Em nova ausência prolongada de Messi, é hora de olhar (de novo) para Neymar

Por Luís Curro

Faz um ano. No começo da partida contra o Las Palmas, pelo Espanhol, Lionel Messi estava no chão do Camp Nou.

Uma lesão no ligamento do joelho esquerdo deixaria o espetacular craque argentino afastado por aproximadamente dois meses do futebol. Era a chance para Neymar aproveitar, ser protagonista no Barcelona.

Messi, um ano atrás, ao se machucar diante do Las Palmas (Sergio Perez - 26.set.2015/Reuters)
Messi, um ano atrás, ao se machucar diante do Las Palmas (Sergio Perez – 26.set.2015/Reuters)

E Neymar aproveitou como nunca. Enquanto Messi se recuperava, o camisa 11 jogou demais pela equipe da Catalunha.

O Barcelona, de 29 de setembro de 2015 a 8 de novembro de 2015, período da ausência de seu maior ídolo, atuou nove vezes, e Neymar esteve em oito dessas partidas – diante do Villanovense, pela Copa do Rei, o Barça escalou os reservas.

Em cinco jogos pelo Espanhol e em três pela Liga dos Campeões da Europa, ele anotou dez gols – quatro deles em uma única partida, contra o Rayo Vallecano, e um deles uma pintura, contra o Villarreal – e ainda deu seis assistências. Jogou mais bola que o uruguaio Suárez, que nas mesmas partidas marcou oito gols e deu três passes que resultaram em bola na rede.

Foi o melhor desempenho, em uma sequência de oito jogos, de Neymar no Barcelona. Sua média de gols superou um por jogo (1,25).

Com a volta de Messi, o único supercraque do Brasil na atualidade caiu de produção e, daquele momento até o fim da temporada, sua média de gols foi de 0,47 por partida.

Ao lado de médido do Barcelona, Messi deixa o campo no jogo contra o Atlético de Madri (Josep Lago - 21.set.2016/AFP)
Messi deixa o campo no jogo contra o Atlético de Madri (Josep Lago – 21.set.2016/AFP)

Pois agora Neymar tem uma nova oportunidade de atuar sem a presença de Messi. O argentino se contundiu no começo do segundo tempo da partida contra o Atlético de Madri. Novamente no Camp Nou, a imagem dele no chão.

Constatou-se uma lesão muscular na coxa direita. Menos grave do que a contusão do ano passado, mas suficiente para afastá-lo por cerca de três semanas.

Caso esse prazo não se estenda, Messi perderá os confrontos com Sporting Gijón e Celta, pelo Espanhol, e Borussia Mönchengladbach (Alemanha), pela Liga dos Campeões.

É hora de ficar de olho em Neymar. Se ele repetir a performance daqueles oito jogos de 2015, pode-se esperar que faça quatro gols e dê duas assistências nessas três partidas.

O primeiro jogo é já neste sábado (24), às 11h15 (horário de Brasília), diante do Gijón – o Barcelona, terceiro colocado no campeonato, atrás de Real Madrid e Sevilla, será visitante.

Em tempo: Eles defendem as mesmas cores e se dizem amigos. Porém, com Messi fora, é sempre interessante observar como se comportarão Neymar e Suárez. O uruguaio, no meu entendimento, tem sido o segundo principal atacante do Barcelona – foi, inclusive, o artilheiro maior do último Espanhol, com 40 gols. Se Neymar tem pretensão de um dia ser o melhor do mundo (Messi e o português Cristiano Ronaldo, mais velhos que o brasileiro e o uruguaio, tendem a perder rendimento), precisa jogar mais futebol que Suárez, um dos concorrentes a esse prêmio.

Atualização: Neymar jogou bem contra o Sporting Gijón e fez dois gols na goleada por 5 a 0 do Barcelona.