Copa das Confederações tem Alemanha jovem e Portugal sem herói da Eurocopa

Por Luís Curro

A contagem regressiva já começou. Falta menos de um ano para a Copa do Mundo da Rússia, que começa no dia 14 de junho de 2018.

É a hora também da Copa das Confederações, competição que serve para o país-sede testar as arenas, a infraestrutura, a tecnologia e a segurança, entre outros itens organizacionais.

Em campo a partir deste sábado (17), oito seleções buscarão o título de um torneio que traz consigo uma espécie de maldição: jamais seu ganhador conseguiu, na sequência, ser campeão mundial. Mais recentemente, ocorreu com o Brasil, vencedor em 2005, 2009 e 2013.

Desta vez, na oitava edição do torneio, o Brasil, maior vencedor (quatro vezes), não participa. Representará a América do Sul o Chile, vencedor da Copa América de 2015 – ganhou também a de 2016.

Também participam Rússia (país-sede), Alemanha (campeã mundial), Portugal (campeão europeu), México (campeão das Américas do Norte e Central e Caribe), Nova Zelândia (campeã da Oceania), Camarões (campeão africano) e Austrália (campeã asiática) – eis uma anomalia, já que a Austrália, apesar de estar geograficamente na Oceania, integra a Confederação da Ásia.

O Grupo A tem Portugal, Rússia, México e Nova Zelândia. O B, Alemanha, Chile, Camarões e Austrália.

Os favoritos são alemães, portugueses e chilenos, com russos (pelo fator casa) e mexicanos como forças secundárias. Qualquer outro resultado será uma grande zebra.

Eis um breve comentário sobre cada participante:

O treinador da Alemanha, Joachoim Löw, aolado do meio-campista Goretzka, de 22 anos, em Keltersbach (Alemanha), na preparação da equipe para a Copa das Confederações (Daniel Roland – 13.jun.2017/AFP)

Alemanha

O treinador Joachin Löw deu folga a figurões como Neuer, Hummels, Boateng, Kroos, Özil e Thomas Müller, todos campeões mundiais no Brasil há dois anos, e dará oportunidade à juventude que desponta. A média de idade do time é de 23 anos. É uma geração promissora, com destaque para o lateral-zagueiro-volante Kimmich (Bayern de Munique), o meia-atacante Draxler (PSG) e o atacante Sané (Manchester City).

Técnico: Joachin Löw (alemão), desde 2006

Ranking da Fifa: 3º

Primeiro jogo: Austrália (segunda, dia 19, às 12h)

Camarões

Os Leões Indomáveis, que já fizeram Copas do Mundo memoráveis (saíram invictos da de 1982, na Espanha, e chegaram às quartas de final em 1990, na Itália), surpreendendo a todos, só farão bonito nesta Copa da Confederações se surpreenderem novamente. Ocorreu na Copa das Nações Africanas deste ano, pois a vitória não era esperada. Seu jogador mais perigoso é o atacante Aboubakar, de 25 anos, que pertence ao Porto.

Técnico: Hugo Broos (belga), desde 2016

Ranking da Fifa: 32º

Primeiro jogo: Chile (domingo, dia 18, 15h)

Austrália

O veterano meia Tim Cahill, de 37 anos, é o nome mais conhecido do time. Já jogou na Inglaterra, nos EUA e na China e voltou no ano passado ao seu país (defende o Melbourne City). Os australianos têm muita disposição e organização tática, porém a limitação técnica é enorme, como se viu no amistoso de terça (13) contra a seleção brasileira (derrota por 4 a 0). Deve lutar com Camarões para não terminar o grupo na lanterna.

Técnico: Angelos Postecoglou (grego com cidadania australiana), desde 2013

Ranking da Fifa: 48º

Primeiro jogo: Alemanha (segunda, dia 19, às 12h)

Principal jogador do Chile, o atacante Alexis Sánchez, que defende o Arsenal (Inglaterra), durante treino dos chilenos em Moscou (Maxim Shemetov – 8.jun.2017/Reuters)

Chile

O entrosamento do atual bicampeão da Copa América é o maior trunfo dos chilenos. O técnico Pizzi tem à disposição todos os jogadores que atuaram contra a Argentina, triunfando nos pênaltis, na decisão da Copa América Centenário, em 2016, nos Estados Unidos. O craque do time é Alexis Sánchez, que vem de sua temporada mais artilheira pelo Arsenal – marcou 24 gols em 38 partidas no Campeonato Inglês.

Técnico: Juan Antonio Pizzi (argentino com cidadania espanhola), desde 2016

Ranking da Fifa: 4º

Primeiro jogo: Camarões (domingo, dia 18, 15h)

Portugal

Liderado pelo supercraque Cristiano Ronaldo, Portugal tem seu primeiro grande teste depois de ganhar de forma inédita a Eurocopa de 2016, derrotando a anfitriã França na final. O herói da conquista, contudo, estará ausente. O atacante Éder, de 29 anos, que fez o gol do título na prorrogação, não foi convocado pelo treinador Fernando Santos, que preferiu o jovem André Silva, 21, recém-contratado pelo Milan.

Técnico: Fernando Santos (português), desde 2014

Ranking da Fifa: 8º

Primeiro jogo: México (domingo, dia 18, 12h)

Cristiano Ronaldo, astro do Real Madrid, em momento de bom humor durante treino da seleção lusa em Oeiras (Portugal) para a competição na Rússia Patricia de Melo Moreira – 14.jun.2017/AFP)

Rússia

O fator casa é o maior trunfo da Rússia, que já faz tempo não demonstra um futebol convincente – caiu na primeira fase nas Eurocopas de 2012 e 2016 e na Copa do Mundo de 2014, não tendo se classificado para a de 2010. Todos os 23 atletas atuam no Campeonato Russo, e há um brasileiro no elenco, o goleiro Guilherme Marinato, cria do Atlético-PR que atua do Lokomotiv Moscou faz dez anos. Ele, contudo, é reserva na seleção.

Técnico: Stanislav Cherchesov (russo), desde 2016

Ranking da Fifa: 63º

Primeiro jogo: Nova Zelândia (sábado, dia 17, 12h)

México

O México é comandado por Juan Carlos Osorio, que deixou o São Paulo com o intuito de realizar o sonho de ir a uma Copa do Mundo. Está perto disso, pois a equipe lidera as eliminatórias da Concacaf. Com Osorio, o México, entre amistosos e jogos oficiais, atuou 26 vezes, com 20 vitórias, 4 empates e só 2 derrotas – uma delas, um humilhante 7 a 0 para o Chile que resultou na eliminação da Copa América-2016.

Técnico: Juan Carlos Osorio (colombiano), desde 2015

Ranking da Fifa: 17º

Primeiro jogo: Portugal (domingo, dia 18, 12h)

Nova Zelândia

Minhas eternas memórias da equipe neozelandesa serão da derrota por 4 a 0 para o Brasil na primeira fase da Copa de 1982, na Espanha, com gols de Zico (2), Falcão e Serginho Chulapa. Depois desse Mundial, a Nova Zelândia, de futebol frágil, voltou a uma Copa em 2010 (África do Sul) e não fez feio (caiu na 1ª fase invicta, com três empates). Nesta Copa das Confederações, porém, não deve fazer mais que figuração.

Técnico: Anthony Hudson (americano com cidadania inglesa), desde 2014

Ranking da Fifa: 96º

Primeiro jogo: Rússia (sábado, dia 17, 12h)

Em tempo 1: Os campeões da Copa das Confederações são, em ordem cronológica, Brasil (1997), México (1999), França (2001), França (2003), Brasil (2005), Brasil (2009) e Brasil (2013).

Em tempo 2: Band (canal aberto) e SporTV (fechado) exibem os jogos da Copa das Confederações deste ano.