Clube turco troca de técnico depois de só um jogo – duas vezes seguidas

Por Luís Curro

Ser treinador no Genclerbirligi, clube da primeira divisão da Turquia, é algo bem arriscado atualmente.

Que o digam os treinadores Mustafa Kaplan, de 48 anos, e Yilmaz Vural, de 62 anos. Ambos duraram apenas uma partida no comando da equipe, 16ª e antepenúltima colocada no Campeonato Turco.

Com apenas 13 pontos em 17 partidas, o Genclerbirligi, sediado na capital turca (Ancara), está na zona de rebaixamento e a uma distância de 28 pontos do Besiktas, de Istambul, que lidera.

Kaplan assumiu o time depois que uma sequência de sete jogos sem vitória (com quatro derrotas) derrubou Mehmet Özdilek, de 49 anos, que havia sido contratado em setembro para substituir o escocês Stuart Baxter, de 62 anos (contratado dois meses antes), e saiu após a derrota por 1 a 0, em casa, para o Sivasspor no dia 13 deste mês.

No dia 20, novamente no estádio Ondokuz, Kaplan estreou com derrota, 1 a 0, dessa vez para o Fenerbahçe. O gol foi do centroavante brasileiro Fernandão, ex-Palmeiras, Atlético-PR e Bahia.

Foi o suficiente para Vural ser designado para substituí-lo. Assinou contrato por um ano e meio, e sua apresentação aconteceu na véspera de Natal.

O capitão do Genclerbirligi, Kulusic, desolado depois do gol do Fenerbahce (Adem Altan - 20.dez.2015/AFP)
O capitão do Genclerbirligi, Kulusic, desolado depois do gol do Fenerbahçe (Adem Altan – 20.dez.2015/AFP)

Uma trinca de dias de treinamentos e o Genclerbirligi viajou à cidade de Eskişehir para enfrentar, na segunda (28), o lanterninha Eskişehirspor, até então apenas 7 pontos ganhos em 48 disputados.

Resultado: 2 a 0 para o mandante, que atuou com um jogador a menos (o atacante Güral foi expulso) a partir dos 15 minutos do segundo tempo.

Resultado do resultado: o presidente do Genclerbirligi, Ilhan Cavcav, demitiu Vural, que, de acordo com o jornal turco “Posta”, pediu ao chefe reforços na janela de transferências de janeiro. Para o mandatário, o elenco do clube já é suficientemente inchado.

Cavcav, segundo informação do jornal digital português “Mais Futebol”, contratou 51 treinadores desde que se tornou presidente do clube, em 1981. A média é de 1,5 técnico por ano.

Yilmaz Vural , que durou menos de uma semana no comando, conversa com os jogadores em treino (Reprodução/Site do Genclerbirligi)
Yilmaz Vural , que durou menos de uma semana no comando, conversa com os jogadores em treino (Reprodução/Site do Genclerbirligi)

Por ora, o Genclerbirligi está sem técnico – Cavcav terá um tempinho para fazer a nova escolha, já que a equipe só volta a jogar no dia 16 de janeiro.

E que o escolhido chegue com um plano B na mente, pois sua permanência, o presente é testemunha, pode ser demasiado efêmera.

Em tempo: No Brasil, lembro dois casos, em times grandes, de treinadores que ficaram muito pouco no cargo, apenas três jogos. Júnior, ex-lateral e meia da seleção brasileira (Copas da Espanha-1982 e México-1986), no Corinthians, em 2003 (uma vitória e duas derrotas), e Mário Sérgio, ex-ponta esquerda nos anos 1970 e 1980 de Internacional, Vitória, São Paulo, Palmeiras e Grêmio, entre outros, no Botafogo, em 2007 (três derrotas). Ambos são hoje comentaristas.