Craque inglês se arrepende de convívio com a “Família Soprano”

Por Luís Curro

Steven Gerrard é um dos grandes jogadores ingleses deste século, junto com Wayne Rooney, David Beckham, John Terry, Michael Owen, Frank Lampard.

Disputou as Copas do Mundo de 2006 (Alemanha), 2010 (África do Sul) e 2014 (Brasil). Em 12 jogos, marcou 3 gols e foi o capitão do English Team nos dois últimos Mundiais.

É um dos maiores ídolos do Liverpool, clube em que começou a jogar ainda bem menino, aos 7 anos, e pelo qual atuou profissionalmente de 1998 a 2015. Vestiu a camisa dos Reds em mais de 500 partidas e anotou 120 gols.

Chegou à decisão do Mundial de Clubes da Fifa em 2005, quando seu time ficou com o vice-campeonato. Na final, contra o São Paulo, bateu magnificamente uma falta no ângulo, no segundo tempo, obrigando Rogério Ceni a fazer a mais importante defesa de sua carreira.

Rogério Ceni aposentou-se no fim do ano passado, e Gerrard afirmou, no começo deste 2016, que pode seguir o mesmo caminho, que é provável não estar mais desfilando seu futebol pelos gramados em 2017.

Se isso ocorrer, o esporte bretão perderá um autêntico camisa 8 (a camisa que Gerrard vestiu no Liverpool): um jogador cerebral, de técnica refinada, exímio passador (não apenas o passe curto, mas especialmente o longo), ótimo finalizador (inclusive de fora da área, na bola parada ou na bola rolando), dono de grande vigor físico. E, de sobra, com uma liderança inconteste.

England's midfielder and captain Steven Gerrard runs on the pitch during the Group D football match between Costa Rica and England at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte on June 24, 2014,during the 2014 FIFA World Cup . AFP PHOTO / FABRICE COFFRINI
Gerrard no jogo da Inglaterra contra a Costa Rica, no Mineirão, na Copa de 2014 (Fabrice Coffrini – 24.jun.2014/AFP)

Em 2010, quando estive na Inglaterra, entrevistei no estádio Old Trafford o galês Ryan Giggs, ponta esquerda símbolo do Manchester United.

Ele ainda estava na ativa (hoje é assistente técnico no clube) e, quando lhe perguntei com qual jogador gostaria de atuar, se tivesse a opção de escolher, ele não titubeou: Gerrard.

Aos 35 anos, Gerrard fala em aposentadoria, porém não quer se desligar do esporte que ama. Pretende ser treinador.

“Tenho sonhos e aspirações, mas no momento não estou nem perto do gerenciamento (de uma equipe)”, disse o meia armador, que desde o segundo semestre de 2015 defende o Los Angeles Galaxy (EUA).

Ele admitiu que poderia estar mais preparado para carregar a prancheta. Arrepende-se de quando mais jovem, no tempo livre que tinha depois dos treinamentos com a seleção inglesa, a qual defendeu por 15 anos, não ter começado a se preparar para a função.

Segundo Gerrard, como os treinos eram matutinos, havia tempo de sobra para os atletas se dedicarem ao estudo, caso desejassem – e se a federação inglesa proporcionasse essa opção.

“Lamento não ter começado os cursos (de habilitação para ser treinador) aos 21 ou 22 anos. Todo aquele tempo em que estava entediado nos hotéis eu gastei vendo ‘The Sopranos’ e ‘The Office’.”

Parte do elenco de "Família Soprano", famosa série de TV (Reprodução/Site HBO)
Parte do elenco de “Família Soprano”, série que fez sucesso na TV nos anos 2000 (Reprodução/Site HBO)

“Família Soprano” é uma famosa série dramática da TV norte-americana que ficou no ar de 1999 a 2007. O protagonista é Anthony “Tony” Soprano, interpretado por James Gandolfini (1961-2013), um mafioso ítalo-americano que vive em Nova Jersey e consulta uma psicóloga que o ajuda a lidar com a vida familiar. Ganhou uma série de prêmios, entre os quais Emmys e Globos de Ouro.

A série “The Office” (O Escritório) teve versões em cinco países, e as mais famosas são a britânica (2001 a 2003) e a americana (2005 a 2013). É uma comédia de muito sucesso, também premiada. Não assisti a nenhum de seus episódios, mas possivelmente não chega aos pés de “Friends”.

Gerrard corre para recuperar o tempo perdido – modo de dizer, pois na prática isso é impossível.

Pretende estar apto a comandar uma equipe, com as devidas certificações (ou a maior parte delas), quando pendurar as chuteiras. “Estarei disponível em novembro, dezembro, quando espero ter concluído 75% de meus cursos de treinador.”