Barcelona joga para evitar sua pior sequência de derrotas desde o século passado

Por Luís Curro

O superpoderoso Barcelona, quem diria, vive um momento de baixa.

Atual campeã do Espanhol, da Copa do Rei, da Liga dos Campeões da Europa e do Mundial de Clubes, a equipe comandada por Luis Enrique, mesmo com o trio MSN (Messi-Suárez-Neymar) em campo, perdeu quatro dos últimos cinco jogos (três pelo Campeonato Espanhol, um pela Liga dos Campeões da Europa).

São três derrotas seguidas, para Real Sociedad (1 a 0, fora de casa), Atlético de Madri (2 a 0, também como visitante) e Valencia (2 a 1, no Camp Nou), que resultaram na eliminação da Champions League e na ameaça de não conquistar um Espanhol que parecia ganho havia algumas rodadas – agora, a cinco partidas do fim, o Atlético tem o mesmo número de pontos (76, com saldo de gols pior), e o Real Madrid vem logo atrás (75, com saldo de gols melhor).

Neymar lamenta gol perdido em Barcelona 1 x 2 Valencia, pelo Espanhol, no Camp Nou (Albert Gea - 17.abr.2016/Reuters)
Neymar lamenta gol perdido em Barcelona 1 x 2 Valencia, pelo Espanhol, no Camp Nou (Albert Gea – 17.abr.2016/Reuters)

Perder três jogos em série é algo raríssimo para um clube do nível do Barcelona. Neste século, havia ocorrido apenas duas vezes:

  • em janeiro de 2003, contra Valencia (2 a 4), Celta (2 a 0) e Atlético (3 a 0), sempre em jogos pelo Espanhol. Esse Barcelona tinha Puyol, Xavi, Iniesta e os volantes brasileiros Thiago Motta e Fábio Rochemback, e o técnico era o holandês Louis van Gaal, hoje no Manchester United;
  • em abril de 2014, contra Atlético (1 a 0 na Champions), Granada (1 a 0 no Espanhol) e Real Madrid (1 a 2 na Copa do Rei). Esse Barcelona, treinado pelo argentino Tata Martino (atualmente à frente da seleção de seu país), contava com vários jogadores da equipe atual, incluindo Messi, Iniesta, Neymar, Daniel Alves, Mascherano e Busquets.

E ser derrotado quatro vezes consecutivas, risco que o time corre nesta quarta (20), contra o Deportivo La Coruña, no estádio Riazor?

A ocasião mais recente data do século 20.

Pelo Espanhol, entre outubro e novembro de 1999, o Barça de Van Gaal (na primeira passagem dele pelo clube, mais longa que a segunda) caiu ante Deportivo La Coruña (2 a 1), Málaga (1 a 2), Valencia (3 a 1) e Mallorca (3 a 2). Luis Enrique e Guardiola eram titulares do meio-campo do time, e o ataque contava com o brasileiro Rivaldo e o português Figo.

Todos esses Barcelonas eram bons, então quatro derrotas consecutivas já era algo bastante improvável e inesperado.

Este Barça de agora, porém, é muito melhor. Ficou 39 partidas, do meio de outubro até o começo de abril (cinco meses e meio), sem perder, com 32 vitórias e 7 empates, até ser batido, de virada, pelo Real Madrid no dia 2 deste mês.

Derrota essa que não abalou o time, tanto que o zagueiro Piqué declarou: “Essa derrota não nos afetará. Temos um timaço. Somos quase imparáveis”.

Uma derrota apenas, isolada, não afeta mesmo. Só que são três seguidas. O Barcelona, mesmo com um timaço, tem sido parado.

E perder quatro partidas em série deve desencadear algo inimaginável no clube. Fazer ser proferida uma palavra que inexiste em seu vocabulário: crise.

Em tempo: O Fox Sports televisiona Deportivo La Coruña x Barcelona. O jogo começa às 15 horas (de Brasília).