O Nacional de Medellín é o Brasil no Mundial de Clubes

Por Luís Curro

A 13ª edição do Mundial de Clubes da Fifa começa nesta quinta (8), no Japão, com o local Kashima Antlers enfrentando o Auckland City, da Nova Zelândia, às 8h30 (horário de Brasília), com transmissão do SporTV.

O Brasil não terá um representante, a exemplo de 2014 e de 2015, mas neste ano o brasileiro que gosta de futebol certamente terá um interesse ainda maior na competição e torcerá fervorosamente pelo time sul-americano na disputa, o Atlético Nacional de Medellín.

A razão é sentimental: o clube e a Colômbia tiveram atitudes exemplares e marcantes depois do trágico acidente aéreo que vitimou a delegação da Chapecoense na terça-feira da semana passada – o voo da LaMia caiu a cerca de 50 km de Medellín e 71 pessoas morreram (houve seis sobreviventes).

O Nacional e o país, assim como o mundo, comoveram-se com o desastre, e duas atitudes bastaram para a Colômbia ganhar a simpatia e a admiração do povo brasileiro.

Primeiro, o clube abriu mão de disputar a decisão da Copa Sul-Americana e pediu à Conmebol que nomeasse a equipe de Santa catarina campeã. Nesta semana, a entidade que controla o futebol na América do Sul acatou a sugestão, e a Chapecoense, em meio a tanta dor, conquistou seu primeiro título internacional, que lhe dá uma vaga na Libertadores de 2017.

Depois, os colombianos, especialmente os moradores de Medellín, lotaram na quarta passada, um dia depois da tragédia, o estádio Atanasio Girardot, local em que seria realizada a partida, para uma emocionante cerimônia de homenagem aos mortos.

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É lógico que há quem prefira torcer por algum outro time no Mundial, especialmente porque o Real Madrid, que tem centenas de torcedores no Brasil, está no torneio. Mas estou certo de que, entre esses, boa parte não ficará arrasada, nem mesmo triste, no caso de, em uma hipotética e provável final entre as equipes, o Nacional triunfar.

Pois o triunfo do Nacional será, de certa forma, o triunfo da Chape, que, se não é o maior verdão do Brasil nas conquistas, o é no coração.

Leia também: Chape é o time brasileiro com mais sucesso internacional nos últimos dois anos 

No Mundial de Clubes, o Nacional fará sua estreia na fase semifinal, no dia 14 (quarta da semana que vem). O rival sai do duelo entre o Mamelodi Sundows, da África do Sul, e o vencedor da partida de abertura (Kashima x Auckland).

Do outro lado da chave está o Real Madrid, também semifinalista, pois o regulamento privilegia os campeões europeu e sul-americano. O time espanhol, liderado por Cristiano Ronaldo, enfrentará Jeonbuk (Coreia do Sul) ou América (México), que duelam nas quartas de final.

A seguir, um resumo dos participantes desta edição da competição – em 2015, o timaço do Barcelona ergueu a taça ao superar o River Plate.

Real Madrid (Espanha)

É o grande favorito. Além do português Cristiano Ronaldo, conta no elenco com jogadores gabaritados como Sergio Ramos, Modric, Toni Kroos, Marcelo, James Rodríguez e Benzema. A equipe, entretanto, tem um desfalque relevante: Gareth Bale teve de passar por cirurgia no tornozelo e só volta a jogar no ano que vem.

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Como se qualificou – Derrotou o Atlético de Madri nos pênaltis (5 a 3), depois do empate por 1 a 1 na partida, e ganhou a Champions League 2015-2016.

Título – 1 (2014).

Time-base – Navas; Carvajal, Varane, Sergio Ramos e Marcelo; Casemiro, Modric e Kroos; Lucas Vázquez, Benzema e Cristiano Ronaldo.

Técnico – Zinédine Zidane (França), 44 anos.

Brasileiros – Marcelo, Casemiro e Danilo.

Invencibilidade – 25 jogos (última derrota em 27 de julho, 3 a 1 para o Paris Saint-Germain, pela International Champions Cup).

Quando estreia – Quinta (15), às 8h30, em Yokohama, contra o vencedor de América x Jeonbuk.

Atlético Nacional (Colômbia)

O time de Medellín joga por uma conquista inédita para o clube e para o futebol colombiano. Será a primeira vez que uma equipe da Colômbia participa da competição da Fifa, cuja primeira edição foi realizada no ano 2000, no Brasil, com vitória do Corinthians. Caso não haja surpresa, deve disputar a decisão com o Real Madrid.

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Como se qualificou – Derrotou o Independiente del Valle, do Equador (empate por 1 a 1 fora e vitória por 1 a 0 em casa) e ganhou a Libertadores.

Títulos – 0 (estreante).

Time-base – Armani; Uribe, Aguillar, Henríquez e Díaz; Arias e Guerra; Berrio, Torres e Ibargüen; Borja.

Técnico – Reinaldo Rueda (Colômbia), 59 anos.

Brasileiros – Nenhum.

Invencibilidade – 1 jogo (última derrota em 27 de novembro, 2 a 1 para o Millonarios, pelo Campeonato Colombiano).

Quando estreia – Quarta (14), às 8h30, em Osaka, contra o vencedor de Mamelodi x Kashima ou Auckland.

Mamelodi Sundows (África do Sul)

A equipe é a que mais ganhou o campeonato de seu país (sete vezes), porém apenas neste ano conseguiu triunfar na Liga dos Campeões da África. Tem no elenco o zagueiro brasileiro Ricardo Nascimento, com passagens por pequenos clubes de Portugal nos últimos anos.

Jogadores do Mamelodi Sundowns festejam a conquista da Liga dos Campeões da África, no Egito (23.out.2016/AFP)
Jogadores do Mamelodi Sundowns festejam a conquista da Liga dos Campeões da África, no Egito (23.out.2016/AFP)

Como se qualificou – Superou o Zamalek, do Egito (vitória por 3 a 0 em casa e derrota por 1 a 0 fora) e ganhou a Liga dos Campeões da África.

Títulos – 0 (estreante).

Time-base – Onyango; Arendse, Nthethe e Langerman; Zwane, Kekana, Morena e Mabunda; Laffor e Tau; Billiat.

Técnico – Pitso Mosimane (África do Sul), 52 anos.

Brasileiro – Ricardo Nascimento.

Invencibilidade – 1 jogo (última derrota em 30 de novembro, 1 a 0 para o Ajax Cape Town, pelo Campeonato Sul-Africano.

Quando estreia – Domingo (11), às 8h30, em Osaka, contra o vencedor de Kashima x Auckland.

América (México)

O América volta pelo segundo ano consecutivo ao Mundial. Em 2015, perdeu na estreia para o Guangzhou Evergrande, da China, time dirigido por Luiz Felipe Scolari. O brasileiro William, que teve passagens por Vitória, Palmeiras, Atlético-GO, Náutico e Joinville, tem sido titular e feito gols.

Festa do América no estádio Azteca, onde superou o Tigres para vencer a Copa dos Campeões ds Concacaf (Edgard Garrido - 27.abr.2016/Reuters)
Festa do América no estádio Azteca, onde superou o Tigres para vencer a Copa dos Campeões da Concacaf (Edgard Garrido – 27.abr.2016/Reuters)

Como se qualificou – Derrotou o também mexicano Tigres, por 2 a 1, e ganhou a Copa dos Campeões da Concacaf.

Títulos – 0 (melhor participação: quarto colocado em 2006).

Time-base – Muñoz; Alvarado, Álvarez, Goltz, Pablo Aguilar, e Samudio; Ibarra, William e Peralta; Romero e Quintero.

Técnico – Ricardo La Volpe (Argentina), 64 anos.

Brasileiro – William.

Invencibilidade – 15 jogos (última derrota em 17 de setembro, 2 a 0 para o León, pelo Campeonato Mexicano).

Quando estreia – Domingo (11), às 5h, em Osaka, contra o Jeonbuk.

Jeonbuk Motors (Coreia do Sul)

Será a segunda participação do time no Mundial. Na primeira, dez anos atrás, perdeu na estreia para o América, por 1 a 0 – terá a chance da desforra agora. Dois dos três brasileiros do Jeonbuk têm marcado muitos gols: o meia-atacante Leonardo (que fez os dois gols na vitória no jogo de ida da Liga dos Campeões da Ásia) e o atacante Ricardo Lopes.

Elenco do Jeonbuk comemora o título da Liga dos Campeões da Ásia, obtido nos Emirados Árabes (Li Zhen - 26.nov.2016/Xinhua)
Elenco do Jeonbuk comemora o título da Liga dos Campeões da Ásia, obtido nos Emirados Árabes (Li Zhen – 26.nov.2016/Xinhua)

Como se qualificou – Passou pelo Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos (2 a 1 em casa e 1 a 1 fora), e ganhou a Liga dos Campeões da Ásia.

Títulos – 0 (única participação: quinto colocado em 2006).

Time-base – Kwon Soon-tae; Kim Chang-soo, Kim Hyung-il, Cho Sung-hwan e Park Won-jae; Choi Chul-soon, Kim Bo-kyung e Lee Jae-sung; Ricardo Lopes, Lee Dong-gook e Leonardo.

Técnico – Choi Kang-hee (Coreia do Sul), 57 anos.

Brasileiros – Leonardo, Ricardo Lopes e Edu.

Invencibilidade – 2 jogos (última derrota em 6 de novembro, 1 a 0 para o Seul FC, pelo Campeonato Sul-Coreano).

Quando estreia – Domingo (11), às 5h, em Osaka, contra o América.

Kashima Antlers (Japão)

O time é o maior vencedor da J-League, o Campeonato Japonês, com oito troféus. Na primeira metade dos anos 1990, teve Zico, o craque do Flamengo, defendendo suas cores, já em fim de carreira mas ainda em ótima forma. Tem no atual elenco dois brasileiros, o zagueiro Wellington Bueno e o meia Fabricio.

Masatada Ishii, treinador do Kashima Antlers, é jogado para o alto por jogadores do time após a conquista do Campeonato Japonês (Yohei Fukai - 3.dez.2016/Kyodo News via Associated Press)
Masatada Ishii, treinador do Kashima Antlers, é jogado para o alto por jogadores do time após a conquista do Campeonato Japonês (Yohei Fukai – 3.dez.2016/Kyodo News via Associated Press)

Como se qualificou – Em decisão em duas partidas, perdeu para o Urawa Red Diamonds, em casa, por 1 a 0, e depois, fora, venceu por 2 a 1 de virada, ganhando o Campeonato Japonês.

Títulos – 0 (estreante).

Time-base – Sogahata; Nishi, Hwang Seok-ho, Shoji e Yamamoto; Ogasawara, Nagaki, Endo, Doi e Shibasaki; Kanazaki.

Técnico – Masatada Ishii (Japão), 49 anos.

Brasileiros – Wellington Bueno e Fabricio.

Invencibilidade – 1 jogo (última derrota em 29 de novembro, 1 a o para o Urawa Red Diamonds, pela J-League).

Quando estreia – Quinta (8), às 8h30, em Yokohama, contra o Auckland.

Auckland City (Nova Zelândia)

O Auckland disputará o Mundial pela oitava vez, sendo esta a sexta seguida. Dominante na Oceania, o máximo que conseguiu ao defrontar clubes de outros continentes na competição foi atingir a semifinal, em 2014, sendo eliminado pelo San Lorenzo, da Argentina, na prorrogação.

Como se qualificou – Derrotou o também neozelandês Team Wellington por 3 a 0 e ganhou a Liga dos Campeões da Oceania.

Títulos – 0 (melhor participação: terceiro, em 2014).

Time-base – Zubikarai; Berlanga, Iwata e White; Spoonley; Bilen, Riera, Hudson e Tavano (Lea’alafa); De Vries, Tade e João Moreira.

Técnico – Ramon Tribulietx (Espanha), 44 anos.

Brasileiros – Nenhum.

Invencibilidade – 1 jogo (última derrota em 19 de novembro, 1 a 0 para o Wellington Phoenix, pelo Campeonato Neozelandês).

Quando estreia – Quinta (8), às 8h30, em Yokohama, contra o Kashima Antlers.