Eldorado da bola, China está longe da Copa de 2018

Por Luís Curro

A endinheirada China tem levado para dentro de suas fronteiras alguns jogadores de nome do futebol brasileiro.

Entre os mais recentes estão Renato Augusto e Jadson, campeões brasileiros com o Corinthians em 2015, e Luis Fabiano, um dos principais artilheiros da história do São Paulo.

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Um dos objetivos do país, cujo governo oferece vantagens econômicas a empresas que investem nos clubes, ao importar o pé de obra brasileiro é desenvolver o esporte, tentar fazer com que os chineses joguem melhor ao ter a companhia de quem notoriamente sabe jogar bem.

Mas funciona? Brasileiros menos renomados já desfilam em número superior a 20 por temporada há vários anos pelos gramados chineses, e nem por isso a seleção chinesa mostrou grande progresso.

Tanto que corre alto risco de ficar fora da Copa do Mundo da Rússia-2018. Nas eliminatórias asiáticas, os chineses estão em terceiro lugar em seu grupo, atrás de Qatar e de Hong Kong.

Pelo regulamento, os campeões de cada uma das oito chaves avançam para a próxima fase, além dos quatro melhores segundos colocados.

Com 18 pontos em seis jogos, o Qatar já assegurou a vaga. Hong Kong tem 14 pontos e mais uma partida para disputar, diante dos qatarianos. Os chineses, com 11 pontos, jogam seus dois últimos jogos em casa, em março, contra Maldivas e Qatar.

A China precisa vencer seus jogos, o que deve deixá-la em segundo lugar mesmo que Hong Kong derrote o Qatar, já que o saldo de gols dos chineses é bem melhor (20 contra 10 de Hong Kong).

Só que isso pode não bastar, pois é necessário ser um dos segundos colocados com melhor aproveitamento. Não parece tarefa fácil.

Jogadores da China, cabisbaixos depois do empate sem gols com Hong Kong (Lo Ping Fai - 17.nov.2015/Xinhua)
Jogadores da China, cabisbaixos depois do empate sem gols com Hong Kong (Lo Ping Fai – 17.nov.2015/Xinhua)

Esse cenário mostra que somente a presença de brasucas nos times chineses não é garantia de melhora na qualidade do futebol local. E a única vez que a China obteve vaga em uma Copa (Coreia/Japão-2002), conseguiu sem grande presença de estrangeiros por lá.

Méritos na época para o treinador sérvio Bora Milutinovic, que classificou a equipe. No Mundial, porém, os chineses foram saco de pancada. Perderam de Costa Rica (2 a 0), Brasil (4 a 0) e Turquia (3 a 0). Nove gols tomados e nenhum marcado.

Talvez a importação de treinadores do Brasil (estão na China Luiz Felipe Scolari, Cuca, Mano Menezes, Vanderlei Luxemburgo) e de outros países insira algo novo, taticamente, no futebol chinês. Pode ajudar, mas não deve resolver. Faltam jogadores de talento.

Quando garoto, eu ouvia muito isto: “Japonês não sabe jogar bola”. Tive colegas de ascendência nipônica na escola, e não me lembro de nenhum que jogasse bem. No máximo, eram razoáveis.

Chinês, apesar dos olhos puxados, não é japonês. Porém fica a impressão de que atualmente é chinês que não sabe jogar bola, já que o Japão evoluiu muito a partir dos anos 1990 e esteve em todas as Copas do Mundo desde 1998.

Se os chineses fossem bons de bola, haveria vários deles nas principais ligas europeias – só há um, na Espanha, e é reserva do Rayo Vallecano. Se fossem bons de bola, a China estaria na dianteira de sua chave nas eliminatórias, e não sob risco de eliminação.

Em tempo: O cargo de treinador da seleção chinesa está vago desde o último dia 8, quando o francês Alain Perrin, que dirigia a equipe desde o começo de 2014, foi demitido. Será que assumirá um brasileiro?