Clube sueco ameaça suspender os ‘cai-cai’ do time

Por Luís Curro

As simulações nos jogos de futebol, com o intuito de iludir a arbitragem, estão crescendo ou é impressão minha?

Em várias partidas, no Brasil ou no exterior, há uma ou mais jogadas em que um jogador (ou mais de um) tenta levar vantagem indevida sobre o adversário ao fingir ter sofrido uma falta ou ter sido agredido em lance sem a bola.

Uma das práticas mais comuns, que não é nenhuma novidade, é o “cai-cai” na área do time adversário.

Em vez de tentar fazer o gol, o futebolista prefere desistir de progredir e se atira, estando um marcador próximo a ele, em lance de corpo a corpo, com o intuito de faturar um pênalti.

Um atitude nada ética, antiesportiva, vil.

Neymar na jogada com o belga Meunier, do PSG, em que a arbitragem marcou pênalti para o Barcelona, em partida da Champions League (Josep Lago – 8.mar.2017/AFP)

Porém não é raro o árbitro ser ludibriado, já que a simulação é muito bem-feita. Há jogadores que deveriam estar nos palcos de teatro e não no campo de futebol.

Na Suécia, um clube decidiu dar um basta na cara de pau e punir atletas-atores.

Ao reapresentar uma espécie de código de conduta (lançado em dezembro passado), o Östers IF, da segunda divisão do país nórdico, avisou que suspenderá o jogador da equipe que tentar tirar alguma vantagem trapaceando.

A norma ganhou os holofotes poucos dias depois da histórica goleada do Barcelona contra o Paris Saint-Germain, por 6 a 1, no Camp Nou, no mês passado, que classificou o time espanhol para as quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

“Ela (a medida) se aplica primordialmente nas situações em que alguém tenta obter um pênalti sem ter havido contato”, afirmou Johan Lindberg, membro do conselho do Östers, clube sediado na cidade de Växjö, ao jornal digital “The Local”.

Nesse Barcelona x PSG, em que o Barça fez o sexto e necessário gol nos acréscimos do segundo tempo, Neymar e Suárez foram acusados de cavar um pênalti cada um – ambas as penalidades resultaram em gol.

Eu não marcaria nenhum desses pênaltis, a meu ver tanto o brasileiro como o uruguaio se jogaram.

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“A questão vai muito além da simples simulação”, disse Lindberg. “Queremos promover o bom-caratismo, tanto na base como na elite. Se pudermos ajudar nossos jogadores nesse sentido, crescem as chances de ele se transferir para um clube maior, assim como as chances de ganharmos dinheiro. Fortalece a imagem do jogador e do time.”

Assim, se Neymar ou Suárez hipoteticamente se tornassem jogadores do Östers e voltassem a se valer do “cai-cai”, seriam punidos pelo próprio clube, por desonestidade.

É uma medida interessante e inovadora, que precisa ser colocada em prática pela equipe sueca para servir de exemplo (não ficando apenas no papel) e que poderia ser imitada pelos demais clubes, no Brasil e no exterior.

Só que me surpreenderia se acontecesse.  Ainda vivemos, e não só no futebol, em um mundo em que a falcatrua, apesar de malvista, é amplamente tolerada.

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Em tempo: Neymar e Suárez são craques, estão muito longe de precisar recorrer a artimanhas para suplantar os adversários. Tento entender a razão de, vez ou outra, recorrerem a simulações. Teriam algum (in)explicável prazer nisso, em obter vantagem ilícita? Seria algum distúrbio de cunho psicológico? Por enquanto, não tenho uma resposta. Os próprios, entretanto, a tem: questionados, sempre negarão o “cai cai”, por mais que as imagens os desmintam.