Azzurra se aproxima da Eurocopa em meio a discussão sobre o futuro técnico

Por Luís Curro

Tetracampeã mundial, como a Alemanha, a Itália tem data para trocar de treinador. Julho deste ano, depois do encerramento da Eurocopa, marcada para junho, na França.

O atual técnico, Antonio Conte, avisou que não permanecerá no comando da Squadra Azzurra, onde está desde agosto de 2014. Ele concluirá seu contrato e voltará a dirigir um clube. Disse sentir falta dos “treinos diários”. Tudo indica que será o Chelsea, da Inglaterra – pode ser até que as partes já tenham se acertado, mesmo sem ainda um anúncio oficial.

Ser transparente, e eu defendo que seja assim, tem suas vantagens. Evita-se o desgaste de possível negociação para renovação de contrato. Evita-se também a especulação da imprensa sobre o “fica ou não fica”, o que acaba respingando no clima da seleção. E permite à federação do país iniciar a busca, sem melindres, por um novo nome.

Já se comenta sobre a possibilidade de o ex-zagueiro Fabio Cannavaro, eleito o melhor jogador do mundo em 2006, assumir o cargo. O capitão da equipe campeã mundial na Alemanha, dez anos atrás, prontificou-se na semana passada. “Eu gostaria de dirigir a seleção”, disse à Sky Italia. “É um papel difícil, mas eu conheço o ambiente, estive lá por 15 anos.”

O ex-zagueiro da seleção italiana Cannavaro, que foi o capitão do time na conquista da Copa do Mundo de 2006 (Hassan Ammar - 13.jul.2014/Associated Press)
O ex-zagueiro da seleção italiana Cannavaro, que foi o capitão do time na conquista da Copa de 2006 (Hassan Ammar – 13.jul.2014/Associated Press)

Cannavaro é um símbolo da Itália. Vestiu a camisa da seleção adulta de 1997 a 2010, em 136 partidas. Só o goleiro Buffon, ainda na ativa aos 38 anos, defendeu mais vezes (156) a Azzurra.

O problema é que Cannavaro, aos 42 anos, tem escassa experiência como treinador, e em clubes da periferia da bola. Em 2014-2015, estreou, pelo chinês Guangzhou Evergrande. Não completou o campeonato, sendo trocado pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari, o Felipão. Depois, aventurou-se no saudita Al-Nassr. Também não durou – o contrato foi rescindido no mês passado.

Uma alternativa mais provável, de acordo com apuração da imprensa italiana, é a entrada de Fabio Capello, renomado treinador de 69 anos, com passagens por Milan, Roma, Juventus, Real Madrid e seleções inglesa e russa. Nesse cenário, Cannavaro seria assistente técnico e substituiria Capello em um prazo a ser definido, possivelmente depois da Copa do Mundo de 2018.

Roberto Donadoni, 52, atual treinador do Bologna e que comandou a Azzurra de 2006 (após a Copa) e 2008, também esteve cotado, porém já teria dito não ter interesse. E é impossível que a federação não tenha em mente Massimiliano Allegri, 48, o treinador da supervitoriosa Juventus.

Como um treinador estrangeiro não é opção por ora, outros nomes viáveis são Roberto Mancini (Inter de Milão), 51, mais pelos resultados obtidos no passado (com a própria Inter e com o Manchester City) do que pela atual temporada, e Claudio Ranieri (Leicester), 64, especialmente pela atual temporada, na qual o pequenino clube inglês se aproxima do título nacional.

Fabio Capello em jogo amistoso da Rússia, seleção que comandou na Copa de 2014, contra a Noruega (Odd Andersen - 31.mai.2014/AFP)
Fabio Capello em amistoso da Rússia, seleção que comandou na Copa do Brasil-2014, contra a Noruega (Odd Andersen – 31.mai.2014/AFP)

Enquanto o eleito não é escolhido e/ou anunciado, volto a Antonio Conte, 46, a fim de expor a questão do comprometimento. Quando alguém está em um emprego, porém já com a cabeça em outro, será que consegue empreender total dedicação no atual trabalho?

Conte fez, com sobras, o que se esperava dele, que era classificar a Itália para a Eurocopa. A campanha foi muito boa: sete vitórias, três empates e nenhuma derrota em um grupo com Bulgária, Croácia, Noruega, Malta e Azerbaijão – os três primeiros não são uma moleza.

Mesmo com várias modificações na formação do time, especialmente do meio para a frente, a equipe foi disciplinada taticamente e, mantendo o tradicional pragmatismo italiano, vingou.

Até o ano passado, contando também os amistosos, com o treinador a Azzurra venceu oito jogos, empatou cinco e perdeu dois.

Neste ano, já com o anúncio da saída consumado, em dois amistosos, Conte registrou um empate e uma derrota. Um 1 a 1 em casa contra a Espanha e uma goleada, 1 a 4, fora, para a Alemanha.

Ok, a Itália parou nos dois últimos campeões de Copa do Mundo, e em clássicos todo resultado é possível. Só que a Euro se aproxima rapidamente, e bons resultados em amistosos são o que há para chegar lá com moral e confiança.

Antes de estrear na Euro, diante da Bélgica (líder do ranking da Fifa), a Azzurra fará dois últimos amistosos, como mandante, contra Escócia e Finlândia, duas seleções no máximo medianas. Serão o termômetro que medirá o estado em que Conte terá a equipe na França para tentar um título que desde 1968 a Itália não conquista (foi vice em 2000 e 2102).

Antonio Conte, atual treinador da Azzurra, durante o amistoso em que seu time perdeu de 4 a 1 da Aleamanha, em Munique (Michaela Rehle - 29.mar.2016/Reuters)
Antonio Conte, treinador da Azzurra, no amistoso em que o time perdeu de 4 a 1 da Alemanha, em Munique (Michaela Rehle – 29.mar.2016/Reuters)