Barbie precisa fazer regime e perder 7 kg para ser titular, afirma treinador do Torino

Por Luís Curro

Jogador de futebol ter apelido não é algo incomum. Vários têm, e isso não vem de hoje.

Já na primeira metade do século passado, houve futebolistas de renome com apelidos famosos: Leônidas da Silva, tido como o inventor da bicicleta, era o Diamante Negro; Zizinho, senhor do meio de campo, era o Mestre Ziza; Didi, célebre pelo chute conhecido como “folha seca”, era o Príncipe Etíope; Baltazar, que fazia gols e mais gols de cabeça, era o Cabecinha de Ouro.

Depois, surgiram outros, muitos outros. Como Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha. Como Amarildo, o Possesso. Como Edvaldo Izídio Neto, que não bastasse ser Vavá era ainda o Peito de Aço. Como Arthur Antunes Coimbra, Zico e também Galinho de Quintino. Como o melhor de todos os tempos, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Mas os apelidos não eram, e não são, uma exclusividade de brasileiros, apesar de os brasucas serem a maioria.

Kaiser era o cognome do alemão Beckenbauer; Pantera Negra, o do português Eusébio; O Mago do Drible, o do inglês Stanley Matthews; Aranha Negra, o do soviético Yashin; Garoto de Ouro, o do argentino Maradona; Fenômeno, o do brasileiro Ronaldo.

Na ativa, há dezenas de atletas com apelidos, e o atual melhor do mundo, Messi, tem o seu: Pulga. A seleção brasileira convocada na semana passada por Tite (apelido de Adenor Leonardo Bacchi) conta com o goleiro Alex, do Flamengo, apelidado Muralha, e com o zagueiro Thiago Silva, chamado por alguns de Monstro (devido à eficiência nos desarmes, não a uma possível feiura).

A variedade de apelidos é enorme, e eles são originados geralmente em uma semelhança física ou de desempenho. No segundo grupo encontra-se Zagallo, bicampeão mundial com a seleção brasileira (1958 e 1962), que era Formiguinha por ser incansável.

No primeiro está um ex-atacante do Grêmio, atual Torino (Itália), que recebeu um apelido feminino, o que é raro: o argentino Maxi López tem a alcunha de Barbie.

Os mais novos talvez não saibam, mas a Barbie é uma boneca lançada nos EUA, em 1959, que foi um sucesso de vendas ao longo de décadas.

Nos idos dos anos 1980, antes da era dos videogames, todo menino queria no aniversário ou no Natal ganhar uma bola ou um autorama, e toda menina desejava uma Barbie, se bem que havia uma concorrente brasileira, possivelmente mais barata, a Susi.

A Barbie era loira, com cabelos compridos e lisos, e bonitona. Ainda é, pois continua no mercado mesmo aos 57 anos! (Se prestigiada como antigamente, não sei.)

O argentino Maxi López em jogo do Torino (Reprodução/Site dp Torino FC)
O argentino Maxi López em jogo do Torino (Reprodução/Site do Torino FC)

Pois Maxi López, com seus longos cabelos loiros e corpo sarado, um dia foi chamado por alguém de Barbie, e o apelido pegou.

Hoje, aos 32 anos, seus cabelos já não são longos, e neste início de temporada o corpo está longe de estar esbelto. Barbie precisa de um regime para ter chance no time.

O treinador do Torino, Sinisa Mihajlovic, fez duras críticas à forma de Maxi López em uma entrevista coletiva. “Ele está acima do peso, por isso os treinos têm sido difíceis para ele. Quando alguém está sete quilos mais gordo é como ter uma máquina de lavar nas costas”, declarou o sérvio de 47 anos.

Mihajlovic não escondeu sua insatisfação com a situação e fez uma ameaça.

“Estou bravo com ele. Já o avisei: se não perder peso, não joga. Precisa de uma dieta balanceada para perder um quilo por semana. A cada semana, um quilo a menos, ou pagará multa”, ameaçou Mihajlovic, que assumiu o time de Turim no meio deste ano, depois de seu antecessor, Giampiero Ventura, ir para a seleção italiana.

No site do Torino, Maxi López aparece com 1,90 m e 88 kg. Os sete quilos a mais o deixam com 95 kg. Seu último jogo pelo Torino foi no dia 11, derrota por 2 a 1 para a Atalanta. Depois, foi sacado por Mihajlovic e não participou do empate sem gols com o Empoli, também pelo Campeonato Italiano, no domingo (18). A próxima partida do time é nesta quarta (21), contra o Pescara, e Barbie deve permanecer fora.

Sobre estar acima do peso, Maxi Lópex não falou, está de boca fechada – deve mantê-la assim não apenas para não polemizar, mas para emagrecer.

Em tempo: Maxi López viveu uma de suas melhores fases no Grêmio. Esteve no time gaúcho em 2009, por empréstimo (pertencia ao FK Moscou), e em 41 jogos (por Gaúcho, Libertadores e Brasileiro) anotou 17 gols. Barbie joga no futebol italiano desde 2010. Defendeu Catania, Milan, Sampdoria, Chievo e está desde 2014 no Torino.