Estrangeiros ficam devendo no Brasileiro-2015

Por Luís Curro

Quarenta estrangeiros.

Esse é o número total que os 20 clubes que participaram do Campeonato Brasileiro de 2015 tinham em seus elencos ao término da competição, uma semana atrás, uma média de dois por clube.

O rebaixado Vasco foi o time com mais gringos: seis. Cinco equipes (Chapecoense, Fluminense, Goiás, Ponte Preta e Sport) não contavam com nenhum na relação exibida em suas páginas na internet.

Por país, a Argentina teve, disparado, o maior número de representantes: 15. Depois aparecem Colômbia (6), Paraguai, Uruguai (5 cada um) e Chile (4).

Pouca gente sabe, mas houve clube que contou com camaronês (Cruzeiro), italiano (Santos), português (Atlético-PR) e japonês (Avaí). Todos eles reservas, com poucas aparições no Brasileiro, ou nenhuma – caso de Toshi, do time catarinense, que, quando relacionado, ficou na reserva, ou seja, não jogou um único minuto.

Em um olhar amplo, a quantidade esteve bem distante de representar qualidade. É possível contar nos dedos de uma mão os estrangeiros que ajudaram significativamente seus times no Brasileiro deste ano.

Um deles é o atacante Lucas Pratto, 27 anos, do Atlético-MG.

O argentino Lucas Pratto, do Atlético-MG, 13 gols no Brasileiro (Eitan Abramovich - 18.mar.2015/AFP)
O argentino Lucas Pratto, do Atlético-MG, 13 gols no Brasileiro (Eitan Abramovich – 18.mar.2015/AFP)

Longe de ser brilhante, o argentino balançou as redes 13 vezes em 36 jogos, quase a metade (6) de pênalti, o suficiente para ser o terceiro principal artilheiro do campeonato, atrás de Ricardo Oliveira (Santos), com 20 gols, e Vagner Love (Corinthians), com 14 gols. André, do Sport, e Jadson, do Corinthians, também marcaram 13 gols.

O outro forasteiro que merece honras defende o Galo, como Pratto, e é argentino, como Pratto.

Dátolo, 31 anos, fez um bom Brasileiro, sendo o segundo maior goleador gringo, com 7 gols. O meia esteve em campo em 26 partidas e ainda contribuiu com 4 assistências.

O terceiro artilheiro nascido fora do Brasil foi Cristaldo, 26 anos, do Palmeiras: 6 gols em 22 partidas – o compatriota de Pratto e Dátolo começou jogando apenas 5 delas. Outro palmeirense, o paraguaio Barrios, 31 anos e nascido na Argentina, anotou 5 gols em 13 partidas.

Quem mais? Difícil. A maioria dos gringos nem conseguiu ser titular.

É possível citar, entre os que jogaram com mais frequência, Erazo (zagueiro equatoriano do Grêmio), Canteros (volante argentino do Flamengo), Vilches (zagueiro chileno do Atlético-PR), De Arrascaeta, meia uruguaio, Cabral, volante argentino (ambos do Cruzeiro), Martín Silva, goleiro uruguaio, Julio dos Santos, meia paraguaio, e Riascos, atacante colombiano (todos do rebaixado Vasco).

Porém o desempenho de nenhum deles foi grandioso – longe disso.

O atacante argentino Lisandro López, do Inter, teve lampejos de bom futebol. Mais um argentino, D’Alessandro, também do Inter, que já fez grandes campeonatos, conviveu com contusões e pouco jogou no Brasileiro-2015.

A maior decepção foi o peruano Guerrero, que trocou o Corinthians pelo Flamengo, passou parte do Brasileiro contundido e, em 15 jogos, anotou só 3 gols e mostrou-se muito indisciplinado – 7 cartões amarelos e 1 vermelho.

Guerrero teve desempenho abaixo do esperado no Flamengo (Natacha Pisarenko - 21.jun.2015/Associated Press)
O peruano Guerrero teve desempenho abaixo do esperado no Flamengo (Natacha Pisarenko – 21.jun.2015/Associated Press)

No campeonato de 2014, dos seis principais goleadores, três foram estrangeiros: Marcelo Moreno, boliviano do campeão Cruzeiro (15 gols), Barcos, argentino do Grêmio (14), e o então corintiano Guerrero (12). E outros atuaram muito bem: Conca, Aránguiz, D’Alessandro, Joel, Dátolo, Zeballos.

Já vi gringos jogarem muita bola em outros Brasileiros, como Gamarra (Corinthians), Conca (Fluminense), Dario Pereyra (São Paulo), Petkovic (Flamengo), Arce (Palmeiras e Grêmio), Rincón (Corinthians), Romerito (Fluminense), De León (Grêmio), Tevez (Corinthians). E há outros, que não vi, também ótimos, casos de Figueroa (Inter) e Pedro Rocha (São Paulo).

A turma de 2015, no geral, ficou devendo.

Eis a relação dos estrangeiros de cada clube ao término do Brasileiro.

Vasco (6) – Biancucchi (Argentina), Guiñazu (Argentina), Herrera (Argentina), Julio dos Santos (Paraguai), Martín Silva (Uruguai), Riascos (Colômbia) e Seymour (Chile)

Atlético-PR (4) – Barrientos (Argentina), Hernández (Colômbia), Pereirinha (Portugal) e Vilches (Chile)

Cruzeiro (4) – Cabral (Argentina), De Arrascaeta (Uruguai), Joel (Camarões) e Mena (Chile)

Palmeiras (4) – Allione (Argentina), Barrios (Paraguai), Cristaldo (Argentina) e Mouche (Argentina)

Atlético-MG (3) – Cardenas (Colômbia), Dátolo (Argentina) e Lucas Pratto (Argentina)

Flamengo (3) – Armero (Colômbia), Canteros (Argentina) e Guerrero (Peru)

Grêmio (3) – Braian Rodríguez (Uruguai), Erazo (Equador) e Maxi Rodríguez (Uruguai)

Internacional (3) – D’Alessandro (Argentina), Lisandro López (Argentina) e Nico Freitas (Uruguai)

Avaí (2) – Camacho (Paraguai) e Toshi (Japão)

Toshi, 23 anos, o japonês do Avaí (Reprodução/Site do Avaí FC)
O japonês Toshi, 23 anos (Reprodução/Site do Avaí)

Santos (2) – Ledesma (Itália) e Valencia (Colômbia)

São Paulo (2) – Centurión (Argentina) e Guisao (Colômbia)

Corinthians (1) – Romero (Paraguai)

Coritiba (1) – Cáceres (Paraguai)

Figueirense (1) – Cereceda (Chile)

Joinville (1) – Trípodi (Argentina)

Chapecoense (0)

Fluminense (0)

Goiás (0)

Ponte Preta (0)

Sport (0)