É válido resgatar um velho artilheiro? Espanha cogita Villa, seu maior goleador

Por Luís Curro

É válido um treinador recorrer a um atacante veterano, que muitos consideram, devido à longa ausência da equipe, já aposentado da seleção?

Alguns acham que sim, outros, que não. Os últimos muito possivelmente são maioria.

Nas seleções campeãs mundiais, por exemplo, quantas têm nos atuais elencos um atacante mais para os 35 do que para os 30? Nenhuma.

As que mais se aproximam são a Inglaterra, com Rooney, de 31 anos, a Alemanha, com Mario Gómez, outro com 31, e a Argentina, com Lavezzi, também 31. Nenhum desses, porém, é unanimidade (nem mesmo Rooney, outrora tido como um dos melhores do mundo) e há atualmente mais chance de começarem as partidas na reserva.

Há poucos dias, porém, Julen Lopetegui, que assumiu a seleção espanhola depois do fracasso do time dirigido por Vicente del Bosque na Eurocopa da França, fez elogios a David Villa, 34 (35 logo mais, no dia 3 de dezembro), campeão da Eurocopa-2008 e da Copa do Mundo-2010.

David Villa (dir.) abraça o italiano Andrea Pirlo depois de vitória sobre o DC United na MLS (Andy Marlin - 1ºset.2016/"USA Today"/Reuters)
David Villa (dir.) abraça o italiano Andrea Pirlo depois de vitória sobre o DC United na MLS (Andy Marlin – 1ºset.2016/”USA Today”/Reuters)

Lopetegui esteve nos EUA e viu o atacante em jogo da MLS (Major Soccer League), o campeonato norte-americano de futebol. Villa marcou, nos acréscimos, o quarto gol na goleada do New York City por 4 a 1 sobre o Columbus Crew, no Yankee Stadium, e sua atuação impressionou o treinador.

“A verdade é que ele está muito bem, jogando com muita intensidade”, afirmou Lopetegui à rádio espanhola Onda Cero sobre o maior artilheiro da história da Fúria: 59 gols em 97 jogos (média de 0,61 gol por partida).

Essa foi a quarta partida seguida em que Villa balançou as redes – em duas delas, marcou duas vezes. Neste domingo (30) à noite, passou em branco na derrota por 2 a 0 para o Toronto FC, no Canadá, no jogo de ida das quartas de final da MLS.

Mas Villa de fato está em boa fase.

Na atual temporada, o artilheiro, que já jogou por Gijón, Zaragoza, Valencia, Barcelona, Atlético de Madri e Melbourne City, anotou 23 gols em 34 partidas. É seu melhor desempenho desde a temporada 2009/2010, quando fez 28 gols em 43 partidas pelo Valencia.

A última vez que Villa vestiu a camisa da Espanha foi na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, quando a Espanha, então campeã mundial, decepcionou e caiu na primeira fase. Ele foi reserva de Diego Costa e atuou apenas no terceiro jogo, contra a Austrália, quando a Fúria já estava eliminada. Fez um gol na vitória por 3 a 0.

E ele aguarda com ansiedade a oportunidade de vestir novamente a camisa vermelha.

“Sempre disse que estou aberto para defender a seleção nacional. Se o treinador achar que posso contribuir, terei prazer em fazê-lo. Pegaria o primerio voo de volta (para a Espanha) para jogar”, declarou à rádio espanhola Cadena Ser, no início de outubro.

David Villa recebe a marcação de Ryan McGowan em Espanha 3 x 0 Austrália, na Arena da Baixada, na Copa de 2014 (Liao Yujie - 23.jun.2014)
Villa recebe a marcação de Ryan McGowan em Espanha 3 x 0 Austrália, na Arena da Baixada, na Copa de 2014 (Liao Yujie – 23.jun.2014/Xinhua)

Minha opinião: independentemente da idade, devem ser convocados sempre os melhores.

Futebol é momento, sim.

Logicamente, há outros fatores envolvidos, em especial a confiança que o técnico tem em determinado jogador – se ela for considerável, esse atleta é chamado mesmo não estando em boa fase técnica.

Na seleção brasileira, Dunga, demitido depois da Copa América Centenário, em junho, incluiu Ricardo Oliveira, 36, do Santos, em algumas convocações. Também chamou Jonas, 32, do Benfica.

Ambos estavam à época em ótima fase em seus respectivos clubes, então considero que Dunga acertou – se o técnico soube aproveitá-los bem ou não e se eles renderam ou não o esperado ao entrar em campo, é outra história.

O Brasil tem tido dificuldade para encontrar recentemente um centroavante de ofício, daqueles que, quando a bola chega perto da área, criam no espectador uma alta expectativa de que a bola acabará na rede.

Tamanha é essa dificuldade que o atual artilheiro do Campeonato Brasileiro é Fred, do Atlético-MG, o mesmo que decepcionou na Copa do Mundo de 2014. Ele, aliás, ocupa a lista dos jogadores trintões: está com 33 anos. O vice-artilheiro do Brasileiro? Tem 32 anos. É Robinho (ex-Santos e Real Madrid), também do Galo.

Tite tem apostado em Gabriel Jesus, de apenas 19 anos, no comando do ataque, com Neymar, 24, pela esquerda, e Philippe Coutinho, 24, pela direita.

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É uma opção pela juventude, pelo drible, pela velocidade. Abre-se mão, assim, de um homem de menos mobilidade e mais força física na área rival.

Deu certo com a seleção olímpica, que conquistou o inédito ouro na Olimpíada do Rio, em agosto, sob o comando de Rogério Micale, com um ataque leve e envolvente (Gabigol, Gabriel Jesus e Neymar, além do gremista Luan).

E tem dado certo na seleção principal, que com Tite assumiu a liderança das eliminatórias sul-americanas para a Copa da Rússia-2018.

Em tempo: Em breve se saberá se Lopetegui dará nova chance a Villa na seleção espanhola. Ele deve convocar nesta semana a equipe que enfrentará a Macedônia no próximo dia 12 de novembro, pelas eliminatórias da Copa de 2018. Na lista mais recente, ele incluiu cinco atacantes: Diego Costa, que vive grande momento no Chelsea, Nolito (Manchester City), Lucas Vázquez, Álvaro Morata (ambos do Real Madrid) e José Callejón (Napoli).