Final da Liga dos Campeões deve definir também o melhor jogador de 2017

Por Luís Curro

Ainda estamos em junho, mas a decisão da Liga dos Campeões da Europa, é quase certo, determinará quem será o melhor jogador do mundo deste ano.

Neste sábado (3), às 15h45 (horário de Brasília), Real Madrid e Juventus duelam em Cardiff (País de Gales) pelo título de melhor time do velho continente.

O atacante Cristiano Ronaldo, de 32 anos, uma máquina de fazer gols, do lado espanhol; o goleiro Buffon, de 39 anos, uma muralha sob as traves, do lado italiano. Cada um, o principal nome de sua equipe.

O português Cristiano Ronaldo vibra depois de o Real Madrid obter a vaga na decisão da Champions League, mesmo com derrota por 2 a 1 para o Atlético de Madri (Gerard Julien – 10.mai.2017/AFP)

A performance de ambos na partida no Millennium Stadium deve definir quem os eleitores da Fifa, responsável pelo prêmio “The Best”, e da revista “France Football”, que entrega a cobiçada Bola de Ouro, escolherão como o grande jogador de 2017.

Isso porque o peso da badalada Champions League na definição do ganhador desses troféus é considerável.

De 2010 a 2015, quando Fifa e “France Football” firmaram parceria e o prêmio de melhor do mundo esteve unificado, três das Bolas de Ouro foram entregues a um jogador do time que ganhou a competição: Messi, do Barcelona, em 2011 e 2015, e Cristiano Ronaldo, com o Real, em 2014.

No ano passado, houve a cisão, e a Fifa criou o seu “The Best”. O CR7 faturou o troféu e também a Bola de Ouro – o vencedor da Champions de 2016 foi o Real Madrid.

Nas edições de 2007, 2008 e 2009, quem levou os dois prêmios (da Fifa e da “France Football”) foram jogadores das equipes campeãs do principal interclubes da Europa. O brasileiro Kaká (Milan), Cristiano Ronaldo (Manchester United) e Messi (Barcelona).

As exceções nos últimos dez anos ocorreram em 2010 (Inter de Milão campeã, Messi eleito), 2012 (Chelsea campeão, Cristiano Ronaldo eleito) e 2013 (Bayern de Munique campeão, Cristiano Ronaldo eleito). Por quê? Porque Messi e o CR7 são quem eles são. Jogadores megaespetaculares, anos-luz à frente da concorrência.

O que me leva a crer que, caso o Real Madrid conquiste a Liga dos Campeões pela 12ª vez em sua história (é o maior vencedor), Cristiano Ronaldo será aclamado pela quinta vez o melhor do planeta – a Fifa dará seu prêmio no dia 23 de outubro, e a “France Football” faz a cerimônia de entrega da Bola de Ouro em dezembro.

O português já fez dez gols nesta edição da Champions, foi o principal nome do Real na conquista do Campeonato Espanhol, amealhou o Mundial de Clubes da Fifa em dezembro (marcando três gols na final) e tem um carisma que é difícil de igualar – o que também conta na hora de ganhar votos nas eleições.

Buffon, o veterano capitão da Juve, tem chance de concorrer com o CR7?

O italiano Gianluigi Buffon, goleiro da Juventus, celebra a vitória por 2 a 1 sobre o Monaco-FRA, em Turim, que classificou o time para a decisão da Liga dos Campeões (Valery Hache – 9.mai.2017/AFP)

Sim, desde que a Juventus seja vitoriosa na final (o clube tem dois títulos da Champions) e ele tenha uma atuação memorável, com defesas incríveis e, preferencialmente, sem tomar gol. Nesta Liga dos Campeões, aliás, Buffon só levou 3 gols em 12 partidas – nos mata-matas, foi vazado uma única vez.

Chegar ao topo da Europa com o clube que defende desde 2001, e depois ser aclamado como o melhor futebolista do planeta, coroaria a carreira vitoriosa de um dos melhores goleiros de todos os tempos, que inclui a conquista da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, com a Squadra Azzurra e oito títulos do Campeonato Italiano com a Velha Senhora (apelido da Juve), seis deles consecutivos (2012 a 2017).

Alguém mais, além de Cristiano Ronaldo e de Buffon, tem chance de ser o nome do futebol nesta temporada?

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Sempre há Messi, que continua deslumbrante. Terminou o Campeonato Espanhol com 37 gols, 12 a mais que Cristiano Ronaldo e a melhor marca de todos os nacionais da Europa.

Nesta Champions, o argentino somou 11 gols. Faltou, entretanto, brilhar nas quartas de final – o Barcelona parou na Juve de Buffon (0 a 3 na Itália, 0 a 0 na Espanha).

Fora Messi, algum outro?

Não, a não ser que na decisão da Champions os argentinos Dybala e Higuaín, ambos da Juventus, de temporadas ótimas mas sem a portentosidade de Buffon, marquem três ou quatro gols, fazendo o jogo da vida. Aí viram candidatos.

Em tempo 1: Para o leitor não tão esclarecido, é relevante informar quem vota nas eleições de melhor do mundo. Na da Fifa, os treinadores das seleções, os capitães das seleções, jornalistas especializados e o público (pelo site da entidade) – o peso de cada um é de 25%. Na da “France Football”, apenas jornalistas esportivos.

Em tempo 2: A partir deste ano, a Fifa decidiu que o seu melhor do mundo será o atleta que mais se destacou na temporada – neste caso, a de 2016/2017 – e não mais na maior parte do ano em curso. O período de avaliação para a escolha do melhor futebolista do ano passado foi de novembro de 2015 até novembro de 2016. O próximo escolhido será avaliado de agosto de 2016 a julho de 2017. De acordo com a entidade máxima do futebol, a modificação ocorre para respeitar o que ela chama de “ano real do futebol”. “A temporada começa na maior parte dos países em agosto e termina em junho/julho”, afirmou a “O Mundo é uma Bola” Giovanni Marti, do departamento de relações com a mídia da Fifa. Ele acrescentou: “Sabemos que há campeonatos em alguns países que acabam em novembro/dezembro. As edições anteriores (da premiação de melhor do mundo) nos mostraram que não há candidatos desses países. Se isso mudar, nós revisaremos o regulamento.”