São Paulo nunca se recuperou em mata-mata de Libertadores depois de perder em casa

Por Luís Curro

O São Paulo é o clube brasileiro com mais participações na Libertadores (18), o com mais partidas disputadas (180) e o que mais venceu o prestigiado torneio, junto com o Santos (3 vezes).

Nesta edição, é a equipe brasileira que mais longe conseguiu chegar: a fase semifinal.

E, para tristeza do torcedor são-paulino e alegria de corintianos, palmeirenses e santistas (entre outros), deve parar por aí.

Na partida de ida, na noite desta quarta (6), no Morumbi com 61.766 torcedores, o time do treinador argentino Edgardo “Pátón” Bauza perdeu por 2 a 0 do Atlético Nacional, de Medellín, e terá que fazer o que jamais conseguiu para avançar e disputar a final contra o argentino Boca Juniors ou o equatoriano Independiente del Valle.

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O São Paulo, em sua história no interclubes continental, nunca se recuperou em um mata-mata ao perder o primeiro jogo como mandante.

Sem contar este duelo com o clube colombiano, que ainda está em andamento, foram, desde 1974, 36 confrontos eliminatórios, pela chamada pré-Libertadores, por oitavas de final, por quartas de final, por semifinais e por finais.

Desses, o São Paulo ganhou 26 e perdeu 10. Atuou em casa na primeira partida de um mata-mata em 17 oportunidades. Embalado por sua torcida, ganhou 14 desses jogos.

As duas derrotas foram para times brasileiros.

Na final de 2006, ocorreu a primeira, para o Internacional, por 2 a 1. No jogo decisivo, no Beira-Rio, empate por 2 a 2. Inter campeão.

Na segunda, teve como algoz o Atlético-MG. Nas oitavas de final de 2013, derrota por 2 a 1 em casa, seguida por uma goleada por 4 a 1 em Belo Horizonte. O Galo seria o campeão.

Houve nesses dois reveses uma coincidência com o último, diante do Atlético Nacional. O São Paulo teve um jogador expulso antes de ficar em desvantagem no placar.

Contra o Inter, o volante Josué (campeão mundial pelo São Paulo em 2005) recebeu o cartão vermelho aos 9 minutos de jogo por acertar uma cotovelada em Rafael Sóbis em dividida pelo alto. O jogo estava 0 a 0.

Diante do Atlético-MG, o zagueiro Lúcio (campeão mundial pelo Brasil em 2002) foi expulso aos 35 minutos do primeiro tempo por causa de uma entrada violenta em Bernard. Naquele momento, o São Paulo ganhava por 1 a 0, gol de Jadson.

Outro zagueiro, Maicon (campeão de nada pelo São Paulo nem pelo Brasil), a quem o clube paulista lutou muito para contratar, pagando caro ao Porto (Portugal), rendeu-se à provocação de Borja e deu um tapa na cabeça do adversário aos 28 minutos do segundo tempo. Levou o vermelho direto, e depois a equipe sofreu dois gols – ambos marcados justamente por Borja.

Até quando não perdeu no Morumbi, mas também não venceu, o São Paulo se deparou com a eliminação no duelo fora de casa. Aconteceu em 2004, na semifinal contra um outro colombiano, o Once Caldas. Após um 0 a 0 em seu estádio (dessa vez sem jogador expulso), levou um gol aos 45 minutos do segundo tempo e perdeu por 2 a 1 em Manizales. O campeão daquela Libertadores? O Once Caldas.

É impossível o São Paulo se classificar? Não. Tem que ganhar em Medellín, na próxima quarta (13), por três gols de diferença – ou então por dois, desde que marque ao menos três gols. Vitória por 2 a 0 provoca disputa de pênaltis.

Só que se isso, a classificação, acontecer, será uma façanha. Uma das maiores da história do clube.