Os caras de Dunga – Política de inclusão e exclusão precisa ser mais bem explicada

Por Luís Curro

“Faço o que acho melhor para a seleção brasileira.” Frase de Dunga, e não há por que discordar dela. Não tenho nenhuma dúvida de que o treinador tem suas crenças e monta a lista de convocados baseado nelas.

O que é difícil engolir é outra frase de Dunga, que, dita durante a convocação de quinta (3), soa simplória, incoerente e enganosa: “Futebol é momento”.

Marquinhos, do PSG, está em melhor momento que Thiago Silva, seu colega de clube? Não está.

Diego Alves, goleiro do Valencia, ou Marcelo Grohe, goleiro do Grêmio, estão em melhor momento que Jefferson, do Botafogo? Não estão.

Roberto Firmino, do Liverpool, está em melhor momento que Jonas (Benfica), artilheiro do Campeonato Português, ou que o pouco conhecido Raffael (Borussia Mönchengladbach), destaque na Bundesliga não só nos gols mas também nas assistências? Não.

Philippe Coutinho, também do Liverpool, está em melhor momento que, por exemplo, Lucas Moura, do PSG? Também não.

E o que dizer do momento de Oscar no Chelsea? Pior do que o atual deve ser impossível. Mesmo assim, ele permaneceu entre os chamados para defender o Brasil nas partidas do dia 25, contra o Uruguai, e 29, diante do Paraguai, pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia.

Dunga tem o direito, e isso é incontestável, de convocar quem bem entender, e será elogiado ou criticado pelos comentaristas e analistas de futebol, assim como pela opinião pública, conforme suas escolhas.

O que é muito ruim é não dar justificativas lógicas e consistentes sobre suas opções, sobre suas preferências.

Dunga, bem-humorado, na convocação da seleção para as partidas contra Uruguai e Paraguai (Lucas Figueiredo - 3.mar.2016/MoWA Press )
Dunga, bem-humorado, na convocação para os jogos contra Uruguai e Paraguai (Lucas Figueiredo – 3.mar.2016/MoWA Press )

Na convocação da seleção, o treinador (não só Dunga, mas todos, historicamente) limita-se a anunciar o nome de cada jogador e a sua posição. Poderia, na sequência, elencar as razões de optar por atletas que não estavam na lista anterior e também os motivos de descartar alguns dos recentemente convocados. Isso, aliás, deveria ser obrigatório no rito do anúncio de cada lista.

Algumas exclusões são óbvias, por lesão. Casos, agora, de Elias (Corinthians) e Kaká (Orlando City), este último cortado após contusão em treino no sábado (5), véspera do início do campeonato norte-americano.

Outras exclusões, não. Casos dos goleiros Jefferson, já citado, e Cássio (Corinthians), ambos presentes na convocação anterior. Não se pode dizer que eles estão em momento de baixa. Cássio falhou diante do Santos, mas isso ocorreu três dias depois de ter sido preterido por Dunga.

Gabriel Paulista, outro excluído desta vez, de fato não vive boa fase. Marquinhos está (e é) melhor que o beque do Arsenal, apesar de também não ser titular absoluto no PSG. Já Thiago Silva, muito superior a Gabriel e a Marquinhos, não só é titular como é o capitão do time francês.

O lateral esquerdo Douglas Santos (Atlético-MG) não tem atualmente nível de seleção adulta – para a equipe olímpica, ok. Assim, concordo com a chance dada a Alex Sandro (Juventus), que deve ser reserva de Filipe Luís. Porém o melhor que o Brasil possui na posição (Marcelo, do Real Madrid) não foi lembrado.

Independentemente do momento, que tem, sim, sua importância, Dunga deve chamar sempre os melhores – que não necessariamente são os que eu ou você, leitor(a), consideramos os melhores.

E deveria, em público, afirmar isto (ou algo nesta linha): “Chamei fulano porque confio no futebol dele. Beltrano, idem. Podem não estar no melhor momento, mas têm tudo para jogar bem com a seleção”. E expor as razões X, Y e Z para justificar sua crença.

Treinadores têm seus homens de confiança, só que Dunga ou não deixa isso claro ou não sabe direito o que está fazendo. O que, de uma forma ou de outra, é prejudicial ao Brasil. Gera dúvidas nos torcedores, gera dúvidas nos jornalistas e, pior, gera dúvidas nos próprios jogadores, que não conseguem vislumbrar se estão agradando ou não.

Por tudo isso, essa política de inclusão e exclusão de jogadores da seleção brasileira precisa ser mais bem explicada.

A seguir, o desempenho de cada jogador da última lista de Dunga (4 dos 23 atuam no Brasil) nos últimos sete dias (destacados, os que não estavam na convocação anterior):

Goleiros

Alisson (Internacional) – Grêmio 0 x 0 Inter (Gaúcho e Primeira Liga). Esteve seguro e fez três defesas, a melhor em chute de fora da área de Douglas, no 1º tempo. Bom

Marcelo Grohe (Grêmio) – Grêmio 4 x 0 LDU (Libertadores). Os atacantes da equipe equatoriana estavam mal de mira, e Grohe não foi exigido. Grêmio 0 x 0 Inter (Gaúcho e Primeira Liga). Fez uma defesa fácil, em chute de Andrigo no 1º tempo, e não precisou mais que isso. Regular

O goleiro do Grêmio, Marcelo Grohe, está de volta à seleção brasileira (Rafael Ribeiro - 5.out.2015/CBF)
O goleiro do Grêmio, Marcelo Grohe, está de volta à seleção brasileira (Rafael Ribeiro – 5.out.2015/CBF)

Diego Alves (Valencia-ESP) – Málaga 1 x 2 Valencia (Espanhol). Não teve culpa no gol do Málaga – Cop acertou o ângulo. Valencia 1 x 3 Atlético de Madri (Espanhol). Falhou no terceiro gol do Atlético, de Carrasco – apesar de o chute ter sido dado com força, a bola passou sob a perna do goleiro. Ruim

Defesa

Daniel Alves (Barcelona-ESP) – Rayo Vallecano 1 x 5 Barcelona (Espanhol). Poupado, não ficou nem na reserva. Eibar 0 x 4 Barcelona (Espanhol). De volta à equipe, atuou o jogo inteiro e mostrou disposição, que, se não rendeu frutos no ataque, o ajudou a segurar o pouco efetivo Eibar na defesa. Regular

Miranda (Inter de Milão-ITA) – Inter (3)3 x 0(5) Juventus (Copa da Itália). Suspenso, não pôde jogar. A Inter devolveu o placar da partida de ida da semifinal, porém perdeu nos pênaltis. Inter 3 x 1 Palermo (Italiano). Voltou ao time com atuação mediana. Era ele o marcador de Vázquez no gol do Palermo, e chegou atrasado no lance. Ruim

David Luiz (PSG-FRA) – Saint-Étienne 1 x 3 PSG (Copa da França). Em dupla com Thiago Silva, teve boa atuação, levando vantagem sobre os atacantes adversários. O gol do Saint-Étienne foi de pênalti, não cometido por nenhum dos brasileiros. PSG 0 x 0 Montpellier (Francês). Poupado, ficou na reserva. Bom 

Filipe Luís (Atlético de Madri-ESP) – Atlético 3 x 0 Real Sociedad (Espanhol). Sem problemas na marcação, não marcou presença no ataque. Valencia 1 x 3 Atlético (Espanhol). Não teve culpa no gol rival e avançou para dar dois cruzamentos que quase resultaram em gols de cabeça de Saúl. Regular

Danilo (Real Madrid-ESP) – Levante 1 x 3 Real Madrid (Espanhol). De volta à lateral direita, sua posição de origem, esteve correto na marcação e, no 1º tempo, participou do segundo gol do time, ao dar bom passe para Mayoral, que chutou na trave; a bola tocou nas costas do goleiro e entrou. Real Madrid 7 x 1 Celta (Espanhol). O treinador Zidane mais uma vez tirou Danilo da direita (por ali jogou Carvajal) e o colocou do lado esquerdo, onde ele é um quebra-galho – não marca bem, tanto que recebeu cartão amarelo por uma falta, e é limitadíssimo no apoio, pois a perna esquerda é fraca. Regular

Marquinhos (PSG-FRA) – Saint-Étienne 1 x 3 PSG (Copa da França). Jogou improvisado na lateral direita e foi muito bem. Não comprometeu na marcação e ainda apareceu na área para fazer o segundo gol do time. PSG 0 x 0 Montpellier (Francês). Atuou na sua posição, zagueiro central, formando dupla com o francês Kimpembe. Teve atuação muito boa, e o líder e virtual campeão do Francês não tomou gol. Ótimo 

Marquinhos festeja o gol marcado contra o Sain-Étienne na Copa da França (Jeff Pachoud - 2.mar.2016/AFP)
Marquinhos festeja o gol marcado contra o Sain-Étienne na Copa da França (Jeff Pachoud – 2.mar.2016/AFP)

Gil (Shandong Luneng-CHN) – Shandong Luneng 3 x 0 Buriram United (Liga dos Campeões da Ásia). Vai criando entrosamento com o colega de zaga, o chinês Dai Lin. Em quatro jogos de parceria, todos pela Liga dos Campeões, foram apenas dois gols sofridos. Dessa vez, os tailandeses do Buriram passaram em branco. Jiangsu Suning 3 x 0 Shandong Luneng (Chinês). Na estreia no Chinês, a dupla Gil/Dai Lin se deu mal. Ramires (um gol) e Alex Teixeira (dois) deitaram e rolaram em cima da defesa do time do técnico Mano Menezes. Só faltou Jô fazer o dele. No primeiro gol, de Ramires, Gil falhou ao escorregar. Regular

Alex Sandro (Juventus-ITA) – Inter (3)3 x 0(5) Juventus (Copa da Itália). A sempre forte defesa da Juventus esteve em um mau dia, e a classificação para a final veio somente nos pênaltis. O cruzamento para o segundo gol da Inter saiu do setor de Alex Sandro, em jogada nas costas dele. Atalanta 0 x 2 Juventus (Italiano). No jogo em que a Juventus atingiu uma invencibilidade de 18 partidas na Série A, o lateral esquerdo começou na reserva e entrou apenas aos 36 minutos do 2º tempo, na vaga do uruguaio Pereyra. Pouco pegou na bola. Ruim

Meio-campo

Luiz Gustavo (Wolfsburg-ALE) – Hannover 0 x 4 Wolfsburg (Alemão). Recebeu um cartão amarelo na metade do 1º tempo e teve sangue-frio no resto do jogo para não levar um outro, que resultaria em sua expulsão. Deu o passe para o segundo dos três gols de Schürrle – antes, quase fez o seu, de cabeça. Wolfsburg 2 x 1 Borussia Mönchengladbach (Alemão). Capitão do time, esteve bem na marcação e ajudou na organização das jogadas. Nos acréscimos do 2º tempo, foi ao ataque e arriscou a gol, mas errou o alvo. Bom

Fernandinho (Manchester City-ING) – Liverpool 3 x 0 Manchester City (Inglês). O City foi envolvido pelo Liverpool, que se vingou do revés na decisão da Copa da Liga Inglesa. Como todo o time, Fernandinho ficou devendo. Foi substituído pelo atacante Iheanacho aos 10 minutos do 2º tempo. Manchester City 4 x 0 Aston Villa (Inglês). Diferentemente de partidas anteriores, atuou mais recuado, como primeiro volante, deixando de render ofensivamente, como vinha ocorrendo. Regular

Oscar (Chelsea-ING) – Norwich 1 x 2 Chelsea (Inglês). Mais um para a coleção de jogos ruins de Oscar na temporada, com direito a até uma furada no começo do 2º tempo. O meia não fez gol, não deu assistência, recebeu cartão amarelo e deixou o campo, substituído, aos 15 minutos da 2ª etapa – entrou Mikel. Chelsea 1 x 1 Stoke (Inglês). Dessa vez, atuou todo o tempo, com desempenho idêntico ao da partida anterior, incluindo o cartão amarelo. Ruim

Oscar durante o jogo com o Stoke, pelo Inglês; meia teve mais uma semana de futebol fraco pelo Chelsea (Justin Tallis - 5.mar.2016/AFP)
Oscar na partida contra o Stoke, pelo Inglês; meia teve mais uma semana de futebol fraco pelo Chelsea (Justin Tallis – 5.mar.2016/AFP)

Willian (Chelsea-ING) – Norwich 1 x 2 Chelsea (Inglês). Poupado pelo treinador Guus Hiddink, começou a partida na reserva. Entrou aos 15 minutos do 2º tempo, no lugar de Traore. Não conseguiu engrenar. Chelsea 1 x 1 Stoke (Inglês). De volta à equipe titular, ocupou a faixa mais à direita da armação, já que Oscar ficou mais centralizado. Tentou quatro chutes a gol, um deles em cobrança de falta, mas três deles foram para fora e um o goleiro pegou.  Regular

Lucas Lima (Santos) – Santos 2 x 0 Corinthians (Paulista). Ainda de novo visual (cabelos descoloridos), teve desempenho um pouco abaixo do normal. Mesmo assim, fez bom lançamento para Serginho, na área, chutar; Cássio não segurou e Ricardo Oliveira concluiu: 1 a 0. Levou um cartão amarelo. Regular

Renato Augusto (Beijing Guoan-CHN) – Não atuou na semana que passou. A estreia da equipe no Campeonato Chinês será na sexta (11). Sem avaliação

Philippe Coutinho (Liverpool-ING) – Liverpool 3 x 0 Manchester City (Inglês). Ficou na reserva. Crystal Palace 1 x 2 Liverpool (Inglês). Reserva, substituiu Flanagan aos 16 minutos do 2º tempo. Deu uma boa enfiada de bola para Benteke, perto do final da partida, e nada mais. Ruim

Ataque

Neymar (Barcelona-ESP) – Rayo Vallecano 1 x 5 Barcelona (Espanhol). Deu a assistência para Messi marcar o segundo gol do Barça. Correu bastante, tentou alguns dribles e buscou com insistência fazer o seu na goleada, mas suas cinco tentativas não acabaram com a bola na rede. Recebeu um cartão amarelo aos 42 minutos do 2º tempo após uma falta. Eibar 0 x 4 Barcelona (Espanhol). Suspenso por cartões amarelos, ficou fora de mais uma goleada do líder da Liga. Bom

Neymar tenta superar o goleiro do Rayo Vallecano em jogo pelo Espanhol (Sergio Perez - 3.mar.2016/Reuters)
Neymar tenta superar o goleiro do Rayo Vallecano em jogo pelo Espanhol (Sergio Perez – 3.mar.2016/Reuters)

Hulk (Zenit-RUS) – Krasnodar 0 x 0 Zenit (Russo). Tentou o gol do início ao fim, em várias chutes, porém ou eles foram bloqueados pela defesa, ou foram para fora, ou foram defendidos pelo goleiro Kritsyuk. Regular

Douglas Costa (Bayern de Munique-ALE) – Bayern 1 x 2 Mainz (Alemão). Começou no banco por opção de Guardiola, que escalou Ribéry pela esquerda do ataque. Com o time atrás (0 a 1), entrou aos 15 minutos no 2º tempo, no lugar de Thiago Alcántara. Pouco fez. Borussia Dortmund 0 x 0 Bayern (Alemão). Titular, e atuando na ponta esquerda (onde rende mais), sofreu com a forte marcação no setor, muitas vezes feita por dois jogadores (Durm e Piszczek). Deixou a partida aos 30 minutos do 2º tempo – entrou Ribéry. Regular

Roberto Firmino (Liverpool-ING) – Liverpool 3 x 0 Manchester City (Inglês). No fim do 1º tempo, deu o passe para Milner marcar o segundo gol dos Reds. Aos 12 minutos do 2º tempo, recebeu de Lallana na área e deslocou o goleiro Hart: 3 a 0. Aos 30 minutos, foi substituído pelo volante Allen. Crystal Palace 1 x 2 Liverpool (Inglês). Em saída errada do goleiro McCarthy, aproveitou e empatou para o Liverpool. Antes, havia obrigado o camisa 12 a fazer duas defesas. Foi substituído pelo zagueiro Kolo Touré aos 43 minutos do 2º tempo. Ótimo

Firmino acena para a torcida ao empatar para o Liverpool diante do Crystal Palace ( Eddie Keogh - 6.mar.2016/Reuters)
Firmino acena para a torcida ao empatar para o Liverpool diante do Crystal Palace, pelo Inglês (Eddie Keogh – 6.mar.2016/Reuters)

Ricardo Oliveira (Santos) – Santos 2 x 0 Corinthians (Paulista). O capitão santista marcou dois gols e foi o nome do clássico. No primeiro, mostrou oportunismo ao concluir para a rede depois de Cássio rebater mal chute de Serginho. No segundo, recebeu de Paulinho perto da área, deixou Yago no chão com um drible e tocou com classe na saída de Cássio. Ótimo