Neymar fecha temporada em alta, porém longe do melhor desempenho no Barcelona

Por Luís Curro

Com a conquista da Copa do Rei, Neymar encerrou em alta sua quarta temporada no Barcelona.

Na decisão da competição, no sábado (27), em Madri, o melhor jogador brasileiro em atividade (já há alguns anos) marcou o segundo gol na vitória por 3 a 1 sobre o Alavés e deu o passe para Messi abrir o placar.

Ao fazer gol em três finais consecutivas de Copa do Rei, Neymar obteve um grande feito: igualou-se a Ferenc Puskás, uma das lendas do futebol. Pelo Real Madrid, o húngaro marcou nas decisões de 1960, 1961 e 1962.

Duas semanas atrás, o ex-santista declarou que esta vinha sendo sua melhor temporada desde a chegada, em meados de 2013, à equipe da Catalunha.

Não me cabe contestar o que Neymar sente. Porém é possível analisar se, pelas conquistas coletivas e individuais, a afirmação se sustenta.

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Neymar, hoje com 25 anos, ainda não ganhou nenhum prêmio de melhor do mundo. Em 2016/2017, o vencedor, tanto do troféu da Fifa como da Bola de Ouro (da revista “France Football”), foi Cristiano Ronaldo.

Escrevo “ainda” porque, caso continue a atuar em altíssimo nível e torne-se protagonista no Barcelona (ou em outro clube de primeira linha), ser o melhor do mundo será inevitável. Mas, enquanto estiver à sombra de Messi e do CR7, não ganhará.

O argentino, artilheiro do Campeonato Espanhol com 37 gols, o que lhe rendeu a Chuteira de Ouro na Europa (prêmio para o principal artilheiro das ligas nacionais do continente) e o português, campeão espanhol, campeão do mundo e finalista da Liga dos Campeões da Europa (encara a italiana Juventus no próximo sábado, dia 3 de junho), continuam à frente dos demais.

Em número de títulos, esta temporada não foi a mais profícua para Neymar.

Além da Copa do Rei, o Barcelona ganhou a Supercopa da Espanha, superando o Sevilla em agosto de 2016. Em 2014/2015, o time venceu Campeonato Espanhol, Liga dos Campeões da Europa e Copa do Rei. Em 2015/2016, Mundial de Clubes, Campeonato Espanhol, Copa do Rei e Supercopa da Europa.

Neymar não atuou nos dois jogos da decisão da Supercopa da Espanha pois estava com a seleção olímpica. E aqui está um ótimo motivo para que ele considere a temporada sua melhor.

O atacante capitaneou o Brasil campeão na Olimpíada do Rio, com vitória sobre a Alemanha, nos pênaltis, no Maracanã lotado. Fez o gol da seleção no 1 a 1, cobrando falta, e bateu o pênalti decisivo na disputa das penalidades máximas. Nunca o Brasil tinha sido ouro em Jogos Olímpicos.

Isso é fazer história.

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Também pelo Brasil, mas com a seleção adulta, Neymar obteve a classificação para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. É peça fundamental no time de Tite.

Nas estatísticas individuais com o Barcelona, ele terminou 2016/2017 com 20 gols e 21 assistências, em 45 jogos (por Espanhol, Copa do Rei e Champions League).

Eis a comparação com outras temporadas, considerando as mesmas competições e também Supercopa da Espanha (jogou em 2013/2014) e Mundial de Clubes (jogou em 2015), conforme levantamento de “O Mundo é uma Bola”:

  • 2013/2014 – Gols: 15. Assistências: 11. Jogos: 41. Minutos em campo: 2.842.
  • 2014/2015 – Gols: 39. Assistências: 9. Jogos: 52. Minutos em campo: 4.191.
  • 2015/2016 – Gols: 31. Assistências: 18. Jogos: 48. Minutos em campo: 4.347.
  • 2016/2017 – Gols: 20. Assistências: 21. Jogos: 45. Minutos em campo: 3.971.

Esses números mostram que, em termos absolutos, Neymar foi mais garçom do que nunca (um passe para gol a cada 189 minutos, em média), porém balançou a rede quase 50% menos que duas temporadas atrás e 35% menos que na temporada passada.

Em 2016/2017, Neymar fez um gol a cada 198 minutos, em média. Em 2014/2015, ele levava 107 minutos para balançar a rede. Em 2015/2016, 140 minutos. Até em 2013/2014, quando jogou bem menos tempo, ele mostrou-se mais eficiente: um gol a cada 189 minutos.

Há duas temporadas, o camisa 11 foi um dos artilheiros da Champions League ganha pelo Barcelona (junto com Messi e com Cristiano Ronaldo), com 10 gols em 12 partidas. Seu desempenho o fez terminar em terceiro lugar na premiação de melhor jogador do mundo de 2015 (à época unificada por Fifa e “France Football”), atrás somente do argentino e do português.

Na atual Liga dos Campeões, na qual o Barça caiu nas quartas de final, marcou quatro gols em nove jogos. É certo, está alijado da disputa pelos prêmios de melhor do mundo.

Desconsiderando a seleção brasileira, não há dúvida de que a temporada 2014/2015, e não esta, foi a melhor da carreira de Neymar depois do desembarque em Barcelona.

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Em tempo: A constatação de Neymar de que a temporada 2016/2017 é a melhor de sua vida, além da performance muito positiva com a seleção brasileira, certamente tem influência do 6 a 1 que o Barcelona aplicou no Paris Saint-Germain no jogo de volta das oitavas de final da Champions League, no dia 8 de março. Com dois gols e uma assistência nos últimos oito minutos da partida no Camp Nou (cinco desses minutos foram de acréscimos), o brasileiro comandou a improvável reação do Barça, que obteve o resultado necessário para se classificar. Um jogo épico, que será lembrado por gerações – inclusive pela polêmica relacionada à arbitragem, que errou e ajudou o time espanhol.