Bósnio baixa o calção de grego e é expulso em jogo das eliminatórias da Copa

Por Luís Curro

Com alguma frequência é possível o espectador assistir a entreveros entre jogadores no futebol. Os mais comuns são as discussões verbais. Há, com bem menos frequência, o duelo físico – geralmente troca de empurrões; raramente, tapas, socos, chutes e pontapés.

O motivo de um futebolista agredir verbalmente ou fisicamente o outro costuma ser a provocação.

Pode o leitor concordar ou não com ela, a provocação faz parte do jogo.

Há quem se irrite com enerve e revide, na voz ou no braço. Umas das mais famosas respostas a uma provocação ocorreu na final da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

O craque Zidane deu uma cabeçada escandalosa no peito do beque italiano Materazzi, que ofendera verbalmente a irmã do francês.

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Existe também o atleta que se irrita com uma marcação mais dura e insistente, especialmente se as faltas são frequentes – ninguém gosta de, jogada após jogada, ficar apanhando.

Provocar e reagir à provocação faz parte do jogo, porém, em ambos os casos, é indisciplina. E indisciplina é passível de punição, conforme as regras do mesmo jogo.

A depender do tipo de reação intempestiva do jogador em determinado lance e da rigidez da arbitragem, expulsões podem ou não ocorrer.

Em Grécia x Bósnia, neste domingo (13), pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia, Edin Dzeko, capitão goleador bósnio, causou uma bela confusão depois de uma atitude que nunca vi antes em uma partida.

Faltando menos de 15 minutos para o término do jogo, disputado em Pireus (Grécia), Dzeko, jogador da Roma, foi lançado na esquerda do ataque.

Tentou proteger a bola diante da marcação insistente de Papastathopoulos, zagueiro da equipe da casa. Mas, perto da bandeirinha de escanteio, o grego acabou por derrubar o atacante.

Dzeko caiu sobre a bola e a segurou; Papastathopoulos, rapidamente, postou-se sobre ele, arrancando a redonda de suas mãos.

Do modo como o grego estava, impedia o bósnio de se erguer rapidamente, pois “prendia-o” entre suas pernas. Com as mãos livres, Dzeko as esticou e, com dois puxões, baixou até os joelhos o calção de Papastathopoulos, que se viu de cueca. Hilário.

Dzeko, caído no gramado, e o grego Papastathopoulos, com a cueca à mostra depois de o bósnio ter puxado seu calção (Reprodução de TV)
Dzeko, caído no gramado, e o grego Papastathopoulos, com a cueca à mostra depois de o bósnio ter puxado seu calção (Reprodução de TV)

O artilheiro então manobrou e tirou o equilíbrio do rival, lançando-o ao chão.

A partir desse instante, formou-se um bolo de jogadores, e discussões e empurra-empurras se generalizaram.

Passados dois minutos, o árbitro sueco Jonas Eriksson expulsou o bósnio, mostrando-lhe o segundo cartão amarelo – já tinha recebido um no primeiro tempo.

Encerrada a partida (1 a 1, com a Grécia obtendo o empate nos acréscimos do segundo tempo), Dzeko discordou da punição.

“Não sei por que recebi o cartão vermelho. Não havia motivo”, afirmou o ex-jogador do Manchester City, hoje com 30 anos. “O juiz disse que eu comecei a confusão, mas eu era o único a estar caído no chão, então como poderia ter começado?”

No meu entendimento, Dzeko deu, sim, início a ela, em dois atos: o primeiro, puxar para baixo o calção de Papastathopoulos; o segundo, derrubar o adversário. Se o camisa 11 tivesse permanecido estático, caído no gramado, a Bósnia teria a falta a seu favor e o jogo continuaria normalmente.

Jonas Eriksson fez cumprir a regra do futebol, que não inclui nada a respeito de manusear o uniforme de um rival a fim de deixar aparecer uma peça íntima, porém, em seu artigo 12, prega que deve receber o cartão amarelo aquele que for “considerado culpado de conduta antidesportiva”.

E o comportamento de Dzeko, que ao colocar um adversário em situação vexatória pode ser classificado de curioso e cômico, definitivamente não foi esportivo.

Em tempo: A Bósnia, como a Grécia, esteve na última Copa do Mundo, no Brasil. Os gregos chegaram às oitavas de final, sendo eliminados nos pênaltis pela Costa Rica, e os bósnios não passaram da primeira fase. Ganharam só um jogo, do Irã, por 3 a 1. Dzeko fez o primeiro gol dessa partida.

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