Sem Gabriel Jesus, Tite sonha com Messi, mas sua realidade é Firmino

Por Luís Curro

O técnico Tite, da seleção brasileira, tem um sério problema para as próximas partidas do Brasil pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia.

A seleção canarinho enfrentará o Uruguai daqui a três semanas, no dia 23, em Montevidéu, e cinco dias depois será mandante contra o Paraguai, no Itaquerão.

Resultados favoráveis praticamente classificam o Brasil para o Mundial de 2018.

Só que para esses confrontos o treinador não poderá contar com seu artilheiro, Gabriel Jesus.

Autor de cinco gols em seis partidas das eliminatórias – todas as que o Brasil disputou pela competição na gestão Tite, com 100% de aproveitamento –, o ex-palmeirense teve uma séria lesão no jogo do Manchester City contra o Bournemouth, pelo Campeonato Inglês, no mês passado.

Gabriel Jesus é observado por David Silva na partida do Manchester City contra o Bournemouth, quando machucou o pé (Peter Nicholls – 13.fev.2017/Reuters)

A contusão no dedo mínimo do pé exigiu intervenção cirúrgica, e Gabriel Jesus, que aos 19 anos causou um forte impacto positivo tanto na seleção como no clube inglês, ficará alguns meses longe dos gramados.

Não há um substituto à altura dele atualmente, e Tite deve estar quebrando a cabeça para decidir como montar a seleção sem o “menino Jesus”.

O ideal mesmo seria ter Messi. Cairia como uma luva no time de camisa amarela, com a vantagem de que o supercraque do Barcelola já está entrosado com Neymar.

Claro que isso é impossível, porque Messi é argentino e defende a seleção de seu país, mesmo sofrendo por não obter títulos relevantes – chegou a anunciar a aposentadoria da equipe em 2016, depois do vice-campeonato na Copa América Centenário, mas voltou atrás.

O que não impede Tite de sonhar, de ter o saudável devaneio de imaginar o atacante de 29 anos sob seu comando. “Eu gostaria que Messi tivesse nascido no Brasil”, declarou na semana passada ao jornal espanhol “AS”.

“Messi é impressionante. Sua capacidade de criação é extraordinária, fora dos padrões normais. Tem uma visão tridimensional. Consegue ver o que os outros não veem. Ele vê a jogada que faz e as duas seguintes.”

Se Messi é o sonho, a realidade de Tite e do Brasil tende a ser… Roberto Firmino.

Roberto Firmino, do Liverpool, conduz a bola em partida contra o Chelsea pelo Campeonato Inglês (Phil Noble – 31.jan.2017/Reuters)

É o atleta do Liverpool que, pela lógica (vem sendo convocado por Tite), ocupará de imediato a vaga de Gabriel Jesus no comando do ataque.

Firmino, de 25 anos, é bom jogador, mas tenho sérias dúvidas de que funcionará na função de centroavante.

Pois ele é um segundo atacante, que gosta de jogar boa parte do tempo fora da área, ocupando espaços vazios e fazendo tabelas.

Não tem a velocidade, a agudeza e a atual sede de gol de Gabriel Jesus, algo de que o Brasil precisa demais (viu, Neymar?).

A outra opção já aventada por Tite, em entrevista ao Esporte Interativo, é Diego Souza, do Sport.

Nesse caso, o meia de 31 anos, que participou no dia 25 de janeiro da vitória por 1 a 0 sobre a Colômbia em amistoso no Rio, jogaria improvisado, fazendo o “pivô”.

Sou contra. Ainda mais atuando no estádio Centenario, onde o Uruguai certamente exercerá forte pressão e o Brasil terá de contra-atacar com frequência. Será preciso velocidade, e Diego Souza é bem mais lento que Firmino.

Diego Souza, com a camisa 9 do Brasil, disputa bola com o colombiano Aguilar em amistoso no Engenhão (Sergio Moraes – 25.jan.2017/Reuters)

Outras opções? Robinho (Atlético-MG) e Dudu (Palmeiras) também estiveram na equipe que superou os colombianos. Não dá. Os dois atuam mais pelos lados (onde Lucas Moura, do PSG, em fase artilheira, joga hoje mais que ambos.)

Improvisar Neymar, tirando-o de seu habitat, a ponta esquerda, onde joga demais? É uma aposta arriscada, e nesse cenário Tite escalaria Philippe Coutinho, do Liverpool (ou Douglas Costa, do Bayern de Munique), na esquerda e Willian, do Chelsea (ou Douglas Costa), na direita.

Um centroavante de ofício, que tal? O problema é que o pé de obra anda escasso.

Nas principais ligas da Europa, nessa posição há dois que chamam a atenção nesta temporada.

Um é Willian José (25 anos, ex-São Paulo e Grêmio), da Real Sociedad.

São 11 gols em 26 partidas pelo time espanhol. Porém ele jamais vestiu a camisa da seleção brasileira adulta. E, de quebra, está machucado há três semanas, com uma lesão muscular.

Willian José comemora gol pela Real Sociedad contra o Valencia; um dos artilheiros do Campeonato Espanhol, ele está lesionado (Ander Gillenea – 10.dez.2016/AFP)

O outro é Tiquinho. Quem??? Tiquinho!

Ex-América-RN, Treze-PB, Veranópolis-RS e Pelotas-RS, tem 26 anos e joga em Portugal.

Começou a temporada no Vitória de Guimarães, marcou sete gols no campeonato, e o Porto o contratou na “janela” de transferências, em janeiro. Pelo novo time, já são cinco gols. Ele não está contundido, mas jamais vestiu a camisa do Brasil – nem nas categorias de base.

Que tal uma solução caseira?

Há o velho e bom Ricardo Oliveira, do Santos (a não ser que o leitor considere Fred e Jô, os atacantes da Copa de 2014; eu os desconsidero, para mim caíram em descrédito eterno).

Ele é rápido para a idade (36 anos), é inteligente, tem vigor físico, é aplicado taticamente e sabe fazer gols como poucos.

Fora ele, resta Luan, do Grêmio, que está recuperado de uma tendinite no joelho e logo estará em campo novamente.

Não é centroavante de ofício, mas pode fazer a função de Gabriel Jesus.

Sua vantagem em relação a Ricardo Oliveira: é bem mais jovem (23 anos), então tem mais energia. Sua desvantagem: é bem mais jovem, então falta-lhe experiência. (Mas vale lembrar que Luan já tem o ouro olímpico, como Gabriel Jesus, conquistado na Rio-2016.)

Tite fará a convocação nesta sexta (3). Espero ser surpreendido, porém não acredito que serei.

Firmino deve estar na lista e ser o favorito a vestir a camisa 9. Restará torcer por ele.