Violência da torcida do Peñarol joga o título nas mãos de arquirrival no Uruguai

Por Luís Curro

Torcida ganha jogo? Apesar de muita gente dizer que sim, é óbvio que não.

Se assim fosse, o Flamengo, clube de maior torcida no Brasil, seria campeão sempre.

O grito e o incetivo da torcida são muito importantes para ajudar o time a se impor, os atletas a ganharem confiança, o que aumenta a chance de triunfo quando o rival se equivale tecnicamente.

Mas, se o desnível de qualidade é significativo, pode a torcida ser a mais fanática e vibrante do mundo que ela não fará milagre. A equipe com mais jogadores de qualidade, se houver um mínimo de entrosamento, sairá de campo com a vitória quase 100% das vezes.

Se a torcida não ganha jogo, ela pode fazer o seu clube perder um. Não por causa de vaias ou xingamentos de insatisfação durante a partida, mas por sua atitude antes mesmo de a bola rolar.

E, pior, tendo essa atitude, oferecer a possibilidade concreta de o principal rival se aproximar de um título que, se a bola rolasse, a depender do resultado, afastaria esse mesmo arquirrival da taça.

Aconteceu neste início de semana, no Uruguai.

Antes do clássico Peñarol x Nacional (os dois maiores clubes do país), em Montevidéu, no começo da noite de domingo (28), torcedores do time que veste amarelo e preto confrontaram a polícia.

Imagens mostraram objetos sendo atirados de dentro para fora do estádio Centenário, originários de uma das alas (conhecida como Tribuna Ámsterdam) em que ficava a torcida do Peñarol, na direção das cabeças dos policiais.

Até um botijão de gás (que teria 13 kg) caiu das arquibancadas, atingindo um dos cachorros que acompanhavam os responsáveis pela segurança. O cão saiu de cena mancando.

Em Montevidéu, policial prende torcedor do Peñarol antes do clássico com o Nacional, que acabou cancelado (Pablo Porciuncula - 28.nov.2016/AFP)
Em Montevidéu, policial prende torcedor do Peñarol antes do clássico com o Nacional, que acabou cancelado (Pablo Porciuncula – 28.nov.2016/AFP)

A Associação Uruguaia de Futebol suspendeu o clássico e levou o caso para análise de sua comissão disciplinar.

Na noite desta segunda (29), saiu a decisão. O Nacional foi declarado ganhador da partida, por 3 a 0, subiu para 28 pontos e assumiu a liderança do campeonato. A duas rodadas do final, está dois pontos à frente do Danubio e tem três a mais que o Wanderers.

Nessa situação, basta ao time tricolor (azul, vermelho e branco) ganhar do Juventud e do Boston River – em ambos os jogos será mandante – para se sagrar campeão.

Quanto ao Peñarol, que faz uma campanha ruim (15 pontos em 13 jogos), recebeu como sanção, devido ao comportamento deplorável de alguns de seus seguidores, ter de jogar uma partida com os portões fechados.

A ação de uma minoria pune a maioria.

Porém o pior castigo, para clube e torcida – consequência dos atos de hooliganismo de algumas dezenas de bárbaros, que precisam ser individualmente punidos pelas autoridades uruguaias –, será ver o Nacional celebrar no fim.

Talvez, assim, os selvagens aprendam a se comportar. Talvez, e infelizmente é a hipóteses mais provável, nem assim.

Em tempo: Um brasileiro defende atualmente o Peñarol. É o zagueiro Bressan, de 23 anos, ex-Grêmio. O Nacional não conta com nenhum brasuca em seu elenco.