Lesão de Daniel Alves deixa Fagner na iminência de ser titular da seleção brasileira

Por Luís Curro

Fagner joga o suficiente para ser titular da seleção brasileira?

O lateral direito Fagner durante treinamento do Corinthians no CT do clube (Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians/Divulgação)
O lateral direito Fagner durante treinamento do Corinthians no CT do clube (Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians/Divulgação)

Essa é uma pergunta a ser respondida pelos analistas de futebol a partir de agora.

Por quê? Porque o lateral direito Daniel Alves fraturou a fíbula da perna esquerda na derrota da Juventus, líder do Campeonato Italiano, por 3 a 1 para o Genoa neste domingo (27).

A recuperação completa desse tipo de lesão leva um tempo considerável, em média, de três a quatro meses.

Escrevo com conhecimento, pois vivi a desagradável situação. Em um jogo de um campeonato de imprensa, em 2005, fraturei esse osso, na altura do tornozelo. Estava com 32 anos e três meses.

Um mês de gesso. Mais um mês com uma bota especial. Era necessário mais um mês de fisioterapia, etapa que erroneamente descartei. Considerava que aquela lesão me aposentava de jogos por competição – consideração correta.

O fato é que a região da fratura permaneceu dolorida por muitos meses. Ao fazer o movimento de dobrar o pé para o lado externo, a dor vinha.

Daniel Alves é atleta profissional, fisicamente muito mais bem preparado que o jogador comum, de fim de semana. Mas já está com 33 anos e meio, e a recuperação não é a mesma de um garoto na faixa dos 20 e poucos.

O tempo, é verdade, conta a seu favor, já que o Brasil volta a jogar pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 só no dia 20 de março, daqui a quase quatro meses.

Daniel Alves (dir.) disputa a bola com Laxalt, do Genoa, na partida em que fraturou a fíbula (Marco Bertorello - 27.nov.2016/AFP)
Daniel Alves (dir.) disputa a bola com Laxalt, do Genoa, na partida em que fraturou a fíbula (Marco Bertorello – 27.nov.2016/AFP)

Titular com Tite (já vinha sendo com Dunga), Daniel Alves cumprirá as etapas de recuperação e certamente espera estar em condições de atuar em março.

Deve-se considerar, porém, que o retorno será feito com cautela.

O técnico Massimilano Allegri, da Juventus, que tem outro bom jogador para a posição (o suíço Lichtsteiner), irá avaliar o desempenho do brasileiro nos treinos e dar, inicialmente, poucos minutos a ele por jogo, a fim de perceber se a recuperação física foi concluída com êxito.

Avaliará também o nível de confiança do jogador.

Quem já quebrou a perna pensa duas vezes antes de colocá-la em uma dividida – com razão, pois ali há mais fragilidade, e outra fratura no mesmo local pode significar o fim da carreira.

Assim, há a possibilidade, na segunda metade de março, de Daniel Alves não estar com condições de jogo suficientes para iniciar como titular uma partida. Nesse caso, é melhor nem ser convocado por Tite – a seleção precisa de atletas 100% fisicamente.

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E aí entrará em cena Fagner, de 27 anos, o reserva imediato.

O lateral do Corinthians jogou muito bem em 2015, quando o clube, sob o comando de Tite, ganhou o Campeonato Brasileiro.

Em 2016, especialmente depois da saída de Tite do Corinthians, Fagner passou a ter atuações medianas, que não impediram o treinador de convocá-lo para a suplência de Daniel Alves.

Dunga preferia, para a reserva do experiente lateral (Daniel Alves participou de duas Copas do Mundo, 2010 e 2014), Danilo, do Real Madrid, ou Fabinho, do Monaco-FRA.

Fagner não tem um minuto de rodagem com a camisa da seleção principal.

Mesmo nas categorias de base, só participou de um campeonato, o Sul-Americano sub-20, em 1997 – atuou na vitoriosa campanha do Brasil de Alexandre Pato, Luiz Adriano e Lucas Leiva.

Na comparação com Daniel Alves, Fagner carece de experiência e liderança. Mas seria assim, atualmente, com qualquer outro jogador na posição.

O Brasil, que ali já teve Djalma Santos, Carlos Alberto Torres, Jorginho e Cafu, hoje é carente de grandes talentos na lateral direita, tanto que Daniel Alves se mantém como primeira opção mesmo estando mais perto do fim da carreira que do início.

Na Europa, não há muito para onde olhar além de Fabinho, que já faz meses atua como volante no Monaco, não mais na lateral, e Danilo, que costuma ser reserva de Carvajal no Real Madrid. Mariano, do Sevilla (Espanha)? Mário Fernandes, do CSKA (Rússia)? Não me convencem.

No Brasil, também não há grandes alternativas, não há quem seja unanimidade ou encante.

Jean, de 30 anos, volante-lateral do Palmeiras, é o mais elogiado recentemente – assim como são elogiados a ampla maioria de seus colegas campeões brasileiros.

Mas Jean não é jogador para ser titular da seleção, assim como não considero que Fagner possa ser. Qualquer um deles será tapa-buraco.

No lugar de Tite, eu daria chance a Zeca, do Santos, que tem a mesma eficiência na lateral direita e na esquerda (ou seja, um polivalente).

Ele é jovem (22 anos), apoia e marca decentemente e, como lateral direito, conquistou a medalha de ouro olímpica nos Jogos do Rio-2016.

Em tempo: Em rede social, Daniel Alves buscou tranquilizar os que se preocupam ao escrever: “Gostaria de esclarecer a todos meus amigos e familiares que (a lesão) não é tão grave como está saindo na internet”. E afirmou que logo estará de volta. Será mesmo? O tempo dirá.