Eurocopa e Copa América ganham peso na eleição para melhor do mundo

Por Luís Curro

Cristiano Ronaldo tinha na decisão da Liga dos Campeões da Europa uma chance imensa de ficar muito próximo de conquistar o que, todos sabemos, é sempre um dos objetivos primordiais para ele: o prêmio de melhor do mundo, a cobiçada Bola de Ouro da Fifa.

Brilhar na final do geralmente mais esperado jogo do ano é um passo gigante para faturar o prêmio. Mas não aconteceu.

Cristiano Ronaldo não esteve bem. Faltou inspiração para escapar da forte marcação do Atlético, especialmente de Juanfran. Faltou seriedade quando teve a chance, cara a cara com o goleiro Oblak, de fazer 2 a 0 – preferiu enfeitar, e o esloveno defendeu o chute.

O Atlético empatou ainda no tempo normal (Sergio Ramos abrira o marcador), e a partida, sem gols na prorrogação, teve de ser definida nos pênaltis.

Foi, sim, do CR7 o gol decisivo na disputa: converteu a sua penalidade e fechou a contagem em 5 a 3, dando ao Real sua 11ª taça da Champions League. Juanfran havia desperdiçado para o Atlético.

Cristiano Ronaldo desloca Oblak e faz o gol do título do real Madrid na Champions League (Olivier Morin - 28.mai.2016/AFP)
Cristiano Ronaldo desloca Oblak e faz o gol do título do Real Madrid na Champions League (Olivier Morin – 28.mai.2016/AFP)

Mas não parece um feito suficiente para assegurar ao português seu quarto prêmio de melhor futebolista do mundo – o argentino Messi, do Barcelona, seu rival de sempre, já faturou cinco.

Só no Real, estiveram melhor que ele na decisão deste sábado (28) em Milão, sem precisar pensar muito, Casemiro, Modric, Sergio Ramos e Bale. No Atlético, Griezmann e Juanfran jogaram muito bem, mas tiveram a infelicidade de desperdiçar penalidades – o francês acertou o travessão de Navas no início do segundo tempo.

Cristiano Ronaldo faz boa temporada: terminou a Liga dos Campeões como artlheiro, com 16 gols, e o Campeonato Espanhol como vice-artilheiro, com 35.

E a maior ameaça para ele no momento é justamente o goleador do espanhol: Luiz Suárez marcou 40 gols, que lhe asseguraram a Chuteira de Ouro (prêmio dado anualmente ao jogador com mais gols em um campenato nacional europeu). O uruguaio fez oito gols na Champions League e, muito importante, foi o nome do Barcelona na decisão do Mundial de Clubes, que, mesmo sendo disputado no final de 2015, conta para a eleição do melhor de 2016. No 3 a 0 no River Plate, “El Pistolero” marcou dois gols – o outro foi de Messi.

Nesse cenário, ganham muita importância as duas competições entre seleções que começam daqui a alguns dias. A Copa América Centenário, nos EUA, a partir do dia 3 de junho, e a Eurocopa, na França, que dá a largada no dia 10.

Cristiano Ronaldo precisará ser mais Cristiano Ronaldo do que nunca, mais artilheiro do que nunca, para carregar Portugal até pelo menos as quartas de final, quiçá as semifinais (não vejo os portugueses com time para alcançar a decisão), a fim de manter os holofotes direcionados a ele.

Cinco vezes o melhor jogador do mundo, Messi avança com a bola em amistoso da Argentina contra Honduras (Eitan Abramovic - 27.mai.2016/AFP)
Cinco vezes o melhor jogador do mundo, Messi conduz a bola em amistoso da Argentina contra Honduras (Eitan Abramovic – 27.mai.2016/AFP)

A Copa América será crucial nessa disputa com o CR7 tanto para Messi como para Suárez.

O argentino e o uruguaio, que ganharam Mundial de Clubes, Espanhol e Copa do Rei nos últimos meses, encaram desafios diferentes. O primeiro convive com a fama de não brilhar pela seleção de seu país, que foi vice na Copa do Mundo de 2014 (no Brasil) e vice na Copa América de 2015 (no Chile). O segundo, na melhor fase de sua vida, tenta se recuperar de uma lesão na coxa que o ameaça tirar da competição.

São esses três os concorrentes mais fortes à Bola de Ouro.

A Libertadores, em andamento, não tem historicamente força para “eleger” um melhor do mundo, e não houve outros jogadores que tenham se destacado o suficiente nas principais ligas europeias para pleitear o prêmio.

Higuaín foi muito bem pelo Napoli, marcou 36 gols na Série A, mas o Napoli não foi campeão italiano. Precisa de uma Copa América espetacular pela Argentina.

Müller e Lewandowski não foram brilhantes na campanha do tetra do Bayern na Alemanha, e, além disso, o time parou nas semifinais da Champions. Precisam de uma Eurocopa fenomenal por Alemanha e Polônia, respectivamente. Assim como o francês Griezmann, do Atlético de Madri, pois o pênalti perdido na decisão o enfraqueceu.

O sueco Ibrahimovic encerrou o Campeonato Francês com 38 gols pelo PSG, mas é outro que não teve sucesso continental pelo clube – resta a Eurocopa, mas a Suécia não é potencial candidata a uma grande campanha.

E Neymar? Tem jogado bem, mas ficado à sombra de Messi e Suárez no Barcelona em 2016. Não estará na Copa América. Para ter chance de ser o melhor do ano, precisa conduzir o Brasil ao inédito ouro olímpico, em agosto, mas até isso pode ser pouco.

Suárez deixa o campo, lesionado, na final da Copa do Rei, entre Barcelona e Sevilla (Josep Lago - 22.mai.2016/AFP)
Suárez é atendido ao se lesionar na final da Copa do Rei, entre Barcelona e Sevilla (Josep Lago – 22.mai.2016/AFP)

O segundo semestre, com os campeonatos na Europa em fase inicial, não é a meu ver decisivo na eleição – a Fifa divulga os candidatos no fim de outubro.

Então, reforçando: Eurocopa e Copa América serão os fiéis da balança neste ano. Nelas, olho neles.

Em tempo: Uma pergunta. Terá o pequeno Leicester força para angariar votos suficientes de jornalistas, treinadores e capitães de seleções para que o inglês Vardy (24 gols e 6 assistências) ou o argelino Mahrez (17 gols e 11 assistências), maiores destaques do clube no inédito e surpreendente título no Campeonato Inglês, seja eleito o melhor do mundo? Minha resposta: difícil, mas possível, já que o Leicester tornou-se o queridinho do mundo da bola. E o troféu Bola de Ouro, para um ou para outro, seria merecidíssimo.