Paixão clubística assemelha-se ao amor romântico, aponta estudo português

Por Luís Curro

Estudo feito por pesquisadores da Universidade de Coimbra aponta que a paixão que os torcedores de futebol sentem é similar ao de uma pessoa apaixonada.

Miguel Castelo-Branco, Catarina Duarte e Ricardo Cayolla, do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde da universidade portuguesa, realizaram por três anos investigações com fãs, em sua maioria do Porto (primeira divisão) e da Acadêmica (segunda divisão).

Cinquenta e seis torcedores (54 homens e duas mulheres), com idades de 21 a 60 anos, passaram por testes psicológicos, que, de acordo com os cientistas, puderam medir as atividades do cérebro.

Segundo divulgou a universidade, eles foram expostos a vídeos emocionalmente intensos, quer positivos, negativos ou neutros.

Torcedores da Espanha se beijam em Kiev (Ucrânia) ao assistir à final da Eurocopa de 2012, contra a Itália (Gleb Garanich – 1º.jul.2012/Reuters)

“Foi observada a ativação de circuitos cerebrais de recompensa que são semelhantes aos que são ativados na experiência do amor romântico”, afirma Castelo-Branco, coordenador da pesquisa. “Em particular, os circuitos de memória emocional são mais recrutados pelas experiências positivas do que pelas negativas.”

De acordo com o pesquisador, a paixão, identificada em um gol, uma boa jogada ou uma vitória – que ativam a liberação de dopamina, substância que estimula o sistema nervoso central e  afeta o estado de humor da pessoa –, tende a prevalecer sobre os conteúdos mais negativos, como a derrota, que tendem a ser suprimidos da memória emocional. “O cérebro parece ter mecanismos de proteção contra memórias suscetíveis de levar ao ódio.”

“Curiosamente, quanto maior o escore de paixão clubística medida psicologicamente, maior é a atividade em certas regiões do cérebro associadas a emoções, algumas semelhantes às envolvidas no amor romântico”, conclui ele.

Em tempo: No próximo estudo, a intenção dos pesquisadores da universidade é ir mais a fundo no tema, fazendo ao público-alvo a seguinte pergunta: “Você prefere ir sozinho a um jogo de futebol ou com seu parceiro(a) ao cinema?”. Será interessante saber o resultado.