Ministro faz lista de 23 convocados de Gana ser reduzida para 2

Por Luís Curro

Gana tem sido uma das forças do futebol africano neste século.

Participou das últimas três Copas do Mundo (2006, 2010 e 2014). Na da África do Sul, seis anos atrás, só não se classificou para a semifinal porque, no final da prorrogação contra o Uruguai, com o jogo empatado, Asamoah Gyan desperdiçou um pênalti – depois, na disputa de penalidades, Gana acabou perdendo.

Dentro de pouco mais de um mês, a equipe iniciará, diante da seleção de Uganda, a etapa decisiva do qualificatório africano para o Mundial de 2018, na Rússia. Enfrentará também, pelo Grupo E das eliminatórias, Congo e Egito. O campeão da chave obtém a vaga para a Copa.

A preparação para essa partida, contudo, está em risco.

O treinador israelense Avram Grant (ex-Chelsea), que dirige a seleção ganense, listou em convocação feita na semana passada (dia 19) 23 jogadores para duas partidas: neste sábado, 3 de setembro, contra Ruanda, pelas eliminatórias da Copa Africana de Nações de 2017 (que será no Gabão), e contra a Rússia, um amistoso a ser confirmado para o início na semana que vem.

Dos convocados, 21 atuam fora do país. Os mais famosos são Schlupp (Leicester-ING), Mensah (Anzhi-RUS), Agyemang-Badu (Udinese-ITA), Atsu (Chelsea-ING), Partey (Atlético de Madri-ESP), Jordan Ayew (Aston Villa-ING) e Gyan (Shanghai SIPG-CHN), este último, aquele mesmo da Copa de 2010.

Uma intervenção política, porém, pode deixar o treinador Grant com apenas dois dos atletas escolhidos à disposição: o goleiro Ofori e o defensor Mohammed, os únicos a atuar em Gana.

Ao lado do treinador Avram Grant, jogadores de Gana festejam gol contra Guiné Equatorial na Copa Africana de Nações de 2015 (Amr Abdallah Dalsh - 5.fev.2015/Reuters)
Ao lado do treinador Avram Grant, jogadores de Gana comemoram gol contra Guiné Equatorial na Copa Africana de Nações de 2015 (Amr Abdallah Dalsh – 5.fev.2015/Reuters)

Notícias veiculadas por meios de comunicação do país deram conta de que o ministro do Esporte, Nii Lante Vanderpuye, vetou a participação dos “estrangeiros” nessas duas partidas, inclusive não liberando verba para as passagens aéreas dos atletas.

A alegação de Vanderpruye para essa decisão seriam problemas financeiros. A não inclusão dos “estrangeiros” geraria uma economia para a disputa de jogos que não são decisivos para Gana – a seleção já assegurou a primeira colocação em seu grupo no qualificatório para a Copa Africana de Nações, então o duelo com Ruanda ganha caráter de amistoso.

Porém é inegável que, do ponto de vista técnico, a não presença dos melhores jogadores prejudica o trabalho de Grant. Ele não poderia escalar os seus jogadores preferidos e lhes dar o devido entrosamento.

A Associação de Futebol de Gana (GFA) informou não ter sido avisada de que o ministro decidira não bancar as viagens dos jogadores e que a convocação e o planejamento de Grant estavam mantidos.

Segundo o site Ghana Soccernet, Vanderpuye só comunicaria sua decisão à confederação nesta segunda (29), por escrito. Ainda de acordo com o site, o ministro deixou Grant avisado, por WhatsApp, na quinta-feira (25), e também telefonou para o vice-presidente da GFA, George Afriyie, que é seu primo e seria seu aliado.

O cenário deve ficar mais claro nesta terça (30), quando a equipe deve começar a treinar para a partida de sábado.

De toda forma, o ambiente de crise parece garantido.

Se os “estrangeiros” aparecerem, possivelmente terão pago as passagens com seu próprio dinheiro, e certamente pedirão reembolso. Caso não sejam ressarcidos, a insatisfação prevalecerá, podendo afetar a performance em campo.

Se eles não aparecerem, Grant terá de realizar um treino de “gol a gol” com os dois convocados locais, ou então um de cobranças de pênaltis… Vergonhoso.

Não é impossível imaginar que o técnico israelense se demita devido a esse episódio.

Em tempo: Gana ultrapassou a Costa do Marfim no ranking de agosto da Fifa e é a segunda seleção mais bem colocada. Está em 35º lugar, atrás apenas da Argélia, 32ª na lista liderada pela Argentina e na qual o Brasil está em nono.