Com 3 gols contra o Uruguai, Paulinho se iguala a artilheiros da metade do século 20

Por Luís Curro
O volante Paulinho festeja um dos três gols que marcou no estádio Centenario, em Montevidéu (Natacha Pisarenko – 23.mar.2017/Associated Press)

Na convincente goleada por 4 a 1 da seleção brasileira sobre o Uruguai, nesta quinta (23), em Montevidéu, que manteve a equipe com aproveitamento de 100% sob o comando de Tite (oito vitórias em oito partidas), o homem do jogo foi Paulinho.

O volante de 28 anos marcou três dos quatro gols do Brasil na partida pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia-2018.

O primeiro, essencial, o do empate (chutando de fora da área no ângulo do goleiro Martín Silva); o segundo, também essencial, o da virada (pegando rebote de Martín Silva, na grande área, depois de finalização de Roberto Firmino); e o quarto, esse menos essencial, o da definição do placar (peitando a bola, na pequena área, após cruzamento de Daniel Alves).

Neymar anotou o terceiro do Brasil, um golaço por cobertura.

Volante que gosta de apoiar o ataque (e Tite sempre lhe deu liberdade para isso, tanto no Corinthians como na seleção), os três gols certamente tiveram um sabor especial para o cada dia mais ressuscitado Paulinho.

Desde que seu nome apareceu destacadamente no mundo da bola, ele não havia registrado um “hat-trick” (três gols em uma mesma partida). Nem pelo Corinthians, cuja camisa vestiu de 2010 a 2013, nem pelo inglês Tottenham, entre 2013 e 2015, nem pelo chinês Guangzhou Evergrande, sua equipe desde 2015.

O feito de Paulinho também o iguala a dois célebres jogadores do futebol brasileiro, ambos atacantes, até então os únicos a fazer três gols pelo Brasil contra o Uruguai em um jogo.

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O primeiro, Jair Rosa Pinto (1921-2005), é um dos grandes ídolos históricos de Palmeiras, Santos, Flamengo e Vasco.

No dia 17 de maio de 1944, em amistoso no estádio do Pacaembu, em São Paulo, Jair fez o primeiro, o terceiro e o quarto gol na goleada por 4 a 0. Heleno de Freitas, outro imortal do futebol brasileiro, marcou o segundo. O treinador da equipe era Flávio Costa.

Seis anos depois, ele atuou contra o Uruguai na derrota mais doída da história da seleção canarinho (que então vestia branco, não amarelo), o 2 a 1, de virada, no Maracanã, na decisão da Copa de 1950 – jogo conhecido como “Maracanazo”. Passou em branco.

O segundo é xará de Paulinho. Paulo Valentim (1932-1984) brilhou no Atlético-MG, no Botafogo e no argentino Boca Juniors, além de ter sido casado com a famosa Hilda Furacão.

No dia 26 de março de 1959, em partida pela primeira fase da Copa América, no estádio Monumental de Núñez, me Buenos Aires, o Brasil do técnico Vicente Feola ganhou por 3 a 1 dos uruguaios, de virada. Valentim fez os gols da seleção, todos no segundo tempo. Guillermo Escalada tinha aberto o placar.

Valentim, célebre também pela vida boêmia, nunca esteve em uma Copa do Mundo.

Em tempo 1: Escrevi “o cada dia mais ressuscitado Paulinho” porque o jogador, um dos pilares da seleção brasileira antes da Copa de 2014, decepcionou no Mundial, sob o comando de Luiz Felipe Scolari, e depois foi esquecido por Dunga, o sucessor de Felipão, que não durou dois anos, sendo demitido no meio do ano passado, depois da eliminação na Copa América Centenário. Resgatado por Tite, Paulinho recuperou seu excelente futebol, está melhor a cada jogo e, mesmo atuando fora da Europa (no milionário e contestado futebol chinês), é titular inconteste da seleção que lidera com folga as eliminatórias sul-americanas.

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Em tempo 2: Com a vitória do Brasil no Uruguai, quão perto está a seleção de se classificar para a Copa da Rússia? Muito. Então, se superar o Paraguai, na terça (28), no Itaquerão, se garante matematicamente? Não basta. Mesmo chegando a 33 pontos, vai depender dos resultados de outras partidas. Por exemplo, se o Chile (que recebe a Venezuela) e o Equador (que recebe a Colômbia) perderem, o Brasil está na Copa. Pois ambos têm 20 pontos e só poderiam chegar a 32, então o Brasil asseguraria pelo menos a quarta colocação – os quatro primeiros no qualificatório da América do Sul vão ao Mundial, e o quinto ainda tem chance em uma repescagem.