Brasil tem molezas na primeira fase da Rio-2016, mas jogo das quartas de final é encrenca

Por Luís Curro

A seleção masculina de futebol deu sorte no sorteio dos grupos da Olimpíada do Rio de Janeiro, que começa no início de agosto.

O Brasil está no Grupo A, e os adversários serão África do Sul, no dia 4, em Brasília (apesar de a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos ser realizada no dia 5, o futebol já tem jogos a partir do dia 3), Iraque, no dia 7, novamente na capital federal, e Dinamarca, no dia 10, em Salvador.

Ronaldinho Gaúcho sexibe o nome do Brasil no sorteiio das chaves da Olimpíada, no Rio (Lucas Figueiredo - 14.abr.2016//MoWa Press)
Ronaldinho Gaúcho, que participou dos Jogos Olímpicos de Sydney-2000 e Pequim-2008, exibe o nome do Brasil no sorteio das chaves da Olimpíada do Rio-2016 (Lucas Figueiredo – 14.abr.2016//MoWa Press)

Na Olimpíada, cada seleção terá 18 jogadores, sendo que três deles podem ter mais de 23 anos.

Com Neymar, 24, no time ou não (ainda não se sabe se ele participará da Olimpíada, o mais provável é que sim), o Brasil, mesmo sob o comando de Dunga, que vai mal à frente da seleção principal, deve ter moleza nas três primeiras partidas em sua caminhada pela sonhada e inédita medalha de ouro olímpica. Até hoje, foram três pratas (Los Angeles-1984, Seul-1988 e Londres-2012) e dois bronzes (Atlanta-1996 e Pequim-2008).

Os sul-africanos, que só se classificaram para a Rio-2016 ao suplantar nos pênaltis o Senegal na decisão do bronze da Copa das Nações Africanas sub-23, dificilmente oferecerão alguma resistência. Em amistoso contra a seleção olímpica no final de março, em Maceió, perderam de 3 a 1, e poderia ter sido mais, já que o Brasil diminuiu seu ímpeto no segundo tempo.

Os iraquianos, então… Espera-se nada menos que uma goleada brasileira nessa partida. O Iraque classificou-se para o Rio na terceira e última vaga ofertada no Campeonato Asiático sub-23. É um país historicamente fraco no futebol. Na Olimpíada de Atenas, em 2004, surpreendeu e terminou em quarto lugar. Mas foi um raro ponto fora da curva.

Tendo superado África do Sul e Iraque, o Brasil chegará ao terceiro jogo, contra a Dinamarca (cuja seleção adulta um dia ganhou o apelido de Dinamáquina, nos idos da Copa do Mundo de 1986, mas que hoje anda mais enferrujada que funcional), já classificado e embalado, o que pode contribuir para manter os 100% (os dinamarqueses nem finalistas foram no Europeu sub-21, o torneio classificatório para a Olimpíada) e elevar o moral para as quartas de final.

Que é onde mora o perigo. Nesse mata-mata, o Brasil pegará uma seleção do Grupo B, que tem Colômbia, Japão, Nigéria e Suécia.

A partida será difícil independentemente do adversário.

Suécia, Nigéria e Japão ganharam os seus respectivos qualificatórios continentais para a Rio-2016.

A Colômbia, mesmo atuando no Uruguai, ficou à frente dos anfitriões no Sul-Americano sub-20, vencido pela Argentina, e ganhou o direito de ir à repescagem. No jogo decisivo, contra os norte-americanos, em Frisco (EUA), venceu por 2 a 1 e carimbou o passaporte para os Jogos no Brasil.

Todos eles contam com jovens atuando além das suas respectivas fronteiras, alguns em campeonatos de bom nível.

Os destaques da Colômbia são o atacante Martínez, do Racing (Argentina), e o meio-campista Quinteros, do Rennes (França).

A Suécia desfila suas promessas na Holanda, na Suíça, na Noruega, na Dinamarca. O Japão tem jogadores na Holanda, na Áustria, na Suíça. O pé de obra da Nigéria espalha-se por Alemanha, Bélgica, Inglaterra, Turquia.

Além disso, as seleções adultas desses países são hoje respeitadas e fortes postulantes a obter a classificação para a Copa do Mundo de 2018 (na do Brasil, em 2014, apenas os suecos estiveram ausentes, pois perderam na repescagem para Portugal em um dia de tremenda inspiração de Cristiano Ronaldo, que fez os três gols na vitória por 3 a 2). Se os reforços acima de 23 anos forem bem escolhidos, o Brasil precisará jogar muito bem (física e taticamente) para evitar uma eliminação precoce, que frustaria a nação mais do que nas outras Olimpíadas.

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Particularmente, torço para o Brasil não cruzar com a Nigéria. Não por ser superior a Suécia e Japão – até considero que seja, mas não muito.

O que pega é o passado, que pode exercer uma pressão a mais na equipe de Dunga.

Será inevitável lembrar a semifinal da Olimpíada de Atlanta-1996, quando Galvão Bueno inesquecivelmente narrou: “Olha o Kanu, ele é perigososo…”. A Nigéria, com gol do grandalhão Nwankwo Kanu, de 1,97 m, virou um jogo que o Brasil tinha nas mãos (chegou a ficar com 3 a 1 de vantagem) e eliminou Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Roberto Carlos, Bebeto e companhia na chamada “morte súbita” – o time que marcasse o primeiro gol na prorrogação ganhava.

É sempre bom exorcizar certos fantasmas (como o Brasil fez na semifinal da Copa de 1970, no México, ao derrotar o Uruguai, algoz na final da Copa de 1950, no Brasil), mas um confronto com a Nigéria pode perfeitamente ficar para uma próxima Olimpíada.

Em tempo: Em amistoso em março, contra a seleção olímpica da Nigéria, em Cariacica (ES), o Brasil sub-23 perdeu por 1 a 0.  

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