Mourinho aceita reduzir em 75% multa rescisória ao deixar o Chelsea
“O Chelsea Football Club e José Mourinho se separaram por consentimento mútuo”, anunciou o clube londrino, atual campeão da Premier League, nesta quinta (17).
Pura balela.
O russo Roman Abramovich, dono de uma fortuna de aproximadamente £ 5,3 bilhões (R$ 30,6 bilhões) e também do Chelsea, fartou-se do péssimo desempenho do português, considerado o mais emblemático treinador da história do clube (pelos títulos e pela personalidade entojada), nesta temporada e lhe deu o bilhete da cor do uniforme do time: azul.
A decisão foi unilateral. Mourinho declarou várias e várias vezes, uma atrás da outra, que pretendia ficar, que não se renderia. Almejava inclusive chegar entre os quatro primeiros do Inglês para obter a classificação para a próxima Liga dos Campeões da Europa.
Com o Chelsea em 16º lugar passadas 16 rodadas, com somente 15 pontos conquistados, a missão era bem complicada – o Mancheter United, atual quarto colocado, soma 29 pontos.
Mais complicada ainda porque, na Premier, o Chelsea não se acha – na Champions League, mesmo sem ser categórico, avançou em primeiro em sua chave para a fase de mata-matas.
O britânico “Daily Mail” publicou o que teria ocorrido para que o Chelsea propagasse a versão de uma separação amigável entre as partes. Segundo o tabloide, houve um acordo.
A direção do Chelsea argumentou com Mou que ele complicou a situação do clube ao afastar, destratando-a, a médica Eva Carneiro no início do campeonato, após desentendimento na partida de estreia. Carneiro deve travar batalha milionária com os Blues na Justiça trabalhista.
O português, acuado, certamente refletiu e, a fim de evitar que sua imagem ficasse (ainda mais) arranhada, com a mídia alardeando, em letras garrafais, “Mourinho demitido” (um golpe muito duro para alguém com um ego do tamanho do dele), concordou em reduzir a multa rescisória de seu contrato, que havia sido renovado em agosto até 2019.
O Chelsea precisaria pagar £ 40 milhões (R$ 231 milhões) a Mourinho pela quebra contratual. O que dá para fazer com R$ 231 milhões? Esse dinheiro, aplicado em um investimento conservador como a caderneta de poupança, gera rendimento mensal de aproxidadamente R$ 1,5 milhão.
Pois Mourinho concordou, segundo o “Daily Mail”, em reduzir a multa em 75%, para o teto de £ 10 milhões – £ 250 mil por semana. O pagamento cessará quando ele obtiver um novo emprego.
Tudo acertado, o Chelsea soltou o comunicado com o tal “consentimento mútuo”.

Sobre o futuro de Mourinho, os rumores apontam em várias frentes: Alemanha, no Bayern de Munique (caso Guardiola anuncie que não permanecerá), Espanha, no Real Madrid (a situação de Rafa Benítez não está nada confortável), a própria Inglaterra, que é a opção preferida do técnico, em um dos times de Manchester (City ou United), ou Portugal, em um dos três grandes (Porto, Benfica ou Sporting).
Talvez Mou queira esperar um pouco mais, aguardar abrir uma vaga em uma seleção nacional de peso (Brasil?), almejar um título de Copa do Mundo – aos 52 anos, nunca dirigiu o selecionado de um país.
Por fim, este blogueiro fez um levantamento comparando o desempenho de Mourinho desde o início da Premier League com os treinadores que comandaram o Chelsea nas últimas dez temporadas (ele mesmo incluído).
Mourinho durou 24 partidas em 2015-2016. Assim, é considerado o aproveitamento de pontos dos treinadores nesse número de jogos, não apenas em partidas do Inglês, mas também por copas nacionais e internacionais.
- Mourinho-2015 – 44% (9 vitórias, 5 empates, 10 derrotas)
- Mourinho-2014 – 68% (15 v, 4 e, 5 d)
- Mourinho-2013 – 82% (18 v, 5 e, 1 d)
- Roberto Di Matteo-2012 – 58% (12 v, 6 e, 6 d)
- André Villas-Boas-2011 – 64% (14 v, 4 e, 6 d)
- Carlo Ancelotti-2010 – 64% (14 v, 4 e, 6 d)
- Carlo Ancelotti-2009 – 79% (18 v, 3 e, 3 d)
- Luiz Felipe Scolari-2008 – 71% (15 v, 6 e, 3 d)
- Avram Grant-2007* – 78% (17 v, 5 e, 2 d) *O israelense assumiu depois da saída de Mourinho, que comandou o Chelsea em 7 partidas
- Mourinho-2006 – 76% (17 v, 4 e, 3 d)
Percebe-se, pelos números, que Mou já vai tarde.
Em tempo: No segundo semestre de 2007, Roman Abramovich também demitiu Mourinho depois de resultados insatisfatórios, e a razão apresentada à imprensa foi… tem ideia? Exato, “consentimento mútuo”. Então tá.