Beque inglês conta que virou piada após duelo com Ibrahimovic

Por Luís Curro

Cria das categorias de base do Manchester United, Ryan Shawcross nunca disputou uma partida pelos Red Devils (Diabos Vermelhos). Ainda adolescente, em 2007, foi negociado com o Stoke City, e lá se firmou.

Aos 28 anos, está em sua nona temporada pelo clube, que geralmente ocupa o meio da tabela no Campeonato Inglês. Raramente luta por vaga em competições europeias, raramente luta contra o rebaixamento.

Há vários anos Shawcross é o capitão do time. Alto (1,91 m) e magro (76 kg), tem como maiores qualidades a liderança, a seriedade, a constância e o bom posicionamento. É forte no jogo aéreo e costuma ir ao ataque para se aproveitar dos lances de bola parada – sempre fez ao menos um gol por temporada. Tecnicamente, porém, é bem limitado.

Em resumo, é uma versão loira de Gary Cahill, zagueiro do Chelsea e da seleção inglesa.

Sua regularidade por seguidas temporadas renderam, no final de 2012, a convocação para o English Team. Reserva em dois amistosos em outubro, também iniciou no banco o amistoso de 14 de novembro, contra os suecos, na cidade de Solna, na Suécia.

Com a Inglaterra na frente, por 2 a 1, o treinador Roy Hodgson decidiu dar a Shawcross alguns minutos – os primeiros minutos dele com a camisa da seleção inglesa.

Aos 29 minutos do 2º tempo, com a camisa 16, ele entrou no lugar de Caulker, que até então fazia a dupla de zaga com Cahill. Quatro minutos depois, Svensson lançou pelo alto na direção do artilheiro Zlatan Ibrahimovic, e Shawcross “cochilou”. A bola passou por cima dele, e Ibra dominou e fuzilou o goleiro Hart para empatar.

Passados mais seis minutos, falta para a Suécia, a média distância do gol. Ibra bate firme e vence Hart. Era a virada.

Aos 46 minutos, já nos acréscimos, Ibra é lançado. Hart sai da área, desvia de cabeça, e o goleador sueco, acrobático, acerta de longe uma linda bicicleta. Shawcross, em desespero, corre e salta para tentar impedir o gol. Em vão. Bola e zagueiro terminam na rede.

Final: Suécia 4 x 2 Inglaterra. Todos os quatro gols suecos foram de Ibra.

Final também para Shawcross no English Team. Depois desse jogo, no qual sua seleção levou três gols nos 17 minutos em que ele esteve em campo, nunca mais foi convocado.

“Virei piada na família. Eles constantemente dizem que Zlatan (Ibrahimovic) arruinou minha carreira”, declarou o zagueiro ao jornal “The Telegraph”. “Os dez minutos que tive no futebol internacional foram destruídos por um homem.”

Shawcross diz acreditar que, apesar de se ver jogando bem “nos últimos três ou quatro anos”, não terá nova chance, especialmente enquanto o treinador for Hodgson.

“É injusto? Sim. Mas o futebol é impiedoso”, resigna-se ele.

Para os amistosos de sábado (26), contra a Alemanha, em Berlim, e de terça (29), contra a Holanda, em Londres, os zagueiros convocados para o English Team foram, além do já citado Cahill, Smalling (Manchester United), Jagielka e Stones (ambos do Everton).

Diego Costa, do Chelsea, encara Shawcross (dir.), do Stoke, em jogo pelo do Campeonato Inglês(Ed Sykes - 7.nov.2015/Reuters)
Diego Costa, do Chelsea, encara Shawcross (dir.), do Stoke, em jogo pelo Campeonato Inglês (Ed Sykes – 7.nov.2015/Reuters)

Em tempo: Torcedores do Arsenal devem se lembrar bem de Shawcross, e com raiva e rancor. Em uma dividida em partida do Campeonato Inglês, em fevereiro de 2010, o beque do Stoke quebrou a perna de Aaron Ramsey, então um promissor meia de 19 anos, que ficou afastado do futebol por nove meses. Eu não considero que Shawcross tenha sido desleal (muitos comentaristas pensam que sim), mas imprudente. Não importa. Ele ficou marcado, e sempre ficará, negativamente por essa jogada.