Apelo de filha no Facebook salva ídolo egípcio de processo por agressão

Por Luís Curro

Hossam Hassan é o maior artilheiro da história da seleção egípcia. Em 169 jogos, entre 1985 e 2006, anotou 69 gols.

Conquistou 14 campeonatos nacionais (11 pelo Al-Ahly e 3 pelo Zamalek) e, pelo Egito, três Copas Africanas de Nações (1986, 1998 e 2006, esta última com 40 anos e como capitão do time).

Esteve na Copa do Mundo de 1990, na Itália, quando um valente time egípcio empatou dois jogos (Holanda e Irlanda) e perdeu um (Inglaterra), sendo eliminado na primeira fase.

Hossam Hassan é carregado por colegas antes de amistoso com a Zâmbia no qual ele completou 151 jogos com a camisa da seleção egípcia (Marwan Naamani - 9.jan.2001/AFP)
Hossam Hassan é carregado por colegas antes de amistoso com a Zâmbia no qual ele completou 151 jogos com a camisa da seleção egípcia (Marwan Naamani – 9.jan.2001/AFP)

Tanto quanto vitorioso, Hassan sempre foi explosivo, tendo problemas de relacionamento com colegas e treinadores e dando muito trabalho aos árbitros nas partidas.

Aposentado, seguiu carreira como técnico. Atualmente dirige o Al-Masry, da cidade de Porto Said.

Neste mês, no empate por 2 a 2 com o Ghazl Al Mahalla, em Ismailia, pelo Campeonato Egípcio, Hassan, hoje com 49 anos, relembrou seus tempos de brigão.

O final do jogo foi emocionante. Aos 47 minutos do segundo tempo, Mohamed Ali (homônimo do lendário pugilista morto recentemente) colocou o time da casa na frente. Aos 49 minutos, porém, Mohamed Mosaad empatou para o Al-Masry.

À beira do campo, começou uma discussão entre os bancos das duas equipes, e formou-se um tumulto. Hassan estava no meio e, próximo, um fotógrafo registrava o entrevero.

Quando Hassan percebeu, disparou na direção de Reda Abdelmaged, que correu por cerca de 3o metros, da lateral do campo até uma das pequenas áreas, com o treinador em seu encalço, antes de escorregar e cair.

Hassan arrancou-lhe a câmera das mãos e tentou dar-lhe um chute na cabeça. Dezenas que correram atrás o afastaram. Sobrou para a câmera. Hassan atirou-a com violência no chão.

O momento de ira, contudo, não foi ignorado pelas autoridades. Hassan foi preso, acusado de agressão, e assim ficaria até julgamento, que poderia resultar em uma temporada longa na cadeia.

Hossam Hassan, atual treinador do  Al-Masry, da primeira divisão do Egito  (Mohammed Mahjoub - 30.jan.2014/AFP)
Hassan é o atual treinador do Al-Masry, da primeira divisão do Egito (Mohammed Mahjoub – 30.jan.2014/AFP)

Acabou salvo, de modo inusitado, por Jana, sua filha. Ela postou em uma rede social um texto que sensibilizou Abdelmaged.

“Eu vi que a filha de Hassan escreveu no Facebook que estava triste porque seu pai poderia ficar preso. Essas palavras me tocaram”, afirmou o fotógrafo, que decidiu retirar a acusação.

Mensagem da filha de Hassan, Jana, em egípcio (Reprodução/Facebook)
Mensagem da filha de Hassan, Jana, em egípcio (Reprodução/Facebook)

Hassan ficou detido quatro dias. Pagou multa equivalente a € 50 (R$ 81) para ser solto e uma outra, de US$ 1.100 (R$ 3.571), aplicada pela Federação Egípcia de Futebol por comportamento inadequado, além de ter sido suspenso por três partidas.

O coração aflito de uma filha amoleceu o coração de um fotógrafo que depois se revelou fã do ex-artilheiro: “Eu o amo porque fez o povo egípcio feliz”.

Que esses atos sirvam de exemplo para Hassan dar, por seu lado, bons exemplos para Jana.

Exercitar o autocontrole será um bom começo.