Morto aos 90, Fidel Castro disse que futebol lhe deu prazer e o ajudou a ter espírito de luta

Por Luís Curro
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Morto neste sábado (26) aos 90 anos, o ditador cubano Fidel Castro, uma das mais relevantes personalidades do século 20, jogou futebol quando garoto e afirmou que o esporte o “ajudou a ter vontade” e lhe propiciou “prazer e espírito de luta”.

A informação de que Fidel teve na adolescência apreço pelo futebol consta de reportagem publicada em 2014 pelo jornal “El País”.

O texto relata que nos anos 1940 o futuro primeiro-ministro e presidente de Cuba – assumiu o poder em 1959 e só se afastou em 2008, devido a problemas de saúde – jogou bola no colégio em que estudou em Havana.

Era um ponta-direita que não se destacava pela técnica (por ser pior que a maioria, em boa parte das vezes era reserva), mas pela determinação, segundo um de seus colegas à época, Armando de Oca Arce. “Era corpulento, musculoso, muito forte e, sobretudo, muito bravo.”

Em uma entrevista, conforme a narração do periódico espanhol, ele confirmou o que Arce disse.

“Era atacante, corria bastante. (…) O futebol me ajudou a ter vontade, a exercer a minha capacidade de resistência física, me deu prazer, satisfação, espírito de luta e competição.”

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Em uma nação cujo esporte nacional é o beisebol, o fato de Fidel ter se dedicado, mesmo que por pouco tempo, ao futebol causa surpresa e estranhamento. Sempre se soube de sua afeição pelo beisebol e também pelo basquete.

Quem acompanha esportes com regularidade e assistiu ao Pan-Americano de Havana, em 1991, deve se lembrar de Fidel, na entrega da medalha de ouro, brincando com Magic Paula e Hortência, as craques do basquete nacional que comandaram o Brasil na vitória diante das cubanas.

Bem-humorado, o ditador fez sinal de que não entregaria a comenda, como se dissesse a cada uma: “Você é culpada de termos perdido”. E estava certo. Paula e Hortência jogaram demais (24 e 30 pontos, respectivamente, no triunfo por 96 a 76).

No futebol, Cuba sempre esteve muito longe de ser uma potência futebolística.

Disputou uma única Copa do Mundo, na França, em 1938, tendo empatado na estreia com a Romênia (3 a 3), derrotado a mesma Romênia em jogo de desempate (2 a 1) e perdido feio, nas quartas de final, para a Suécia (8 a 0).

E Fidel, à exceção desse comentário sobre seu próprio desempenho em campo, pouco falou no decorrer de décadas, ao menos em público, sobre o mais popular dos esportes.

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Nem o contato com Maradona, que em 2004 esteve em Cuba para tratamento contra a dependência de cocaína, o fez voltar a ter grande apreço pelo futebol.

Um raro comentário repercutiu em 2010, antes da Copa do Mundo da África do Sul.

“Aplicando meus pouco confiáveis pontos de vista, me atrevo a considerar que entre Argentina, Brasil, Alemanha, Inglaterra e Espanha está o campeão da Copa”, escreveu Fidel em coluna no jornal estatal cubano “Granma”.

Acabou acertando. Na final, a Espanha derrotou a Holanda por 1 a 0.

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