Rival do Corinthians trata cada vitória como a conquista de uma Copa do Mundo

Por Luís Curro

A Copa Sul-Americana, segundo torneio em importância no continente, dá nesta semana a partida em sua segunda fase, que conta com a participação de seis times brasileiros entre os 32 que duelam em confrontos eliminatórios em ida e volta.

Dentre esses seis, há três considerados grandes no país, não só pela tradição mas pela quantidade de títulos importantes conquistados: Corinthians, Flamengo e Fluminense. Também estão na disputa Sport, Chapecoense e Ponte Preta. Na primeira fase, caíram São Paulo e Cruzeiro.

Ao observar os adversários deles, o que mais me chamou a atenção foi o do Corinthians. Que é o Patriotas Boyacá, da cidade de Tunja, localizada a cerca de 120 quilômetros de Bogotá, a capital da Colômbia.

E por quê? Porque é um clube desconhecido dos brasileiros. O Patriotas é uma novidade nesta Sul-Americana, até porque é a primeira vez que disputa uma competição internacional em seus 14 anos de vida.

Jogadores do Patriotas posam antes do jogo contra o Everton, do Chile, no estádio La Independencia, em Tunja, na Colômbia (Luis Acosta – 30.mai.2017/AFP)

Um clube muito jovem, ainda adolescente, que terminou o Torneio Apertura (um dos dois campeonatos nacionais que a Colômbia realiza por ano; o outro é o Clausura), encerrado neste mês, na modesta 11ª posição entre 20 times.

Fundado em fevereiro de 2003, o Patriotas tem apenas 14 anos, um imenso contraste se comparado ao centenário Corinthians, que existe desde setembro de 1910.

E, afora a juventude, sabe-se muito pouco do adversário do líder do Brasileiro, que nesta quarta (28), às 21h45 (horário de Brasília), entrará pela primeira vez no estádio La Independencia, com capacidade para 21 mil torcedores.

Na imprensa colombiana, o noticiário sobre o Patriotas é escasso.

O que se sabe é que, na primeira rodada da competição, o time eliminou o Everton, do Chile, nos pênaltis, depois de perder de 1 a 0 fora e ganhar pelo mesmo placar em casa.

O site oficial do clube está desatualizado e traz informações mínimas, sendo que absolutamente nada a respeito da história da equipe.

O que há lá, no site, de mais interessante é um texto de seis parágrafos e 25 linhas intitulado “Manifiesto Patriota”. Uma espécie de mantra a ser seguido pelos torcedores do time.

O Manifesto Patriota (Reprodução/Site do Patriotas Boyacá)

Há alguns trechos dignos de registro.

O primeiro: “As vitórias nos fazem alcançar o céu. Festejamos nossas conquistas como se tivéssemos ganhado a Copa do Mundo e não precisamos de dois títulos por ano para ficarmos satisfeitos”.

Há um recado à suposta fome de conquistas dos grandes do país, como Atlético Nacional, Millonarios e América de Cali.

E, pelo jeito, as “nossas conquistas” são a vitória em cada jogo mesmo, já que o time jamais ganhou um título, nem da segunda divisão.

O segundo: “Não podemos contratar grandes estrelas, mas damos conta com aqueles que sabemos que darão de tudo em campo, pois acreditamos em seu profissionalismo e lealdade. Cremos que são capazes de defender nossas cores contra qualquer adversário”.

Não é contra qualquer adversário que as cores são defendidas com sucesso, longe disso.

Porém neste ano são dez vitórias, dez empates e oito derrotas – apenas duas delas em casa, e ambas por 1 a 0.

O que se conclui disso?

Que, contra o Corinthians, que encara o confronto como mais um em sua história, o Patriotas jogará duas finais de Copa do Mundo; e que, contra o Patriotas, o Corinthians não pode entrar no jogo de ida pensando que será barbada – o retrospecto dá o alerta.