Rede social se torna vitrine para campeão mundial pedir emprego e prolongar carreira

Por Luís Curro

Em um mundo em crescente globalização e conexão, já faz algum tempo a internet é uma ferramenta considerada poderosa na procura por empregos (sendo o interessado um trabalhador) ou por empregados (sendo o interessado um empresário).

Há quase um ano, a federação de futebol da Bélgica anunciou em seu site que buscava um treinador para comandar a seleção do país.

Alguns dias depois, o espanhol Roberto Martínez (ex-Swansea, Wigan e Everton) assumiu a função.

Neste ano, a federação da África do Sul informou ter recebido mais de 60 requerimentos de interessados no cargo de técnico da equipe nacional.

Não é preciso dizer que, em um planeta informatizado, a maior parte dos interessados (entre os quais figuravam os italianos Roberto Mancini e Gionanni Trapattoni e os alemães Lothar Matthäus e Bernd Schuster), senão todos, enviou a pretensão e o currículo por e-mail.

O escolhido para comandar os Bafana Bafana (Garotos) foi o inglês Stuart Baxter, que dirigia o SuperSport United, uma das equipes do Campeonato Sul-Africano.

O certo é que, quando há uma oferta de emprego pululando, o candidato dá as caras. Quando não há, é preciso fazer o mercado enxergar que você existe.

E essa é a estratégia de um campeão do mundo – com a Itália, na Alemanha-2006.

Zaccardo (dir.), com Totti, em treino da Itália em Duisburg (Alemanha) na Copa do Mundo de 2006 (Patrick Hertzog – 30.jun.2006/AFP)

Aos 35 anos, Cristian Zaccardo estava no Vicenza. Com o rebaixamento do clube neste ano para a Série C italiana, ele optou por rescindir o contrato.

Afinal, para quem ergueu a Taça Fifa 11 anos atrás (era reserva de Zambrotta na lateral direita), chegando ao topo do mundo da bola, vislumbrar a aproximação do fim da carreira na terceira divisão não parecia muito atraente ou empolgante.

Só que ir para onde? Sem uma alternativa imediata oferecida pela agência que administra sua carreira (ou sem uma que o tenha agradado), decidiu procurar emprego por conta própria.

E recorreu a uma rede social para isso.

Em sua página no LinkedIn (rede especializada em relacionamentos profissionais), Zaccardo deixou a mesma mensagem, em italiano e em inglês, nesta segunda (17).

“Cancelei meu contrato com o Vicenza, que iria até julho de 2018… Sou um jogador de futebol livre… Eu ainda estou bem fisicamente e poderia jogar mais dois anos em alto nível… Quem poderá me oferecer uma proposta… Jogador profissional sério e forte.”

O lateral, atualmente sem clube, disputa bola com o francês Trezeguet (à dir.) em jogo beneficente em Nice, na França (Eric Gaillard – 17.jun.2017/Reuters)

Abaixo do texto, Zaccardo (que defendeu clubes como Milan, Palermo, Bologna, Parma e Wolfsburg-ALE) apresentou números de sua carreira, como a quantidade de jogos e de gols marcados na Séria A italiana (381 e 22) e na Squadra Azzurra (17 e 1), entre outros.

Ele espera que um de seus 4.618 seguidores na rede social lhe dê um caminho a seguir.

Vai que um deles é a Juventus, atual hexacampeã nacional… que deve estar à procura de um reforço para a lateral direita depois da saída de Daniel Alves, que se transferiu para o Paris Saint-Germain.

Brincadeira à parte (é improvável que a Juventus seja sua seguidora e extremamente improvável que o contrate), o fato de Zaccardi ter sido campeão do mundo pode, sim, ajudá-lo a se recolocar. Se não conseguir espaço na Série A, ao menos na Série B ele tem condição de jogar.