Final da Champions League: ataque do Real Madrid versus defesa do Atlético de Madri

Por Luís Curro
Griezmann, Saúl e Filipe Luís durante treino do Atlético de Madri, finalista da Champions League (Juan Medina - 21.mai.2016/Reuters)
Griezmann, Saúl e Filipe Luís durante treino do Atlético de Madri, finalista da Champions League (Juan Medina – 21.mai.2016/Reuters)

Em uma decisão de campeonato, ao avaliar os adversários, além dos aspectos físico, técnico, tático e emocional, é praxe o jornalista/analista/comentarista considerar os poderios ofensivo e defensivo de cada um.

Há três conclusões possíveis ao se fazer essa análise: será um duelo de ataque x defesa, de ataque x ataque ou de defesa x defesa.

Na decisão da Liga dos Campeões da Europa desta temporada, neste sábado (28), no estádio San Siro, em Milão, haverá o confronto entre o formidável ataque do Real Madrid e a quase intransponível defesa do Atlético de Madri.

Os rivais da capital espanhola, vale lembrar, duelaram na final da Champions League de 2014, e o setor defensivo do Atlético por muito pouco não deu a taça à equipe.

O time comandado pelo ótimo treinador argentino Diego Simeone (que continua à frente do Atleti), que dias antes havia conquistado o Campeonato Espanhol, vencia por 1 a 0 até os 48 minutos do segundo tempo a partida em Lisboa, gol de cabeça do zagueiro uruguaio Godín, em falha do goleiro Casillas.

Só que Sergio Ramos, zagueiro do Real, empatou, também de cabeça, levando o jogo para a prorrogação. Nela, o Real deslanchou e marcou três vezes: Bale, Marcelo e Cristiano Ronaldo (de pênalti).

Foi o décimo título (La Décima) do Real na Champions, enquanto o Atlético permaneceu zerado. O treinador do Real à época era o italiano Carlo Ancelotti; hoje, é o francês Zinédine Zidane.

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Daquela vez, já era ataque contra defesa, só que na temporada 2015-2016 a retaguarda do Atlético se aperfeiçoou ainda mais e promete oferecer dificuldades extremas ao superataque formado pelo trio BBC (Bale-Benzema-Ronaldo).

Cristiano Ronaldo, aos 31 anos, mantém aguçadíssimos a fome de bola e o faro artilheiro: até agora, na temporada, são 53 gols em 56 partidas, assim divididos:

  • 35 gols em 36 jogos no Espanhol;
  • 16 gols em 11 jogos na Champions League;
  • 1 gol em 4 jogos na International Champions Cup (torneio de verão em julho de 2015);
  • 1 gol em 5 partidas pela seleção de Portugal.

Gareth Bale, de 26 anos, que conviveu com lesões nos últimos meses (três delas na panturrilha) e jogou bem menos que o CR7, anotou 19 gols no Espanhol (em 23 partidas), mas está zerado na Champions (em sete aparições). Na partida de volta da semifinal, contra o Manchester City, foi quem finalizou para o único gol do jogo, só que a bola desviou no volante brasileiro Fernando, e o árbitro deu gol contra. O galês também não balançou as redes pelo Real na International Champions Cup (em 4 jogos), na Audi Cup (1 jogo) e em dois amistosos. Defendendo a seleção de seu país, marcou dois gols em quatro partidas. Total: 21 gols em 41 jogos.

Karim Benzema teve a temporada manchada pelo envolvimento em um caso de chantagem, o que o excluiu da Eurocopa da França, que começa em junho, porém não prejudicou seu rendimento em campo – quando conseguiu jogar, pois, como Bale, amargou várias contusões musculares. Aos 28 anos, o francês fez 24 gols em 27 partidas no Espanhol, 4 gols em 8 jogos na Champions, 1 gol em 3 jogos na International Champions Cup, 2 gols em 3 jogos pela seleção francesa (antes de deixar de ser convocado). Total: 31 gols em 41 jogos.

A defesa do Atlético, cujos titulares são o goleiro esloveno Oblak (23 anos), o lateral direito espanhol Juanfran (31 anos), o lateral esquerdo brasileiro Filipe Luís (30 anos) e os zagueiros uruguaios Godín (30 anos) e Giménez (21 anos), terminou o Espanhol com somente 18 gols sofridos em 38 partidas.

A média, de 0,47 gol por jogo, é a melhor das principais ligas europeias, superando a do Paris Saint-Germain, campeão francês (19 gols tomados em 38 partidas) e a do Bayern de Munique (17 gols sofridos em 34 jogos).

Só que a eficiência defensiva não se resume ao quinteto que se posiciona mais atrás. Simeone faz com que todo o time empreenda esforço máximo na marcação do começo ao fim do jogo, inclusive com fortíssima marcação por pressão no início. Assim, os atacantes Fernando Torres e Griezmann e os meio-campistas Saúl, Gabi, Fernández e Koke não param um só minuto de correr, a fim de roubar a bola e contra-atacar em velocidade, a arma principal do Atleti.

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Com um oponente feroz na marcação, o Real precisará ser muito rápido e preciso. Os meias-volantes Kroos e Modric, assim como os laterais Carvaval e Marcelo, precisarão fazer partidas excelentes para que a bola chegue redonda ao trio BBC.

Além disso, os zagueiros Pepe e Sergio Ramos não podem perder a atenção um único minuto: uma enfeitada ou passe errado provavelmente significará chance de gol para o Atlético – se a bola cair nos pés do francês Griezmann (29 gols em 40 jogos na temporada, na soma de Espanhol e Champions), será um sério problema para o goleiro Navas.

Minha aposta: se o Real Madrid fizer o primeiro gol, leva; o Atlético não terá força ofensiva para reagir e, pior, terá de avançar e se sujeitar ao mortal contra-ataque do Real – Bale e Cristiano Ronaldo são velocíssimos, e Zidane poderá sacar Benzema e, com Lucas Vázquez ou Jesé, ampliar ainda mais a correria. A chave para o Atlético é sair na frente (talvez em um lance de bola parada) e depois fazer o que sabe melhor: não levar gol.

Observados por Toni Kroos, Cristiano Ronaldo (de azul) e Sergio Ramos disputam a bola em treino do Real Madri (Gerard Julien - 24.mai.2016/AFP)
Observados por Toni Kroos, Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos (de colete verde) disputam a bola em treinamento do Real Madrid (Gerard Julien – 24.mai.2016/AFP)

Em tempo 1: Pode ser que Simeone escale na zaga o montenegrino Savic (25 anos), mais leve e ágil que Giménez, e, no meio, o experiente português Tiago (35 anos), recuperado de grave lesão na tíbia que o afastou do fim de novembro até o começo deste mês – nesse caso, o argentino Fernández (30 anos) irá para a reserva. Assim, esta é a provável escalação do Atlético: Oblak; Juanfran, Godín, Giménez (Savic) e Filipe Luís; Fernández (Tiago), Gabi, Saúl e Koke; Fernando Torres e Griezmann. O 11 inicial de Real de Zidane tem tudo para ser este: Navas; Carvajal, Pepe, Sergio Ramos e Marcelo; Casemiro, Modric e Kroos; Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo. 

Em tempo 2: Desde que o Real superou o Atlético na final da Champions, em maio de 2014, houve dez partidas entre os clubes, e o Atlético levou ampla vantagem, com cinco vitórias. Houve quatro empates, e o Real ganhou apenas um jogo, o de volta das quartas de final da Champions 2014-2015, 1 a 0, no Santiago Bernabéu, gol de Chicharito Hernández aos 43 minutos do segundo tempo – o artilheiro mexicano não está mais na equipe. Desde que Zidane assumiu o Real, no início deste ano, aconteceu um único duelo, no Bernabéu, pelo Espanhol: 1 a 0 para o Atleti, gol de Griezmann – Bale e Marcelo, machucados, não atuaram e Casemiro foi reserva. 

Em tempo 3: Globo, Band, na TV aberta, e Esporte Interativo, na TV paga e via site, exibem a decisão da Champions League. O jogo começa às 15h45 (de Brasília).