de preferência bem redonda.

E também sabe que precisa de outros jogadores atuando em altíssimo nível, em clubes concorrentes, para mantê-lo motivado a estar sempre no ápice, a fim de superá-los.

“Essa é a minha motivação: ser melhor que eles, ano após ano”, declarou o português à ESPN durante uma visita à China para cumprir compromissos publicitários.

Na lista dos que estão nesse patamar, na elite que o desafia, Cristiano Ronaldo mencionou quatro, e o primeiro nome a sair de sua boca não foi o de Messi.

“Luto com Neymar, com Messi, com Lewandowski (Bayern), com Higuaín (Juventus), com os melhores do mundo. É uma luta saudável. Para ser o melhor.”

Cristiano Ronaldo posa em Xangai, na China, país que visita para participar de eventos como garoto-propaganda (Reprodução/Instagram de Cristiano Ronaldo)

Neymar em primeiro na lista de Cristiano Ronaldo, e não Messi… O francês Griezmann, jogando um excelente futebol no Atlético de Madri há pelo menos dois anos, nem lembrado foi.

É curioso o CR7 alçar Neymar ao mesmo nível dos demais, pois, diferentemente dos outros, o brasileiro não tem sido recentemente um superartilheiro – desde que chegou à Europa, esteve quase sempre à sombra de Messi e várias vezes até com menos cartaz que outro colega de Barcelona, o uruguaio Luis Suárez (que ganhou a Chuteira de Ouro em 2015/2016).

Estará Cristiano Ronaldo sob a influência dos holofotes da fama que se direcionam a Neymar desde a semana passada, quando se iniciaram os rumores que indicam que o brasuca trocará o Barça pelo francês PSG? (A transação, caso concretizada, será a mais cara da história do futebol – 222 milhões de euros.)

Talvez, já que na comparação com a temporada 2014/2015, quando foi finalista da Bola de Ouro da Fifa (o prêmio ainda era unificado), e 2015/2016, Neymar decaiu individualmente, em termos gerais, na de 2016/2017. Pelo Barcelona, é adequado frisar, mesmo tendo um feito um jogo espetacular na Liga dos Campeões, o 6 a 1 no PSG que agora o deseja.

Pois pelo Brasil Neymar foi o capitão da seleção olímpica que obteve o inédito ouro olímpico na Rio-2016 e atuou muito bem nas partidas das eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

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Enfim, na prática, a realidade, ao menos por ora, é a mesma há quase dez anos. Cristiano Ronaldo tem um único adversário na disputa pelo reinado do mundo da bola.

E seu nome é Lionel Messi.

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