Técnico do Arsenal tem, e não tem, razão ao reclamar do calendário

Por Luís Curro

Depois de estar perdendo por 3 a 0, o Arsenal recuperou-se no terço final da partida, marcou três gols (um nos acréscimos) e empatou nesta terça (3) com o Bournemouth, como visitante.

O resultado, devido às circunstâncias (a derrota parceia consumada) foi certamente motivo de comemoração para os Gunners, que tentam faturar seu primeiro título do Campeonato Inglês desde 2004, porém após o jogo o treinador Arsène Wenger focou seu discurso no calendário, que, segundo ele, prejudicou sua equipe.

Todas as principais ligas europeias interrompem seus campeonatos no final do ano, época de festas. Na Inglaterra, contudo, e isso é uma tradição, isso não acontece.

Em um intervalo de sete ou oito dias, cada clube vai a campo três vezes – na temporada passada e nesta o espaço foi maior, nove e dez dias, respectivamente.

É uma sequência exigente, e os treinadores buscam, à medida do possível, revezar e/ou poupar os jogadores, a fim de não os exaurir fisicamente nem sujeitá-los a uma chance maior de lesão.

O francês Wenger, que dirige o time desde 1996, não reclamou apenas da série de jogos com pouco tempo para descanso (a maioria dos treinadores se queixa dela), mas da desigualdade da tabela.

E ele tem razão.

O treinador do Arsenal, Arsène Wenger, durante entrevista (Reprodução/Site do Arsenal)
O treinador do Arsenal, Arsène Wenger, durante entrevista (Reprodução/Site do Arsenal)

O Arsenal teve um dia a menos para se recuperar do que o adversário. O Bournemouth jogou no sábado (31), no País de Gales, às 13 horas (horário de Brasília), contra o Swansea (ganhou de 3 a 0).  Os Gunners entraram em campo às 14 horas (horário de Brasília) do domingo (1º), em casa, para um duelo londrino diante do Crystal Palace (venceram por 2 a 0).

Desse modo, enquanto o Arsenal teve somente um dia de respiro, o Bournemouth teve dois. Também foram prejudicados pela tabela, em situação idêntica, o Watford (do goleiro brasileiro Gomes), que acabou derrotado pelo Stoke, e o Crystal Palace, que perdeu do Swansea.

Razões comerciais, sabe-se, influenciam na confecção da tabela. A TV, lá como cá, paga altos valores, então manda e desmanda.

Disse Wenger, antes do confronto com o Bournemouth: “Temos de aceitar que a TV escolhe os jogos. Mas devo dizer que alguns times têm um pouco mais de sorte que outros”.

Não é questão de sorte.

Está claro que a tabela desfavoreceu o Arsenal, assim como Crystal Palace e Watford. O correto seria dar o mesmo tempo de recuperação para todos os times, ou, se isso não é viável, ao menos dois dias entre cada partida.

Não dá para ser assim, pois há interesses (financeiros) que falam mais alto?

Ora, a tabela está montada desde o meio do ano. Por mais que esteja certo, Wenger já sabia que seria assim. Reclamar faz parte, só que deveria ter soltado o verbo lá atrás, logo que a federação inglesa colocou o Arsenal em desvantagem.

Fazê-lo escancaradamente apenas agora não deixa de ser um ato de oportunismo, que soa como uma desculpa para um resultado indesejado, diante de uma equipe inferior no papel.

Em resumo: faltou força de bastidor para o Arsenal impedir que a tabela o castigasse.

Sem ter agido previamente para evitar essa conjuntura, resta aceitá-la, como o próprio Wenger concluiu, insatisfeito e resignado: “Complica bastante o trabalho, mas temos que fechar a boca e lidar com isso”.

Em 20 partidas na Premier League, o Arsenal soma 41 pontos, oito a menos que o líder Chelsea, que nesta quarta (4) ainda fará, após descansar três dias, o seu 20º jogo, o clássico londrino contra o Tottenham, que teve um dia a menos de folga que os Blues.

Em tempo: O centroavante Giroud foi o responsável por fazer, aos 46 minutos do 2º tempo, o gol que impediu a derrota do Arsenal no estádio Vitality, em Bournemouth. Ganhou do zagueiro Cook pelo alto e marcou de cabeça. Pelo segundo jogo consecutivo, o francês de muita raça e pouca técnica mereceu manchetes esportivas. Pois, contra o Crystal Palace, no primeiro dia deste ano, fez um “gol escorpião” que já é fortíssimo candidato ao próximo Prêmio Puskás (a ser entregue só em 2018), de mais belo gol da temporada.

Giroud festeja o gol mais bonito que já marcou, segundo ele mesmo (Reprodução/YouTube)
Giroud festeja o gol mais bonito que já marcou, segundo ele mesmo (Reprodução/YouTube)