Quem é o argentino por quem o Corinthians ofereceu R$ 13,5 milhões

Por Luís Curro

Sebastián Marcelo Blanco pode ser o mais novo reforço do Corinthians.

O atual campeão brasileiro, que perdeu neste ano Renato Augusto, Jadson e Ralf e Gil para o futebol chinês, propõe-se a pagar € 3  milhões (R$ 13,5 milhões) pelo argentino do San Lorenzo, o time pelo qual torce o papa Francisco.

Mas quem é Blanco? Tem qualidade para jogar no segundo time de maior torcida no Brasil? Fará a diferença ou irá apenas “compor o elenco”?

Pelo retrospecto, é mais provável a segunda opção. A comissão técnica do Corinthians deve ter suas razões para querer o jogador, um meia ofensivo destro que também sabe usar a canhota, mas a realidade é que Blanco não é daqueles que empolgam.

Não é um novato (tem 27 anos e fará 28 em março), possui um único título na carreira (o Apertura do Argentino, em 2007, pelo Lanús, clube que o revelou), não é um goleador (a temporada em que mais marcou foi a de 2013/2014: oito tentos) e tem mais cartões amarelos do que gols na carreira.

Seleção argentina? Sim, e já faz tempo, sob o comando de Diego Maradona (jogador imortal, treinador medíocre). Jogou amistoso em 2009, 3 a 1 no Panamá, em Santa Fé – 31 minutos em campo. Jogou amistoso em 2010, 4 a 0 no Haiti, em Cutral Có (Neuquén), como titular. Até fez gol, o terceiro, só que sua intenção era cruzar – ou seja, deu sorte. E não jogou mais pela Albiceleste.

Blanco deixou o Lanús na temporada 2010/2011 ao ser negociado com o Metalist, da Ucrânia. Contundiu-se, amargou a reserva e só em 2013/2014 ganhou vaga praticamente cativa no 11 inicial. Registrou sua melhor temporada, anotando ao todo oito gols (seis no Ucraniano, um na Copa da Ucrânia e um na Champions League).

Teve como colegas no leste europeu alguns brasileiros, entre eles Diego Souza (ex-Palmeiras, Vasco e Cruzeiro e que defendeu o Sport no Brasileiro-2015) e Marlos (ex-São Paulo, hoje em outro ucraniano, o Shakhtar Donetsk).

Permaneceu no Metalist até 2014, quando se transferiu para o West Brom, da Inglaterra, onde por seis meses amargou a reserva. Disputou apenas três partidas, sempre saindo do banco. Esteve no gramado ao todo por 36 minutos, menos que um tempo de uma partida de futebol.

No início de 2015, voltou ao seu país de origem. O San Lorenzo contratou-o por empréstimo e, no meio do ano, em definitivo, por € 2  milhões. Com status de titular, atuou em 40 jogos, entre Argentino, Copa da Argentina, Libertadores, Recopa Sul-Americana e Torneio de Verão. Fez quatro gols (um a cada dez partidas).

Blanco marca Jadson em Corinthians x San Lorenzo pela Libertadores-2015 (Jose Patricio - 16.abr.2015/Reuters)
Blanco marca Jadson em Corinthians x San Lorenzo pela Libertadores-2015 (Jose Patricio – 16.abr.2015/Reuters)

Fisicamente (1,68 m), Blanco assemelha-se a Jadson (1,69 m). Gosta de cair pelas laterais, como o brasileiro, é mais rápido que ele, mas não tem aptidão para a bola parada nem organiza o jogo ou finaliza tão bem, especialidades de Jadson.

Enfim, se a contratação vingar, o Corinthians terá um jogador médio. Pode ser que Tite o faça funcionar no esquema, mas um jogador especial, definitivamente, esse argentino não é.

Há centenas iguais a ele aqui no Brasil, mais jovens e que não custariam R$ 13,5 milhões.