Terrorismo faz cartola da Uefa sugerir jogos da Eurocopa com portões fechados

Por Luís Curro

Os atentados terroristas desta terça (22) em Bruxelas, na Bélgica, que deixaram pelo menos 30 mortos trouxeram de volta temores relacionados à segurança da Eurocopa-2016, agendada para junho, na França.

Tanto que teve dirigente da Uefa, a entidade que controla o futebol na Europa, que sugeriu jogos sem a presença da torcida na competição.

“Como não podemos excluir o terrorismo, não podemos descartar a possibilidade de jogar com portões fechados”, afirmou Giancarlo Abete, vice-presidente do comitê executivo da Uefa, à rádio 24, da Itália.

Sede da Euro, a França está em estado de emergência desde novembro, quando ataques em Paris mataram 130 pessoas – a facção radical Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelos atentados na capital francesa, assim como pelos na capital belga.

X

Os acontecimentos em Bruxelas põem em dúvida a realização do amistoso de terça-feira (29), Bélgica x Portugal,  marcado para o estádio King Baudouin, na cidade.

O treinador da Bósnia, Mehmed Bazdarevic, defendeu o cancelamento de todos os amistosos internacionais desta “data Fifa”, a serem disputados entre esta quarta (23) e a metade da próxima semana. “Quem se importa com futebol depois dessas cenas terríveis em Bruxelas?”, indagou.

Cada um tem o direito de sugerir o que considera mais adequado, especialmente quando se trata de não colocar em risco a vida de pessoas, mas a posição do italiano Abete sobre o Europeu de seleções beira o nonsense.

Autoridades da França têm trabalhado para tomar todas as medidas preventivas antiterror possíveis a fim de proporcionar, nas palavras do ministro do Interior do país, Bernard Cazeneuve, “espírito esportivo, festividades e segurança” a todos os envolvidos nas 51 partidas da Euro.

É certo que o terrorismo causa medo, e o torcedor que não se sentir seguro pode simplesmente não ir ao estádio. Sobre Abete, aventar tirar de cada um a opção de escolha não chega a ser terrorismo (neste caso, em sentido figurado), mas é, no mínimo, antidemocrático.

Os torcedores são a alma de qualquer evento esportivo. Se for para fazer jogos da Euro sem eles, é melhor cancelar de uma vez a competição.

Em tempo: Alguns sites destacaram um fato curioso. O lateral belga de 20 anos Jason Denayer, nos dias dos últimos ataques terroristas relevantes, todos neste mês, estava na cidade em que cada um deles ocorreu. Primeiro, em Ancara (Turquia), no dia 13, quando um carro explodiu e causou a morte de 37 pessoas – seu time, o Galatasaray, enfrentara pouco antes o Genclerbirligi. Depois, em Istambul (também Turquia), no dia 19, quando a explosão de um homem-bomba deixou cinco mortos – era a véspera do clássico com o Fenerbhace, que acabou sendo adiado. Por fim, em Bruxelas, ontem, onde a seleção da Bélgica se reuniu para treinamentos.

O belga Denayer, do Galatasaray, em lance com o brasileiro Felipe Anderson (esq.), da Lazio, em partida da Liga Europa em Istambul (Osman Orsal - 18.fev.2016/Reuters)
O belga Denayer, do Galatasaray, em lance com o brasileiro Felipe Anderson (esq.), da Lazio, em partida da Liga Europa em Istambul (Osman Orsal – 18.fev.2016/Reuters)