O sonho de Felipão contra o Barcelona

Por Luís Curro

“Por que não sonhar? Por que não acreditar? Por que não buscar uma nova meta?”

São palavras de Luiz Felipe Scolari, proferidas neste domingo (13), depois de o time que comanda, o chinês Guangzhou Evergrande, derrotar nos acréscimos do segundo tempo o América do México (com um gol de cabeça do brasileiro Paulinho, ex-Corinthians) e se classificar para a fase semifinal do Mundial de Clubes da Fifa.

“Confie em si mesmo. Quem acredita sempre alcança.”

São palavras de Renato Russo (1960-1996), vocalista da Legião Urbana, em “Mais Uma Vez”, de 1986. Lembrei-me dessa canção ao ouvir Scolari falar em esperança, em sonho, em fé.

Aos 67 anos, Felipão já viveu muitas e muitas emoções no futebol: houve vitórias marcantes (a principal delas o 2 a 0 na Alemanha que rendeu o pentacampeonato mundial ao Brasil em 2002, na Copa da Coreia/Japão) e também derrotas doídas (a pior, o 7 a 1 para a mesma Alemanha na semifinal da Copa de 2014, no Brasil).

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O treinador está de volta ao Japão, onde nesta quinta-feira (17) buscará um resultado histórico, improvável, comparável mesmo a um sonho: derrotar o Barcelona de Messi e companhia.

A partida será no mesmo estádio, em Yokohama, da decisão da Copa do Mundo de 13 anos atrás. Uma arena que abriga mais de 72 mil espectadores.

O favoritismo do Barcelona é evidente: atual campeão da Espanha, atual campeão da Copa do Rei da Espanha, atual campeão da Europa, atual campeão da Supercopa da Europa, atual líder do Campeonato Espanhol, invicto na atual Champions League.

Enquanto a equipe catalã conta, além de Messi, com Piqué, Daniel Alves, Mascherano, Rakitic, Iniesta, Suárez (Neymar, lesionado, não deve se recuperar a tempo dessa partida), renomados nomes no mundo da bola, o Guangzhou tem Zhang, Zheng, Zou, Zhao, Zeng…

Felipão afirma confiar em seus chineses (mais que eles próprios) e aposta muito nos brasileiros do time: o volante Paulinho, que tem jogado como nos bons tempos de Corinthians, e os atacantes Robinho (ex-Santos), Ricardo Goulart (ex-Cruzeiro) e Elkeson (ex-Botafogo). Mais um atacante, Alan, ex-Fluminense, é reserva.

Paulinho cabeceia para fazer Guangzhou 2 x 1 América, em Osaka (Kimimasa Mayama - 13.dez.2015/EFE)
Paulinho cabeceia para fazer Guangzhou 2 x 1 América, em Osaka (Kimimasa Mayama – 13.dez.2015/EFE)

Para ganhar do Barça, cada um, sendo chinês ou brasileiro, terá de jogar a melhor partida de suas respectivas carreiras – e ainda esperar que o Barcelona esteja em um dia péssimo. Há também um sul-coreano na equipe, o zagueiro Kim, que pode se consagrar ao anular Messi e/ou Suárez.

Se eliminar o Barcelona, Felipão conseguirá um feito inédito. Desde 2005, ano em que o Mundial da Fifa começou a ser disputado no formato atual, com jogos eliminatórios, nunca um europeu deixou de disputar a decisão.

Sul-americanos já caíram na semifinal, casos de Internacional, em 2010, e Atlético-MG, em 2013. Um europeu, jamais.

Além disso, o Barça tenta se isolar como o maior vencedor desde que a competição passou a ser organizada pela Fifa, em 2000. Tem dois títulos (2009 e 2011), assim como o Corinthians (2000 e 2012).

É fato que o Barcelona não é imbatível. Nesta temporada, perdeu a decisão da Supercopa da Espanha para o Athletic Bilbao e, no Espanhol, foi derrotado por Celta (4 a 1) e Sevilla (2 a 1).

E é fato que o Guangzhou, com Felipão, tem sido imbatível há quase seis meses: são 16 vitórias e 9 empates desde o dia 20 de junho. A invencibilidade do Barcelona é de 14 partidas (10 vitórias e 4 empates).

O treinador gaúcho ainda não perdeu desde que assumiu o time, que, com ele, ganhou a Liga dos Campeões da Ásia e o Campeonato Chinês.

“A vitória não é impossível”, diz Felipão sobre o jogo diante do gigante espanhol.

Não, não é. No esporte e na vida, sonhos se tornam realidade.

Mas não é todo dia que isso acontece.

Em tempo: Fox Sports e SporTV exibem Barcelona x Guangzhou às 8h30 (horário de Brasília).