Nomes para Sempre – Festa

Por Luís Curro

Quem não gosta de festa? Jogador de futebol, então, adora uma, tendo alguns preferência pelos eventos sociais, mais chiques, regados a bebidas caras, outros pelas baladas, onde são assediados pelas marias-chuteiras, outros pelos churrascos regados a cerveja e pagode.

Marco Festa, de 24 anos, jogador do Crotone, um dos caçulas da Série A (o Campenato Italiano) na temporada 2016/2017, não foge à regra. Em uma das redes sociais que usa, o Instagram, ele postou várias fotos em momentos prazerosos fora do campo: festa a fantasia, reuniões etílicas e churrascadas com amigos, champanhes no gelo, passeios na praia, fogos de artifício etc.

Nada de excepcional, a não ser que as festas, e outros eventos extrafutebol (até jogo de tênis dele mesmo), têm sido praticamente as únicas imagens disponibilizadas pelo atleta. Ele em campo, em ação em uma partida, nenhuma recente. Jogando, logicamente, ele não poderia se fotografar, mas é bem comum futebolistas postarem fotos de terceiros em suas redes. Só que Festa não exibe nada.

Marco Festa, do Crotone, time da primeira divisão na Itália (Reprodução/Site do FC Crotone)
Marco Festa, do Crotone, time da primeira divisão na Itália (Reprodução/Site do FC Crotone)

O motivo: goleiro, ele é reserva do Crotone há dois anos, desde que chegou ao clube, procedente do Mantova, onde era titular. Nesse período, disputou uma mísera partida, no dia 28 de agosto deste ano, e não teve motivo para festejar. Mesmo como mandante, o Crotone perdeu de virada, por 3 a 1, para o Genoa.

É válido ressaltar que Festa não falhou em nenhum dos gols – e ainda fez três ótimas defesas.

Mas Festa só jogou porque o titular, Alex Cordaz, nove anos mais velho que ele, sentiu dores no pé no aquecimento para esse confronto.

Na temporada 2015/2016, o Crotone disputou 45 partidas, 42 pela Série B do Italiano e 3 pela Copa da Itália. Cordaz jogou todos os minutos de todas elas.

Nesta temporada, o titular, afora essa lesão passageira que o afastou do jogo com o Genoa, esteve nos outros sete (seis pelo Italiano, um pela Copa da Itália).

Cordaz mostra-se quase imune a contusões e é disciplinado, ou seja, expulsões são raríssimas e, como também recebe pouquíssimos cartões amarelos, ele não é suspenso.

Assim, o reserva só joga se o treinador do Crotone resolver ou sacar Cordaz por deficiência técnica (não ocorreu até agora desde que Festa assinou contrato) ou dar-lhe uma folga ou descanso (tampouco).

Nem a troca de técnico fez as coisas mudarem – o croata Ivan Juric, que conduziu a equipe ao vice-campeonato da Série B, saiu em junho e foi substituído pelo italiano Davide Nicola.

Começa jogo, termina jogo, lá está o camisa 1, Cordaz, na baliza do Crotone. E no banco de suplentes lá está Festa, o camisa 5 (todo primeiro goleiro reserva deveria ser obrigado a vestir a 12, em respeito às tradições futebolísticas), em uma espera constante, praticamente eterna.

Então, estando em uma situação em que a parte mais exigida de seu corpo são os glúteos (e não as mãos, como deveria ser para todo goleiro que se preze), para Festa fazer festa nas partidas, somente quando o time faz gols.

A não ser que ele seja sádico a ponto de torcer contra o companheiro de posição e festejar, silenciosamente, quando ele é vazado…

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Em tempo: O Crotone, time e torcida, não tem tido motivos para festejar desde o inédito acesso à primeira divisão. Com o estádio do clube, o Ezio Scida, em reforma, a equipe tem mandado os jogos em Pescara, longe (600 km de distância) e com público pífio. Foram três jogos, e o maior público, de 821 torcedores. A média na temporada passada no Ezio Scida foi superior a 7.000 por partida, muito boa, considerando que a população total da cidade do sul da Itália conhecida pelas belas praias é de cerca de 60 mil. Na Série A do Italiano, o Crotone sofre: ainda não ganhou (um empate e seis derrotas) e amarga a 20ª posição. É o lanterninha, e festa de verdade só haverá se conseguir escapar da provável volta à Série B.