Uma nova chance para Paulinho na seleção

Por Luís Curro
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A primeira convocação de Tite como treinador da seleção brasileira trouxe algumas novidades.

Uma delas é Paulinho, de 28 anos, ex-Corinthians, atual Guangzhou Evergrande, da China.

Sob o comando de Tite, o volante viveu grandes momentos, como a conquista do Campeonato Brasileiro de 2011, da Libertadores de 2012 e do Mundial de Clubes, também em 2012.

Negociado por € 20 milhões com o Tottenham, chegou ao clube inglês, na metade de 2013, sob a expectativa de ser um dos líderes do meio-campo, não a liderança exercida por um capitão, mas a gerada pelo futebol convincente.

E assim foi no início. Titular na equipe do treinador português André Villas-Boas, ele terminou a temporada 2013-2014 com oito gols, entre torneios nacionais e internacionais.

Paralelamente, Paulinho se firmou como peça-chave na seleção brasileira. Ele começou a ser convocado por Mano Menezes, em 2010, e se manteve na equipe com Felipão, substituto do demitido Mano, em 2013.

Ganhou a Copa das Confederações, e sua produção não parava de subir. Sua polivalência impressionava.

Com  1,82 m, Paulinho marca bem, passa bem, protege bem a bola, cabeceia bem, o que o torna importante nas jogadas de bola parada, tanto na defesa como no ataque. Também é disciplinado: recebe poucos cartões amarelos.

Só que, na Copa de 2014, seu futebol desapareceu, estranhamente. Ele foi uma das grandes decepções na campanha, tanto que perdeu a titularidade no meio do Mundial para Fernandinho.

E foi da reserva que Paulinho viu o Brasil levar cinco gols da Alemanha, no primeiro tempo do fatídico 7 a 1 no Mineirão – seu substituto, Fernandinho, foi um dos piores em campo. Ele entrou no segundo tempo e, como todos naquele dia, pouco fez.

Até hoje é um mistério a acentuada queda de rendimento dele no Mundial. Parecia outro jogador. Mais lento, menos preciso, menos presente em campo. Características de quem treme na hora agá, diante de uma pressão muito grande. Só que, por seu histórico, os verbos amarelar e pipocar eram impensáveis para Paulinho.

Em uma entrevista ao jornal “Lance!”, em outubro do ano passado, o volante afirmou que uma contusão que o afastou dos gramados por pouco mais de um mês no início de 2014 (tornozelo) atrapalhou um pouco sua retomada, mas que isso não influenciou na atuação dele na Copa. Enfim, não soube explicar por que não conseguiu jogar bem.

A péssima Copa do Mundo deu início a uma fase muito ruim na carreira do volante. Na segunda temporada no Tottenham, foi relegado por Mauricio Pochettino à reserva em boa parte do tempo. Houve problema de relacionamento entre ele e o treinador argentino. 

Em busca de tempo de jogo, decidiu na metade de 2015 deixar o endinheirado futebol inglês para se transferir para o não menos endinheirado futebol chinês, reencontrando Felipão no Guangzhou Evergrande e reencontrando também seu melhor futebol.

Paulinho comemora gol pelo Guangzhou Evergrande contra o América do México no Mundial de Clubes, em Osaka, no Japão (Thomas Peter - 13.dez.2015/Reuters)
Paulinho comemora gol pelo Guangzhou Evergrande contra o América do México no Mundial de Clubes-2015, em Osaka, no Japão (Thomas Peter – 13.dez.2015/Reuters)

Sagrou-se campeão nacional e campeão da Liga dos Campeões da Ásia. Os gols ressurgiram. No Mundial de Clubes de 2015, no Japão, marcou dois gols, um contra o América do México e um contra o Sanfrecce Hiroshima. Na semifinal, contra o Barcelona, o Guangzhou não foi páreo para o Barcelona, perdendo por 3 a 0.

Mas era fato que Paulinho se mostrava recuperado e em forma. O que não se mostrou suficiente para que Dunga o chamasse de volta para a seleção – e isso não tem relação com ele estar no futebol chinês, já que Renato Augusto e Gil foram convocados.

Luiz Gustavo, Fernandinho e Elias eram os volantes preferidos de Dunga, demitido depois do fiasco na Copa América Centenário, nos EUA.

Agora Tite, substituto de Dunga, que não chamou nem Luiz Gustavo nem Elias, dará a Paulinho uma segunda chance. Será titular?

Em uma leitura inicial, só se Tite decidir escalá-lo como primeiro volante, na vaga que deveria ser de Casemiro (real Madrid) ou, menos provável, de Rafael Carioca (Atlético-MG). O posto de segundo volante, tudo indica, será do campeão olímpico Renato Augusto.

Porém, estando no grupo, Paulinho tem chance. Se mostrar nos treinos o futebol exibido entre 2011 e 2013, será dificílimo pata Tite deixá-lo de fora. E, se o chamou, Tite confia nele e sabe muito bem como utilizá-lo. Já tem um plano, avaliará se é possível executá-lo.

Fora da zona de classificação para a Copa da Rússia-2018, a seleção enfrenta o Equador no dia 1º de setembro, fora de casa, pelas eliminatórias da Copa. No dia 6 de setembro, o rival será a Colômbia, em Manaus. Os dois adversários estão à frente do Brasil na tabela.