Argumento de Dunga para não chamar o goleiro Jefferson é furado

Por Luís Curro

Ao não convocar o goleiro Jefferson, do Botafogo, para as partidas das eliminatórias da Copa contra Uruguai e Paraguai, no fim deste mês, Dunga justificou afirmando que “futebol é momento” e que dependerá “do próprio Jefferson” a volta dele à seleção brasileira.

Esse é um argumento furado, que não se sustenta.

Semanalmente eu faço uma avaliação de todos os jogadores que figuram na mais recente lista de Dunga, e a performance de Jefferson, recentemente, em nada manchou sua imagem. Pelo contrário. O capitão do Botafogo, aos 33 anos, está em boa fase, no mínimo igual à de Marcelo Grohe (Grêmio), de 29 anos, que retorna ao grupo depois de alguns meses.

Em sete jogos no Estadual do Rio, o time alvinegro está invicto (seis vitórias e um empate) e é, ao lado do Flamengo, dono da melhor defesa, com apenas três gols sofridos, muito devido ao desempenho de seu camisa 1.

Jefferson, do Botafogo, descartado por Dunga para os jogos contra Uruguai e Paraguai (Vítor Silva/SSPress/Botafogo)
Jefferson, do Botafogo, descartado por Dunga para as partidas contra Uruguai e Paraguai (Vítor Silva/SSPress/Botafogo)

Em uma comparação que leva em conta o “momento”, o convocado Diego Alves, de 30 anos, está voltando agora a atuar pelo Valencia (Espanha), após longo período lesionado, e, em quatro partidas, levou seis gols. Parece prematuro convocá-lo sem uma observação um pouco mais prolongada.

Alisson, de 23 anos, que terminou 2015 como titular de Dunga, também tem jogado bem, feito grandes defesas, porém na semana passada teve falha grotesca ao tentar dar uma de líbero – o Internacional levou um gol e perdeu o jogo, em casa, para o Veranópolis no Campeonato Gaúcho.

Para mim, Jefferson não tem que estar na seleção brasileira, mas não pelo “momento”, e sim pelo histórico e pelo conjunto da obra.

Ele já falhou anteriormente quando titular (Copa América), e vejo outros com mais qualidade sob as traves aqui mesmo no Brasil, casos do gremista Grohe, do corintiano Cássio (outro que constava na última lista e foi preterido aparentemente sem uma razão sólida), de Victor, do Atlético-MG, e de Fernando Prass, do Palmeiras.

Repito: o motivo apresentado por Dunga, desta vez, não colou. Pois o “momento” de Jefferson é bom, melhor do que o da convocação anterior.

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Em tempo: Se “futebol é momento”, e muitas vezes é mesmo, a lista deveria incluir o atacante Jonas, do Benfica, e não Ricardo Oliveira, do Santos; o zagueiro Thiago Silva, em fase excelente e duradoura no Paris Saint-Germain, deveria ter sido chamado; e o meia Oscar, com um futebol pífio no Chelsea há vários meses tempo, ter ficado fora. Mas nada disso aconteceu.